Setembro Amarelo: quando a dor não é visível, o cuidado precisa ser

Setembro começa com um apelo pela vida e o acolhimento de quem está em sofrimento emocional com a Campanha Setembro Amarelo de prevenção ao suicídio, que em 2026 tem como meta uma escuta acolhedora, sem julgamentos, pois quando a dor não é visível, o cuidado precisa ser. O tema deste ano é “Toda história merece continuar” e a assinatura “O primeiro passo é pedir ajuda”.
Setembro Amarelo é acolher sem julgamentos e buscar ajuda especializada. A iniciativa deste movimento pela vida, é liderada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), além da atuação fundamental do Centro de Valorização da Vida.
Toda pessoa tem uma história. Algumas são marcadas por conquistas e momentos de felicidade. Outras atravessam perdas, traumas, transtornos mentais, crises emocionais ou problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas. Quando o sofrimento é intenso a pessoa deixa de enxergar possibilidades para o futuro. É justamente nesses momentos que o acolhimento faz toda diferença.
Muitas vezes, o sofrimento emocional se esconde atrás do silêncio, da irritabilidade ou até de um sorriso, principalmente na adolescência que é uma fase de intensas transformações físicas, emocionais e sociais e é justamente por isso que a saúde mental nesse período merece atenção redobrada.
Quando uma pessoa decide terminar com a sua vida, os seus pensamentos, sentimentos e ações apresentam-se muito restritivos, ou seja, ela pensa constantemente sobre o suicídio e é incapaz de perceber outras maneiras de enfrentar ou de sair do problema. Essas pessoas pensam rigidamente pela distorção que o sofrimento emocional impõe.

Todos nós devemos atuar ativamente na conscientização da importância que a vida tem e ajudar na prevenção do suicídio, tema que ainda é visto como tabu. Se informar para aprender e ajudar o próximo é a melhor saída para lutar contra esse problema tão grave.
É importante que as pessoas próximas saibam identificar que alguém está pensando em se matar e a ajude, tendo uma escuta ativa e sem julgamentos, mostrar que está disponível para ajudar e demonstrar empatia, mas principalmente ajudar a pessoa a encontrar caminhos de apoio. E mostrar que a vida sempre vai ser a melhor escolha.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, ter saúde mental não significa estar feliz o tempo todo, mas conseguir lidar com os desafios da vida com equilíbrio e apoio adequado. Escolas, famílias e toda a comunidade têm um papel essencial: não é preciso ser especialista para acolher.
Alguns sinais merecem atenção: tristeza persistente, isolamento, mudanças bruscas de comportamento, falas sobre não querer mais viver. Os Primeiros Socorros em Saúde Mental podem ser praticados por qualquer pessoa e envolvem algo simples e poderoso: escutar sem julgar, acolher com empatia e ajudar a pessoa a encontrar caminhos de apoio.
Dados sobre suicídio

O suicídio é um importante problema de saúde pública, com impactos na sociedade como um todo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde – OMS, todos os anos, mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que HIV, malária ou câncer de mama – ou guerras e homicídios. Mais de 720mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. Em 2021, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos.
A OMS ressalta que o suicídio não tem uma única causa. O comportamento suicida pode estar relacionado a uma combinação de fatores psicológicos, sociais, biológicos, culturais e ambientais. Depressão, transtornos relacionados ao uso de álcool, tentativas anteriores, perdas, isolamento, violência, abuso, conflitos e outras situações de sofrimento podem aumentar o risco.
Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a terceira causa e morte depois de acidentes no trânsito, tuberculose e violência interpessoal. Trata-se de um fenômeno complexo, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, sexos, culturas, classes sociais e idades.
Segundo dados da Secretaria de Vigilância em Saúde divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro de 2022, entre 2016 e 2021 houve um aumento de 49,3% nas taxas de mortalidade de adolescentes de 15 a 19 anos, chegando a 6,6 por 100 mil, e de 45% entre adolescentes de 10 a 14 anos, chegando a 1,33 por 100 mil.

As taxas variam entre países, regiões e entre homens e mulheres. No Brasil, 12,6% por cada 100 mil homens em comparação com 5,4% por cada 100 mil mulheres, morrem devido ao suicídio. As taxas entre os homens são geralmente mais altas em países de alta renda (16,6% por 100 mil). Para as mulheres, as taxas de suicídio mais altas são encontradas em países de baixa-média renda (7,1% por 100 mil).
Prevenção significa muito mais do que falar sobre suicídio. Significa cuidar da saúde mental, reduzir o estigma, reconhecer sinais de sofrimento, fortalecer vínculos e facilitar o acesso ao cuidado. Em vez de tentar comparar sofrimentos, a dica dos especialistas é demonstrar disponibilidade: “Eu estou aqui. Quero entender o que você está passando e ajudar você a encontrar cuidado.”
Nossas ações podem ajudar a salvar vidas. Vamos espalhar empatia e acolhimento e mostrar que a prevenção do suicídio é um assunto que merece atenção de todos.
Conheça o Centro de Valorização da Vida (CVV): 188 – ligação gratuita, atendimento 24h http://www.cvv.org.br
Fotos: Reprodução













