Real: a moeda mais longeva está de aniversário

Real - a moeda mais longeva está de aniversário - Bernadete Alves

A moeda utilizada nos dias de hoje pelos brasileiros está completando 25 anos de existência. Durante o governo do presidente Itamar Franco e do Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, foi instituída uma nova moeda: o Real. No dia 1º de julho de 1994, há 25 anos, o Brasil despertava sob o signo de uma nova Unidade Real de Valor.

Real - a moeda mais longeva está de aniversário - Bernadete Alves
Fernando Henrique Cardoso

Os mais jovens talvez não consigam imaginar o que era a economia brasileira antes disso, com moedas que mudavam de tempos em tempos e um grande problema que precisava ser resolvido: a superinflação. A inflação é o pior imposto que existe, pois recai sobre os mais pobres e vem disfarçado de bonança artificial no começo.

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Senador Izalci Lucas

O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) nesta segunda-feira (1º), em Plenário, defendeu o programa econômico, que, para ele, tem uma importância histórica por ter conseguido estabilizar a economia brasileira, que estava sofrendo com as consequências de uma hiperinflação.

O parlamentar enumerou as três etapas de implantação do Plano Real:a primeira, com um ajuste fiscal nas contas públicas; a segunda, com a criação da Unidade Real de Valor (URV), que era uma moeda atrelada à cotação do dólar comercial; e a terceira fase, que foi o lançamento oficial de uma nova moeda, o Real, no dia 1º de julho de 1994. “A inflação era de 3.000%, 4.000%. As pessoas não têm noção do que isso representava na vida, principalmente, do assalariado”, relembrou o senador Izalci.

O senador tem razão em comemorar. O vigésimo-quinto aniversário do Plano Real representa uma das maiores conquistas do país, que mudou radicalmente o modo de vida dos brasileiros, instituiu a mais longeva das moedas e fez a inflação despencar de 916%, em 1994, para 22,14% no ano seguinte.

A hiperinflação que vigorou até 1994, e eu lembro muito bem,  provocava uma transferência perversa de renda da população mais pobre para a mais rica. Esse fenômeno tornava o aumento descontrolado dos preços o maior tributo sobre os cidadãos, que não conseguiam proteger o valor do salário. As pessoas corriam para consumir o necessário o mais rapidamente possível na tentativa de driblar os reajustes, que eram diários. Nos supermercados, os preços eram remarcados várias vezes ao dia.

Real - a moeda mais longeva está de aniversário - Bernadete Alves

Antes de domar a fera da hiperinflação, o Brasil passou por cinco tentativas frustradas de estabilização, com diferentes planos econômicos: Cruzado (1986), Bresser (1987), Verão (1989), Collor I (1990) e Collor II (1991). Desde a implantação  do Plano Real, a inflação nunca mais voltou a sair do controle. Pelos cálculos do economista Marcel Balassiano, da Fundação Getulio Vargas (FGV), a média anual de inflação entre 1996 e 2018 foi de 6,4%.

Nos 25 anos do Real, a estabilização monetária permitiu a inclusão de milhões de pessoas no mercado de consumo, a adoção de importantes ferramentas de gestão macroeconômica, a começar pelo sistema de metas de inflação e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), além do acúmulo de US$ 380 bilhões em reservas cambiais, que vacinaram o país contra choques externos. Também facilitou o desenvolvimento de programas sociais que, mesmo timidamente, permitiram a redução das desigualdades.

Real - a moeda mais longeva - plano - Bernadete Alves
Real – a moeda mais longeva completa 25 anos

Em 2019, a previsão é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atinja 3,6%. Será o terceiro ano seguido em que o indicador ficará abaixo da meta perseguida pelo Banco Central. Nos 12 meses até 1º de julho de 1994, quando a moeda começou a circular, a inflação somou incríveis 6.433%.

O desafio agora é conter o descontrole fiscal e retomar o crescimento.