Agronegócio segurou o PIB na pandemia diz ministra da Agricultura

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Agronegócio: a força da economia brasileira

A pandemia do novo coronavírus  impactou a vida de milhares de pessoas, e a economia  sofreu um tombo inédito de 10,94% no segundo trimestre. Segundo o Boletim Regional do Banco Central, não caiu mais porque o agronegócio continuou impulsionando a produção e as exportações do Brasil e, sobretudo, do Centro-Oeste.

A autoridade monetária explicou que a região Centro-Oeste sofreu menos por conta da grande participação do agronegócio, setor que não depende da concentração de pessoas e tem ampliado as exportações para a China. A região foi a que menos sofreu os impactos econômicos da pandemia, já que concentra a maior parte das grandes lavouras brasileiras. Segundo o documento a queda nas outras regiões foi maior. No Nordeste o baque foi de 8%, no Norte de 6,9%, no Sul de 6,8% e no Sudeste de 6,6%.

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Tereza Cristina, ministra da Agricultura

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em entrevista ao programa a Voz do Brasil, na sexta-feira (14/08), disse que o agronegócio brasileiro foi essencial para segurar a atividade econômica durante a pandemia do novo coronavírus, graças a uma safra recorde de grãos e aumento das exportações.

Tereza Cristina destacou o recorde de 2020 e o Plano Safra como elementos que fizeram o setor crescer nos últimos meses, enquanto o restante da economia sofria.”O agronegócio foi o motor da economia e conseguiu não deixar nosso PIB [Produto Interno Bruto] cair. Foi gerador de riquezas para o mercado interno, para as exportações e para o emprego. O agro brasileiro não deixou de empregar. Alguns setores até aumentaram o emprego durante este período difícil da pandemia”, ressaltou a ministra.

A ministra informou que as exportações do agronegócio cresceram 10% no primeiro semestre em relação aos seis primeiros meses de 2019, totalizando US$ 61 bilhões. “O Brasil é o celeiro do mundo. Alimentamos nossos 212 milhões de habitantes e exportamos para alimentar mais de 1 bilhão de pessoas no mundo.”

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Agronegócio segurou o PIB do Centro-Oeste na pandemia

Tereza Cristina disse que a abertura de novos mercados foi imprescindível para manter o crescimento das vendas externas e diversificar a pauta, reduzindo a dependência da soja e das carnes. Segundo ela, o Brasil passou a exportar alimentos para 51 novos mercados apenas em 2020, como resultado de negociações com parceiros comerciais. Desde 2019, 89 novos mercados foram abertos para o agronegócio brasileiro.

Segundo o Boletim do Banco Central, a produção de grãos do Centro-Oeste deve crescer 3,8% em 2020, atingindo o volume recorde de 115,8 milhões de toneladas, com destaque para a alta de 11,3% da safra de soja. Além disso, as exportações bovinas da região já aumentaram 19,7% em valor neste ano, “refletindo a valorização dos preços de proteína animal no mercado internacional ocorrida no final de 2019 e, posteriormente, a desvalorização cambial”. A região fechou o primeiro semestre, portanto, com um aumento de 10,9% nas exportações, sobretudo de soja, carne bovina, algodão e frango.

Em relação à safra de 2020/2021, que começa a ser plantada neste semestre, Tereza Cristina ressaltou que o Plano Safra do ano corrente destina R$ 236 bilhões em crédito subsidiado aos produtores rurais, e privilegia os pequenos e médios produtores, que tradicionalmente têm mais dificuldade de acesso ao crédito, assim como projetos de sustentabilidade e de tecnologia da informação no campo.

O Banco Central  reconhece que o Centro-Oeste não escapou da desaceleração das vendas do comércio e de serviços. Por isso, mesmo com o avanço do agronegócio, a região deve fechar o ano no negativo. A projeção do BC prevê queda de 1,7% da atividade econômica da região em 2020, frente retrações de 7,1% do Nordeste, 6,1% do Sul, 5,9% do Nordeste e 5,4% do Sudeste.

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Agronegócio segurou o PIB na pandemia

Os especialistas acreditam que o tombo do PIB do segundo trimestre deve ser menor do que o do IBC-Br, ficando mais próximo dos 9,5% do que dos 11%. E lembram que os dados setoriais do IBGE trouxeram surpresas ainda mais positivas sobre o nível de recuperação da economia brasileira em junho, com avanços de 8,9% da indústria, de 8% do comércio e de 5% dos serviços.