Final da Libertadores 2020 é 100% brasileira

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Depois de 15 anos o futebol brasileiro torna-se protagonista de uma final da Copa Libertadores. Os felizardos são dois clubes paulistas: Santos e Palmeiras. Esta é a primeira final entre times de um mesmo estado brasileiro e a primeira vez que os paulistas se enfrentam em uma decisão no Maracanã.

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Matías Viña, do Palmeiras, disputa bola com Kaio Jorge, do Santos FC, durante vigésima quarta rodada, do Campeonato Brasileiro

A final do maior torneio, disputado pela primeira vez em 1960, será no dia 30 deste mês, às 17 horas, no Maracanã, Rio de Janeiro. A Libertadores só teve três finais entre times do mesmo país até hoje. O Santos, do técnico Cuca, conquistou a vaga ao golear o Boca Juniors (Argentina), ontem à noite por 3 x 0.

“É muito gratificante entregar ao torcedor uma final de Libertadores. Isso não tem preço, tem valor. É nosso combustível: se entregar ao máximo para tirar o máximo deles e ver o resultado acontecer. É tão legal, não é sempre que acontece isso. A normalidade não é essa. A normalidade é clube em dia e investindo mais. Aqui foi o oposto. Temos que comemorar dobrado”,  declarou Cuca.

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Cuca, festejando a classificação do Santos para a final de Libertadores 2020, no dia 30

Ele agradeceu todo o elenco e dedicou a classificação ao Rei Pelé que falou com os jogadores antes do jogo, por videoconferência, motivando e desejando boa sorte. Cuca, também, parabenizou o futebol brasileiro. “A final é entre Santos e Palmeiras. Não é só a gente, é uma vitória do futebol brasileiro”.

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O venezuelano Yeferson Soteldo, comemora a goleada do Santos no Boca

O Palmeiras do técnico português Abel Ferreira, avançou para a final ao superar o River Plate (Argentina) no placar agregado. Ganhou o primeiro por 3 x 0 e neste último por 2 x 0.

“Neste segundo jogo, temos que ser humildes e reconhecer que o River foi superior. Parabéns aos meus jogadores. São verdadeiros guerreiros. Com todas as dificuldades, estamos em mais uma final a disputar. Essa foi uma das vitórias mais saborosas, disse Abel.

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Técnico Abel Ferreira e o jogador Rony, comemorando a classificação do Palmeiras para a final da Libertadores 2020

“Já tinha dito que era possível eles fazerem os três gols, com um treinador que está há cinco anos na equipe, ganhou duas vezes a Libertadores, com jogadores experientes e que veio sem nada a perder. E como gosto da psicologia, é um dos componentes que eu adoro, a intensidade do sentimento da perda é o dobro do lucro. O jogo de hoje era muito mental. Se na bola do Rony sai o gol, deitávamos por terra e matávamos o adversário. Era normal que reagissem”, falou o comandante alviverde.

Com pouco mais de dois meses à frente do Palmeiras, Abel conseguiu ser finalista da Copa do Brasil e da Libertadores e vivo no Brasileirão, o treinador de 42 anos tem grandes possibilidades de conquistar seu primeiro título na carreira.

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Goleiro Weverton e o técnico Abel Ferreira comemorando a classificação

Abel é 4º técnico europeu na decisão do torneio sul-americano. Desde 1960, apenas três técnicos europeus chegaram à final da Libertadores: o húngaro Béla Guttmann (vice com o Penãrol em 1962), o croata Mirko Jozic (campeão com o Colo-Colo-CHI em 1991) e o português Jorge Jesus (campeão com o Flamengo em 2019). Agora Abel  repete o feito dos argentinos Armando Renganeschi e Alfredo González, dois estrangeiros que levaram o Palmeiras à final da competição,  foram vices em 1961 e 1968, respectivamente.

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Final da Libertadores 2020 é 100% brasileira

A primeira vez de uma final brasileira foi em 2005, entre Athletico-PR e São Paulo. O tricolor paulista goleou o Furacão no Morumbi por 4 a 0, e assegurou o tricampeonato sul-americano. Em 2006 o São Paulo disputou a final com o Internacional. No primeiro jogo foi no Morumbi, com vitória colorada por 2 a 1, em grande atuação do atacante Rafael Sobis. O empate por 2 a 2 no Beira-Rio deu aos gaúchos o primeiro título da Libertadores. O 16 de agosto de 2006 ficou marcado no coração dos colorados.

Em 2007, a Conmebol determinou que não poderiam mais ocorrer finais entre clubes do mesmo país. Por isso, nas semifinais daquele mesmo ano, apesar de estarem em lados opostos do chaveamento, Santos e Grêmio tiveram que se enfrentar antes da decisão. Esta medida valeu até 2017.

Em 2018, o confronto valendo o título voltou a reunir dois times de uma mesma nação. Desta vez, os argentinos Boca e River. O jogo de ida, na Bombonera, terminou empatado em 2 a 2. Após um ataque de torcedores ao ônibus dos Xeneizes no caminho até o estádio Monumental de Nuñez, também em Buenos Aires, a partida de volta foi suspensa e levada para o Santiago Bernabeu, em Madri, na Espanha. Os Millionarios ganharam por 3 a 1 e ficaram com o título pela quarta vez.

O que vai acontecer no dia 30 ninguém pode prever. O que se sabe é que vamos acompanhar pela televisão um show de garra, vontade e estratégias dos técnicos  Abel Ferreira e Cuca. Além de estudar cada passo dos adversários eles também terão a missão de prever conflitos para manter o foco e disciplina em uma final importante para o futebol brasileiro.

Tanto o Verdão quanto o Peixe querem ser os Reis da América. O estádio Maracanã já deu sorte para os dois clubes paulistas.

O Peixe tem oito títulos no estádio carioca: quatro Campeonatos Brasileiros (1962, 1964, 1965 e 1968), três Torneios Rio-São Paulo (1963, 1964 e 1997) e o Mundial de 1963.

O Verdão ergueu duas taças no Maracanã: o Brasileiro de 1967 e a Copa Rio de 1951, competição que o clube pleiteia ser reconhecida como primeiro Mundial.

Que vença o futebol arte,sem faltas, sem desonestidade e com respeito ao adversário. Uma disputa que colabore para a construção da cidadania plena.