Raios e alagamentos: como se proteger durante tempestades

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Raios de Águas Claras sobre regiões de Taguatinga, Ceilândia e Samambaia em clique de Leo Caldas

Nestes primeiros dias do mês de fevereiro já choveu o previsto pelo Inmet para o mês todo. A chuvarada veio acompanhada de granizo, de ventos fortes, alagamentos, quedas de árvores e descarga de centenas e centenas de raios.

De acordo com o Instituto Nacional de Meterologia, a média de chuva esperada para fevereiro é de 183 milímetros, mas só no Plano Piloto choveu 178 milímetros em oito dias, o que equivale a 98% do esperado para o mês. No mesmo período de 2020, só tinha chovido 52% no Plano Piloto.

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Meteorologista Andrea Ramos, do Inmet

A meteorologista Andréa Ramos,diz que  essas condições de tempo estão associadas com à Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) que é o sistema meteorológico do verão no Brasil, responsável por um período prolongado de chuva frequente e volumosa sobre parte das Regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste.

A previsão é de mais chuva ao longo da semana, com trovoadas em áreas isoladas, com temperaturas variando de 17°C a 27°C e umidade entre 95% e 60%.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou a descarga de quase 12 mil raios no céu de Brasília, em um período de 24 horas. A exposição ao risco de um choque elétrico, já que 22% desses raios tocam o solo, é grande e requer atenção e cuidados.

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A meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Andréa Ramos explica que existem três tipos de descargas atmosféricas: as que se formam dentro das nuvens (relâmpagos), aquelas que partem do solo para atmosfera e no sentido inverso, das nuvens para o solo.”As mais perigosas são as descargas que tocam o solo.”

Com base nisso o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal e a Defesa Civil , orientam a população a se proteger e evitar acidentes em dias de temporais. A velha máxima de nunca se abrigar embaixo ou próximo a uma árvore é a principal delas. Por se tratar de uma superfície alta, principalmente em uma área de descampado, os arbustos – assim como os postes de energia – são atraentes como pontos de descargas elétricas, que se espalham e atingem quem estiver perto delas.

O comandante do Grupamento de Proteção Civil do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Sinfrônio Lopes, diz que em casos de temporais  as pessoas não devem se expor e se proteger em local seguro até tudo passar. O militar lembra que sombrinhas e guarda-chuvas não atraem raios, mas por estarem abertos sobre o corpo tornam-se as referências mais altas, dependendo do lugar, e podem acabar sendo o ponto de recepção da descarga elétrica.

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Raio emoldurado pelo Memorial JK

“O raio vai sempre procurar o objeto mais alto, daí, se não for você em uma área descampada, será outro ponto como uma árvore ou poste. Em edificações com para-raios, há mais segurança, mas onde não houver esse instrumento de proteção, o risco de um acidente fatal é muito grande”, alerta o tenente- coronel Sinfrônio Lopes.

A Defesa Civil tem um serviço gratuito de alertas.  Basta enviar um SMS para o número 40199 com o CEP da residência ou local de referência que precise acompanhar as previsões meteorológicas. Caso a Defesa Civil considere que há algum risco iminente para a região cadastrada, uma mensagem de alerta sobre o que pode ocorrer será disparada por meio do celular cadastrado.

Durante a tempestade a tendência dos raios é percorrer o caminho mais curto entre o solo e a nuvem onde foi produzido, por isso não é recomendado estar perto de árvores ou estruturas metálicas.

Quando estiver chovendo, a orientação é não entrar em piscinas ou lagos, por conta do risco de raios e descargas elétricas. Em rios e cachoeiras, o problema é agravado pela possibilidade de tromba d’água.

No caso de inundações, se começar a entrar água dentro de casa, a orientação é desligar o disjuntor para evitar o risco de eletrocussão. O religamento da rede só deve ocorrer depois que ela for revisada, para que não haja colapso no sistema.

Para proteger os eletrodomésticos em casa, a recomendação é desligá-los durante os temporais. Muitas vezes, porém, a chuva pode começar sem que você esteja em casa. Para isso, os chamados filtros de linha – popularmente conhecidos como “réguas” com tomadas e equipados com um fusível, varistores, capacitores e indutores, impedem a descarga de energia diretamente nos equipamentos.

Cuidados no Trânsito

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Alagamento do Setor de Autarquias Sul, Plano Piloto

O Departamento de Trânsito do DF (Detran),  diz que os cuidados devem ser redobrados durante todo o período chuvoso porque o óleo no asfalto e a sujeira deixam a via mais escorregadia. “Associados à chuva, esses materiais podem deixar as vias escorregadias, o que aumenta o risco de acidentes de trânsito. É muito importante estar atento às condições e à calibragem dos pneus”, alerta o diretor de educação de trânsito do órgão, Marcelo Granja.

Quando se é pego desprevenido dirigindo em um temporal. O ideal é parar o carro em um local e esperar a tempestade passar. Se isso não for possível, é preciso manter a distância segura do veículo da frente, para evitar colisões em freadas inesperadas. Trechos alagados não devem ser atravessados.

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Árvores tombadas durante temporal no Plano Piloto

Orientações aos motoristas

  • Faça revisão dos pneus, freios, limpadores e faróis do veículo.
  • Mantenha os pneus calibrados e evite frear quando cair em um buraco para diminuir o efeito do impacto.
  • Reduza a velocidade e mantenha maior distância do veículo da frente.
  • Mantenha distância mínima de um metro e meio dos ciclistas.
  • Para ter melhor visibilidade, use o ar-condicionado e o desembaçador elétrico traseiro ou abra um pouco os vidros para deixar o ar circular pelo carro.
  • Se seu carro não tiver ar-condicionado, separe uma flanela e deixe no interior do veículo, pois às vezes a chuva é tão intensa que fica inviável abrir os vidros.
  • Se houver pouca visibilidade em função de chuva ou neblina, pare e espere as condições do tempo melhorarem, caso possa fazer isso com segurança.
  • Evite freadas ou mudanças bruscas, pois o acúmulo de água na pista pode provocar a aquaplanagem – situação que ocorre quando os pneus perdem o contato com o asfalto.
  • Use faróis baixos e utilize sempre a luz de seta para indicar mudança de direção.
  • Trechos alagados não devem ser atravessados. Se o condutor não conseguir ver o meio-fio, que tem em torno de 25 centímetros de altura, o ideal é mudar de rota para não perder o veículo e nem arriscar a própria vida.
  • Em caso de enchente, abandone o veículo assim que o nível de água atingir o batente do carro, pois pode começar a boiar.
  • Pedestre: faça a travessia sempre na faixa ou nos semáforos. “Nunca se esqueça do sinal de vida antes de atravessar”, adverte o diretor de educação de trânsito do Detran.
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Para quem for surpreendido com a chuva a dica é:

  • Não segurar objetos metálicos longos, como varas de pesca e tripés.
  • Não empinar pipas ou aeromodelos com fio.
  • Não andar a cavalo.
  • Não permanecer na água.
  • Nunca se abrigar debaixo de árvores isoladas.
  • Não permanecer no alto de morros ou no topo de prédios.
  • Evitar lugares que ofereçam pouca ou nenhuma proteção contra raios, como pequenas construções (celeiros, tendas ou barracos) e veículos sem capota (tratores, motocicletas ou bicicletas).
  • Não permanecer em áreas abertas, como campos de futebol, quadras de tênis e estacionamentos.
  • Não se aproximar de cercas de arame, varais metálicos, linhas elétricas aéreas e trilhos.

Neste período chuvoso e de verão, as oscilações de dias ensolarados e chuvosos é constante aqui no Distrito Federal. Os riscos de trombas d’águas e quedas de raios e árvores aumentam, daí a importância de seguir as dicas dos órgãos de segurança.

Fotos: Leo Caldas/Arquivo Pessoal e Acácio Pinheiro/Agência Brasília