Estudo da UnB indica que vírus Zika ataca intestino

bernadetealves.com
Estudo da UnB indica que vírus Zika ataca intestino e pode causar modificações na microbiota intestinal

Estudo realizado por cientistas do Laboratório de Imunologia e Inflamação da Universidade de Brasília (Limi/UnB) identificou que o vírus Zika (ZIKV) pode atacar o intestino e causar modificações na microbiota intestinal, alterando a composição de bactérias que constituem o órgão. O vírus da Zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypt e muitos mistérios ainda rondam esse vírus.

O estudo, coordenado pela cientista Kelly Magalhães, publicado na revista Scientific Reports, também apontou o desencadeamento de intensa inflamação no local ocasionada pela doença.

bernadetealves.com
Cientista Kelly Magalhães, coordenadora do Laboratório de Imunologia e Inflamação da UnB (Limi)

A professora do Departamento de Biologia Celular da UnB e coordenadora do Limi, Kelly Magalhães, diz que o vírus Zika provoca uma modificação na composição das bactérias que vivem no intestino. “Ele causa um dano ao epitélio intestinal, uma intensa inflamação no intestino, e isso tudo em indivíduos adultos que têm a resposta imunológica normal”.

A pesquisa, identificou que a mudança da microbiota consequente da infecção pelo ZIKV pode causar danos no epitélio intestinal e um intenso recrutamento de leucócitos para a mucosa intestinal. A cientista ressalta ainda, a importância de uma alimentação saudável e o uso de probióticos, como uma possível forma de reverter os danos na microbiota intestinal causados pela infecção pelo ZIKV.

bernadetealves.com

Para a obtenção do resultado os cientistas analisaram a composição da microbiota intestinal de camundongos infectados com ZIKV. Os dados mostraram que a infecção pelo vírus desencadeou a diminuição significativa de bactérias pertencentes aos filos Actinobateria – que desempenham importante papel na regulação da atividade intestinal normal – e Firmicutes – que possui tanto gêneros com atividade imunomodulatória benéfica como espécies associadas à indução de inflamação. Por outro lado, também observou-se aumento em bactérias dos filos Deferribacteres – relacionadas ao balanço de ferro no intestino – e Spirochaetes – entre as quais, muitas têm ação patogênica –, em comparação aos camundongos não infectados.

  • bernadetealves.com
  • bernadetealves.com

O vírus ZIKV já é investigado em uma grande linha de pesquisa existente no laboratório, que analisa os danos cerebrais e neurológicos causados pelo agente. Os cientistas então juntaram o trabalho a um outro estudo, que analisa a microbiota intestinal em diferentes contextos, como o do câncer e o da obesidade.

Os integrantes do Limi/UnB querem agora entender qual o papel da microbiótica intestinal na infecção pelo Zika. A intenção é investigar, nos próximos estudos, se a utilização de antibióticos adotados para retirar a microbiota intestinal pode tornar a infecção pelo vírus zika mais severa ou mais branda nos indivíduos com sistema imunológico normal.

bernadetealves.com

A coordenadora do Limi, professora Kelly, diz que a equipe já recebeu propostas de institutos nos Estados Unidos e no Canadá, para colaborações na continuidade da investigação. “Vamos analisar essa microbiota intestinal, agora, numa infecção de indivíduos jovens, neonatos principalmente. Tentar correlacionar e verificar se a infecção pelo vírus modifica a microbiota intestinal desses recém-nascidos, e também verificar o papel da microbiota na infecção com uso de antibióticos”, diz  Kelly Magalhães.

Fotos: Limi/UnB e Secom/UnB