Professor Luis Humberto, fundador da UnB, morre aos 86 anos

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Professor e fotógrafo Luis Humberto Martins

Brasília perdeu um dos principais nomes do fotojornalismo brasileiro. O professor Luis Humberto Miranda Martins Pereira, um dos fundadores da Universidade de Brasília, faleceu na madrugada do dia 12 aos 86 anos.Luis Humberto estava internado no Hospital DF-Star desde dezembro em decorrência de complicações geradas por um linfoma no sistema nervoso central.

O arquiteto formado na Universidade do Brasil e carioca por nascimento, chegou em Brasília na década de 1961, com a então mulher Eloá, que vinha transferida da Câmara dos Deputados no Rio de Janeiro e ele era funcionário do Ministério da Educação e foi trabalhar nos projetos de construção do campus da futura UnB e posteriormente como professor de arquitetura e urbanismo Foi na imensidão do cerrado que Luis Humberto se encantou pela fotografia.

Em 1965, o professor da Universidade de Brasília, pediu demissão com outros 223 docentes que discordavam da administração linha dura do então reitor Laerte Ramos de Carvalho. A ditadura se instalava com força e Luis Humberto foi trabalhar como fotojornalista para veículos como Veja, Visão, Realidade, IstoÉ e Jornal do Brasil.

Suas fotografias revelavam as entranhas do poder autoritário durante a ditadura. Com olhar crítico e sem usar flash, sempre com duas câmeras penduradas no pescoço, o fotógrafo Luis Humberto produziu um dos maiores arquivos sobre o teatro do poder naquela época sombria.

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Professor Luis Humberto Martins, fundador do movimento de fotografia na Capital

“Fotografia, pra mim, é um negócio glorioso, porque eu me encontrei. Foi uma paixão maior que a arquitetura. A fotografia combina mais comigo do que arquitetura. Arquitetura, o cara entra, te pede um projeto, você vai conversar com ele para saber o que ele quer, aí você faz uma coisa ele acha ruim sempre, e isso não acaba até construir a casa. Todos os empecilhos tirados, são mais de dois anos. Não tenho dois anos para perder com uma casa”, contou o fotógrafo, em 2017, em entrevista para o Correio Braziliense e a TV Brasília.

O fundador do movimento de fotografia na capital do país era amigo de Athos Bulcão e do fotojornalista francês Henri Cartier-Bresson. Em 1980 Luis Humberto deixou as redações de renomados veículos de imprensa para retornar a UnB. O professor da Faculdade de Comunicação formou várias gerações e se tornou referência no ensino da fotografia.

O pesquisador da imagem, Luis Humberto, deixa um legado que transformou a cidade monumental em patrimônio da humanidade. Esta riqueza pode ser conferida nos livros “Fotografia: Universos & arrabaldes (1983)” e “Brasília, Sonho do Império, Capital da República (1981)”. Em 2007, ele publicou ainda “Do Lado de Dentro de Minha Porta, do Lado de Fora de Minha Janela”, que também foi transformado em exposição. O pensador ensinou uma geração a enxergar melhor o mundo.

Luis Humberto acompanhou os bastidores da política em Brasília, desde a ditadura militar. Os ângulos inusitados, que o fotógrafo captava das autoridades em momentos de vulnerabilidade foram nomeados como “liturgia de poder”(1964-1985). Além de ajudar a fundar a Universidade de Brasília, ele também ajudou a criar o Instituto de Artes de Brasília (IDA/UnB).

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Professor Luis Humberto Martins, criador do Instituto de Artes da UnB

Apaixonado pela riqueza do cerrado, Luis Humberto mesmo com dificuldade de locomoção e com idade avançada,  registrou com maestria a flora do Cerrado e lindas paisagens. Em 2018/2019 o genial Luis Humberto premiou os brasilienses com a exposição “A reforma do olhar possível”, no Museu da República. Suas 45 obras encantaram as novas gerações e nos fizeram viajar pelo tempo.

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Fotógrafo Luis Humberto em sua exposição “A Reforma do Olhar Possível”, no Museu Nacional de Brasília

Em 2019, foi homenageado com o curta-metragem documental  “Luis Humberto: o olhar possível”, que integrou a programação do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Nossos sentimentos aos filhos, netos, colegas fotógrafos, amigos e alunos do mestre Luis Humberto Martins. O homem parte mas suas lições serão repassadas para muitas gerações.

O genial ser humano permanecerá vivo no coração dos brasilienses. Siga em paz, grande e respeitado mestre!.

Fotos: Arquivo/Pessoal e Marília Marques/G1