Dia da Mulher: conquistas que precisam ser valorizadas

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Brigadeiro médica Carla Lyrio Martins, pioneira da Força Aérea Brasileira

A palavra MULHER evoca imagens de amor altruísta, cuidado, força transformadora e afeto. O dia 8 de março comemora o papel inspirador das mulheres em todo o mundo para garantir direitos e construir uma sociedade mais equitativa. Este dia também é para expressar amor e gratidão pelas nossas raízes. Vamos honrar nossas mães e avós e principalmente a Virgem Maria, mãe de Jesus.

“Eu sou aquela mulher a quem o tempo muito ensinou. Ensinou a amar a vida, Não desistir da luta, Recomeçar na derrota, Renunciar a palavras e pensamentos negativos, Acreditar em valores humanos e Ser otimista”. Nas palavras de Cora Coralina minha homenagem a todas as guerreiras da existência.

Tenho orgulho das nossas antepassadas que percorreram um caminho árduo pela independência, mesmo diante das injustiças e preconceitos. Que souberam ouvir, compreender e respeitar para construir um mundo mais solidário e responsável de se viver.

Não estamos mais sozinhas, estamos unidas numa luta diária para que nossa voz tenha eco na transformação de uma sociedade mais igualitária, empática e de respeito ao próximo. Vamos celebrar o nosso valor e a capacidade de desempenharmos vários papeis ao mesmo tempo.

Aplaudo a mulher, mãe e doadora de amor, empatia e de solidariedade da pessoa que me tornei. Sou uma viajante solo das minhas descobertas e luto pelo que acho que vale a pena, e quando tropeço, recomeço com mais força.

Na vida, nada é fácil, nada vem de graça, nada é como imaginamos. Mas se não lutarmos pelo que realmente queremos, o que não é fácil se torna impossível. O lugar da mulher é onde ela quiser embora nem sempre o lugar destinado a ela é o lugar que gostaria ocupar.

Uma das maiores dificuldades é ocupar espaços em lugares predominantemente masculinos como no esporte, na política, nas Forças Armadas, por exemplo. As mulheres estão no desabrochar da vida e das descobertas. Estes avanços são reflexo do mundo globalizado. Como é gratificante ver mulheres brilhando em postos de decisão.

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Deputada Federal Jôenia Wapichana com o advogado Luís Eloy Terena, durante Grande Assembleia Terena, no Mato Grosso do Sul

A nossa maior luta neste 2021 é pelo fim da desigualdade, da intolerância, por saúde e vida digna.Vamos, então,  lutar por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres. Que a palavra respeito oriente todas as relações humanas.

Nossa homenagem as mulheres virtuosas e inspiradoras:

  • Brigadeiro médica Carla Lyrio Martins
  • Jogadora Marta
  • Deputada Federal Joênia Wapichana

Carla Lyrio Martins, oficial-general da FAB

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Brigadeiro médica Carla Lyrio Martins, pioneira da Força Aérea Brasileira

A Brigadeiro médica Carla Lyrio Martins, de 55 anos, comanda atualmente  1,1 mil funcionários no hospital da Força Aérea, no Rio de Janeiro. “É muita responsabilidade. Me sinto servindo de inspiração e de exemplo. Com coragem, vontade e preparo é possível chegar a qualquer lugar.”

A militar é especialista em medicina aeroespacial, em hematologia e hemoterapia, e possui ainda pós-graduação em vigilância sanitária e epidemiológica.

A Brigadeiro médica Carla Lyrio, tem mais de três décadas à serviço do Brasil. Ela faz parte da primeira turma em que homens e mulheres concorreram em igualdade na Força Aérea Brasileira, em março de 1990. “Relembrar o passado nos motiva a caminhar para frente, mas ainda tem muito a ser conquistado”.

“As mulheres sabem muito bem trabalhar em equipe. A habilidade feminina de saber delegar tarefas, o aspecto de conseguir ter uma visão ampla e de se desdobrar em inúmeras atividades, ajudaram”, explica a médica Carla Lyrio Martins.

O saber escutar faz parte da liderança legítima. Assim como carregar a humanidade da mulher, a sensibilidade maior para questões e escuta da vida. Isso me facilitou muito a construir bons caminhos”, diz a Brigadeiro médica.

A FAB, fundada em  1941, passou a admitir mulheres somente em 1982. Menos de uma década depois, as portas da instituição se abriram para a oficial Carla. Ela é da primeira turma mista de militares.

“Percebo que as mulheres vêm mostrando por meio da qualidade de trabalho, a importância na vida social, política, econômica e militar. Isso contribui para fazer um país melhor”, conclui a médica Carla Lyrio.

Marta, a rainha do Futebol

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A brasileira Marta, a melhor do mundo no futebol

A Meia-atacante de 35 anos, é  a maior vencedora da história do prêmio de melhor jogadora do planeta. A brasileira levantou o prêmio da Fifa em seis oportunidades (2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2018), mesma marca de Lionel Messi no masculino. Além disso, a camisa 10 é a maior artilheira de todos os Mundiais (independente do gênero), com 17 gols, e também a recordista de bolas nas redes pela seleção canarinho. Desde 2017, a alagoana defende o Orlando Pride, dos Estados Unidos.

“Feliz Dia Internacional da Mulher! Como Embaixadora da Mulher Global da ONU, essa data é importante para mim porque é uma grande oportunidade para lembrar homens e mulheres sobre a importância de dar igualdade de condições a meninas e mulheres para que possam executar seus direitos e desenvolver todo o seu potencial”, afirmou Marta

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Marta, Embaixadora da Mulher Global da ONU

Ao contrário do futebol masculino, que tem competições bem organizadas desde a segunda metade do século 19, a versão feminina da modalidade ainda é um fenômeno  recente.  Os torneios e premiações mais importantes do futebol feminino só começaram a ganhar forma há algumas poucas décadas.

Marta, a rainha do futebol mundial

A primeira Copa do Mundo feminina organizada pela Fifa só saiu do papel em 1991. Nos Jogos Olímpicos, a modalidade estreou cinco anos mais tarde, em Atlanta-1996. E apenas em 2001 a entidade que gerencia o futebol passou a entregar troféus para as jogadoras que mais se destacavam em campo.

Joênia Wapichana, sinônimo de resistência

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Deputada Federal Jôenia Wapichana

Joênia Batista de Carvalho, mais conhecida como Joênia Wapichana, é advogada, formada pela Universidade Federal de Roraima -Boa Vista , em 1997 e mestre em Direito Internacional pela Universidade do Arizona , em  2011. Ela é a primeira indígena a se formar em direito no Brasil.

No Supremo Tribunal Federal (STF), Joênia Wapichana  também protagonizou um marco ao ser a primeira advogada indígena da história a realizar uma sustentação oral durante o julgamento que definiu a demarcação da TI Raposa Serra do Sol (RR). “Direito não se negocia, se aplica”, defende Wapichana.

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Advogada e ativista Jôenia Wapichana, no STF

A ativista brasileira Joênia Wapichana recebeu da Assembleia Geral da ONU o Prêmio de Direitos Humanos das Nações Unidas 2018.

O pioneirismo continuou em 2019 ao ser a primeira mulher indígena a ter assento no Parlamento brasileiro, como deputada federal pelo estado de Roraima, pelo partido Rede Sustentabilidade.

Autora do livro “Povos indígenas e a lei dos “brancos”: o direito à diferença. A deputada Joênia Wapichana é a presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Povos Indígenas.

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Deputada Federal Jôenia Wapichana

Tem como bandeira na Câmara dos Deputados,  o desenvolvimento sustentável, o fortalecimento do SUS, direitos coletivos dos indígenas, respeito ao meio ambiente, transparência, ética e combate à corrupção.

Fotos: Divulgação, Sargento Johnson Barros / CECOMSAER-FAB, Thiago Miotto/MNI e Leonardo Milano/Mídia Ninja