Famosos se mobilizam contra crimes de ódio

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Famosos aderem ao Movimento Stop Asian Hate

Uma onda de ignorância, desinformação e preconceito está por trás de crimes de ódio contra pessoas de origem asiática, registrados em vários países e que se acentuou durante a pandemia do novo coronavírus.

Dada a gravidade do racismo e xenofobia, que não atinge somente os asiáticos como todos os seus descendentes espalhados pelo mundo, famosos de vários continentes, estão se mobilizando para protestar contra esses casos no movimento ‘Stop Asian Hate’. A luta está bombando nas redes sociais e conquistando cada vez mais aliados.

O movimento Stop Asian Hate pede pelo fim de ataques racistas e xenofóbicos direcionados à comunidade asiática nos Estados Unidos e nas Ilhas Pacíficas. Desde o começo da quarentena imposta pela disseminação do vírus Sars-Cov-2 em março de 2020, a comunidade asiática tem sofrido represálias em vários locais no mundo.

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Sandra Oh pede o fim de ataques racistas e xenofóbicos direcionados à comunidade asiática

Nas últimas semanas, artistas como a estrela da série Killing Eve Sandra Oh estão se posicionando contra o “asian hate”, que significa “ódio asiático” em inglês. Protestos foram realizados em algumas cidades dos Estados Unidos após o aumento no país de casos de violência, racismo e xenofobia contra pessoas com ascendência asiática por causa da pandemia da Covid-19.

O aumento do preconceito e do ódio pode ser atribuído à disseminação de fake news, que circulam desde o começo da pandemia, de que asiáticos carregariam o vírus e seriam os únicos responsáveis pela doença originada na China.

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Famosos aderem ao movimento pelo fim aos ataques de ódio


Daniel Dae Kim, astro de Lost (2004-2010) e Hawaii Five-0 (2010-2020), tem sido uma das vozes mais ativas ao cobrar a Justiça dos Estados Unidos por atitudes. Recentemente, o artista discursou para legisladores no Subcomitê Judiciário da Câmara para que aprovassem um projeto de lei de combate ao ódio contra asiáticos.

Kim não escondeu sua frustração após 164 membros republicanos do Congresso Nacional votarem contra o projeto. “São vários os momentos da história de um país que marcam seu curso de maneira indelével para o futuro. Para os asiático-americanos, esse momento é agora”, começou o ator nascido na Coreia do Sul.

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Daniel Dae Kim, astro de Lost e Hawaii Five-0, adere ao movimento Stop Asian Hate. (Photo by Taylor Jewell/Invision/AP)

“O que acontecer agora e ao longo dos próximos meses enviará uma mensagem para as gerações vindouras sobre se somos importantes, se o país que chamamos de lar escolhe nos apagar ou nos incluir, nos dispensar ou nos respeitar,nos invisibilizar ou nos enxergar. Porque vocês podem nos considerar estatisticamente insignificantes agora, mas um fato que não tem alternativa é que somos o grupo racial que mais cresce no país. Somos 23 milhões de pessoas. Estamos unidos e estamos acordando”,concluiu Daniel Dae Kim.

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Famosos se mobilizam contra crimes de ódio

O grupo k-pop BTS, da Coreia do Sul, se junta às celebridades que usaram suas plataformas para falar sobre o movimento ‘Stop Asian Hate’, que combate o racismo, e foi ainda mais acentuado pelo tiroteio em Atlanta, nos Estados Unidos, em fevereiro, que deixou 8 mortos, incluindo 6 mulheres de ascendência asiática. Em 2020 o BTS liderou um movimento para combater a violência contra os negros nos Estados Unidos. O grupo doou 1 milhão de dólares para o Black Lives Matter e convocou os fãs a fazerem o mesmo. O valor foi duplicado.

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Famosos se mobilizam contra crimes de ódio

No dia 30 de março deste ano, o grupo coreano usou o Twitter para falar sobre a onda de discriminação contra asiáticos durante a pandemia de Covid-19. O BTS já foi alvo de diversos comentários racistas ao longo da carreira, que começou em 2013. Em fevereiro deste ano, um locutor de rádio da Alemanha causou revolta nas redes sociais ao associar os integrantes do grupo com o coronavírus. Ele definiu os cantores como “algum vírus de baixa qualidade que, esperançosamente, também haverá uma vacina”. Depois, a emissora de rádio pediu desculpas pela fala racista de seu locutor.

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Astros do k-pop BTS, da Coreia do Sul, pedem pelo fim de ataques racistas e xenofóbicos direcionados à comunidade asiática nos Estados Unidos

Sobre o movimento ‘Stop Asian Hate’, o grupo declarou em nota: “Enviamos nossas mais profundas condolências àqueles que perderam seus entes queridos. Sentimos tristeza e raiva. Nós nos lembramos de momentos em que enfrentamos discriminação como asiáticos. Já suportamos palavrões sem motivo e fomos ridicularizados por nossa aparência. Até nos perguntaram por que os asiáticos falavam em inglês. Não podemos colocar em palavras a dor de nos tornarmos objeto de ódio e violência por tal motivo. Nossas próprias experiências são incongruentes em comparação com os eventos que ocorreram nas últimas semanas. Mas essas experiências foram suficientes para nos fazer sentir impotentes e destruir nossa autoestima”, continua o comunicado.


“O que está acontecendo agora não pode ser dissociado de nossa identidade como asiáticos. Demorou muito para discutirmos isso com cuidado e refletirmos profundamente sobre como devemos expressar nossa mensagem, mas o que queremos transmitir é claro: somos contra a discriminação racial e condenamos a violência”, encerra o texto do k-pop BTS.


Protagonista de Killing Eve, Sandra Oh compareceu a um protesto pedindo o fim do racismo contra asiáticos e seus descendentes no dia 20 de março, na cidade de Pittsburgh, na Pensilvânia (EUA). Após fazer um discurso, ela se juntou à multidão com gritos de “orgulho de ser asiática”.

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Atriz Sandra Oh, apoiando ações pelo fim do racismo, da xenofobia e da violência contra pessoas asiáticas

“Estou muito feliz e orgulhosa por estar aqui com vocês. Obrigado a todos os organizadores por nos dar a oportunidade de estarmos juntos. Para muitos de nós em nossa comunidade, essa é a primeira vez em que podemos dar voz ao nosso medo e nossa raiva, e estou realmente grata a todos que estão ouvindo”, afirmou a atriz Sandra Oh.


Artistas como Chrissy Teigen, Arden Cho, Zara Larsson, Awkwafina, Tzi Ma, Lucy Liu e Gemma Chen também têm protestado contra o racismo, a xenofobia e a violência contra pessoas asiáticas.

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Famosos se mobilizam contra crimes de ódio e pedem o fim de ataques racistas e xenofóbicos direcionados à comunidade asiática nos Estados Unidos

No Reino Unido, no começo de março deste ano, um professor chinês de 37 anos foi espancado por quatro homens brancos que o xingaram de “vírus chinês”. Peng Wang, que dá aulas de Administração Financeira na Universidade de Southampton, foi agredido em plena luz do dia enquanto praticava corrida perto de sua casa. De acordo com dados publicados pela Stop AAPI Hate, quase 4 mil casos de “ódio asiático” foram registrados só entre março de 2020 e fevereiro de 2021.

Nas redes sociais, o movimento #StopAsianHate também tem gerado repercussão aqui no Brasil. A atriz Ana Hikari, estrela de Malhação – Viva a Diferença, e As Five (2017) tem postado vários conteúdos na internet mostrando a relação dos crimes de ódio com o Brasil. Ela é filha de pai negro e mãe japonesa, relatou caso de injúria racial que teria sofrido durante o Carnaval. “Eu não sou um vírus”, desabafou.

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Atriz brasileira Ana Hikari, adere ao movimento Stop Asian Hate


“Agressões são frutos de uma lógica racista que impõe que certas pessoas, pelo simples fato delas não serem brancas, são inferiores. Isso afeta muitas pessoas negras, mas a gente precisa entender que isso afeta tamb[em outros grupos étnicos, de maneira diferente. Mas afeta”,postou Ana Hikari.

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Famosos aderem ao Movimento Stop Asian Hate

Infelizmente milhares de pessoas usam do anonimato para espalhar mentiras e difamar pessoas de diferentes etnias. Mascarar o racismo e xenofobia da fala citada nas redes sociais é no mínimo uso de má fé.

Repudiamos qualquer forma de racismo ou preconceito. Precisamos de mais respeito e empatia com o próximo.