Brasil perde Eva Wilma, um dos principais nomes da dramaturgia

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Eva Wilma, um dos principais nomes da dramaturgia brasileira


O Brasil perdeu Eva Wilma, uma estrela de primeira grandeza, em todos os sentidos. Eva era uma das artistas mais talentosas que dignificou a profissão e dedicou sua vida à arte.


A atriz Eva Wilm faleceu na noite de sábado, 15 de maio, aos 87 anos, vítima de um câncer de ovário. Ela estava internada desde 15 de abril no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, para tratamento de problemas cardíacos e renais, em maio, a atriz teve descoberto um câncer de ovário disseminado que levou a insuficiência respiratória e a morte.


Eva Wilma foi casada com os atores John Herbert e Carlos Zara, já falecidos, e deixou dois filhos, Vivien Buckup e John Herbert Buckup Jr, e cinco netos.


Wilma foi bailarina clássica na juventude e teve passagens marcantes no teatro, no cinema e na televisão até se tornar um dos principais nomes da dramaturgia. A atriz encantou o público com interpretações inesquecíveis. Uma mulher forte, que construiu uma história de conquistas e que lutou pela liberdade e justiça.

A atriz dizia que as cicatrizes da vida são lições e nos fazia refletir sobre o cotidiano e sobre nós mesmos. Mostrava os atalhos para a gente caminhar rumo a construção de uma existência melhor.


Eva Wilma Riefle Buckup Zarattini nasceu em São Paulo, em 1933, filha de um metalúrgico alemão e uma portenha judia. No início da década de 1950, após chamar a atenção como bailarina clássica, 19 anos, no Ballet do IV Centenário de São Paulo, abandonou a dança pouco depois, quando recebeu convites para ir para o cinema.

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Eva Wilma, na novela Indomada em 1977

Wilma estreou como figurante em filmes italianos e fez dois filmes com o diretor Armando Couto e o ator Procópio Ferreira, “O Homem dos Papagaios” e “A Sogra”. Ao longo da carreira, trabalhou com diretores como Walter Hugo Khouri (“A ilha”), Luiz Sérgio Person (“São Paulo S.A”) e Roberto Farias (“A cidade ameaçada”).


Na TV, a atriz estreou na Tupi, em 1953, no seriado “Namorados de São Paulo” depois rebatizado para “Alô, doçura”, da TV Tupi. O seriado feito ao vivo, ficou dez anos no ar, e a atriz dividia espaço na atração com John Herbert, com quem se casou em 1955. Eva e John se separaram em 1976. Juntos, tiveram dois filhos, Vivien e John Herbert, conhecido profissionalmente como Johnnie Beat.


Nos anos 1970, Wilma se tornou uma das principais estrelas da TV brasileira e se separou de John Herbert. Wilma fez sucesso atuando ao lado do ator Carlos Zara em diversos programas, muitas vezes como par romântico. A cumplicidade artística os uniu e a atriz se casou com Carlos Zara, que morreu em 2002.

Eva estrelou dezenas de novelas como “Meu Pé de Laranja Lima” (1971) e a primeira versão de “Mulheres de Areia” (1973), de Ivani Ribeiro, e papeis em novelas como “A viagem”, “O direito de nascer” e “Selva de pedra”. Na década de 1990, fez sucesso como Altiva, com seu sotaque nordestino e misturado com inglês na fictícia Greenville. Eva também deu vida à vilã Altiva, de “A Indomada”, que rendeu vários prêmios para a atriz.

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Eva Wilma (sentada) em cena da novela ‘Mulheres de Areia’, com Carlos Zara


“Pedra sobre Pedra” (1992), em “Queridinha Mamãe” (1994), recebeu os troféus dos prêmios Molière, Shell e Sharp. Depois participou do “O Rei do Gado” (1996) e “Começar de Novo” (2004) foram outras obras que tiveram a participação de Eva Wilma.


Seu último trabalho para a TV foi em 2015, em “Verdades Secretas”, na qual interpretou Dona Fábia, uma alcoólatra, amargurada e aproveitadora, que extorquia o filho Anthony (Reinaldo Gianechini). Eva também foi premiada pelo projeto.


Além da dança e da atuação, Eva sempre foi muito conectada às artes, tendo aulas de canto, piano e violão com Inezita Barroso. “A música fez parte da minha formação escolar e familiar. Meus pais eram muito musicais. Em casa, gostávamos de nos revezar no piano”, declarou Eva em entrevista ao G1 em 2017.


Em 2017, Eva ainda participou do show “Crise, que crise?”, idealizado por seu filho. Nele, a atriz soltava a voz, retomando o que já havia feito no musical “Oh! Que Delícia de Guerra”, nos anos 1970.


Em janeiro de 2020, ela foi a grande homenageada do Prêmio Cesgranrio de Teatro, no Copacabana Palace, no Rio. E, no discurso de agradecimento, falou sobre a importância do trabalho dos atores. “Amo o ator por se emprestar inteiro para expor os aleijões da alma humana com a única finalidade de que o público se compreenda, se fortaleça e caminhe no rumo de um mundo melhor a ser construído pela harmonia e pelo amor”.


Engajada politicamente, ela militou contra a ditadura militar e participou da histórica Marcha dos Cem Mil em 1968. Na novela “Roda de fogo”, fez o papel da ex-militante Maura, torturada durante a ditadura. Após um período ausente, voltou às novelas com “Fina Estampa”, de 2011. Também fez aparições no seriado “A grande família” em 2014.

Vá em paz fenomenal Eva Wilma, em sua nova jornada.


Fotos: Acervo Grupo Globo e Divulgação