Cientistas da UnB integram seleto grupo da Academia Mundial de Ciências


A Universidade de Brasília, administrada por Márcia Abrahão, possui em seus quadros mulheres diferenciadas em trajetórias distintas que são referência em organização de renome global e que inspiram as novas gerações.

As professoras e pesquisadoras Mercedes Bustamante, Keti Tenenblat e Jaqueline Godoy Mesquita, representam a Universidade de Brasília na Academia Mundial de Ciências (TWAS),que congrega cientistas de diversas áreas.


Estar em uma instituição mundial e figurar entre pesquisadores de todo o mundo certamente é um orgulho para a Comunidade Acadêmica e para a Capital do país. As professoras e cientistas da UnB integram o percentual de 13% destinado às mulheres reconhecidas por seus trabalhos acadêmicos dentre os 1.267 pesquisadores.

Dar aulas, orientar alunos, publicar, participar de eventos científicos e estudar são algumas das práticas comuns entre as professoras universitárias. Mas as três vão além: têm amor à Ciência. A dedicação exclusiva, rotina dinâmica e muito trabalho nunca assustou as pesquisadoras. Muito pelo contrário. Elas amam o que fazem e sentem prazer em compartilhar os conhecimentos.


A professora Emérita da UnB, Keti Tenenblat (MAT), é especialista em geometria diferencial e é membro titular da academia desde 2006. “É uma grande honra estar entre pesquisadores reconhecidos mundialmente. Isso contribui para aumentar a percepção internacional do alto nível da pesquisa em Matemática realizada no Brasil”, destaca Keti Tenenblat.

A professora Mercedes Maria da Cunha Bustamante (IB), membro titular da Academia, tem forte atuação em assuntos de meio ambiente. A pesquisadora é referência em bioma do Cerrado e está entre os 18 pesquisadores mais mencionados em 2020 em trabalhos científicos no mundo, do portal Web of Science, que computa referências científicas ao redor do mundo. “É o reconhecimento de um esforço coletivo, que envolve vários colegas docentes e, sobretudo, discentes, da pós-graduação. É significativo também considerando a participação de universidades de países em desenvolvimento”, diz a cientista Bustamante.

A professora Jaqueline Mesquita (MAT), jovem membro afiliada passou a integrar a TWAS em 2018, foi escolhida entre cinco representantes de toda a América Latina e Caribe. “O contato com pesquisadores de diversas áreas traz uma grande motivação para continuar o trabalho que vem sendo feito na UnB. A ciência também é um espaço para as mulheres e cada vez mais precisa delas”.

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Mercedes Bustamante, durante audiência interativa para discutir políticas ambientais na Comissão Senado do Futuro Foto: Roque de Sá/Agência Senado

A atuação da Dra. Mercedes vai além da universidade. Ela compartilha com a sociedade todo o conhecimento científico. “Uma angústia na minha área é que, apesar de toda informação gerada, ainda é difícil mudar determinados processos que poderiam resultar em melhores condições de meio ambiente”.

“A gente se depara ainda com a chamada exclusão participativa. A mulher até participa, mas tem as opiniões menos valorizadas”, diz a bióloga Mercedes Bustamante, dona de um currículo de peso e forte atuação na área de ecologia.


Sobre o cenário de mudanças climáticas, desmatamento e perda da biodiversidade, a preocupação da bióloga tem se voltado para o diálogo com tomadores de decisão e público em geral. “É preciso explicar e traduzir os resultados das produções científicas para secretários de governo, gestores de organizações, associações, pequenos produtores, quilombolas. Mostrar como o problema afeta a vida deles e as consequências para as futuras gerações”.


No final de abril deste ano
, a professora do Instituto de Ciências Biológicas (IB) da Universidade de Brasília, Mercedes Bustamante, foi eleita membro da Academia de Ciências dos Estados Unidos (US National Academy of Sciences – NAS). “A eleição foi uma surpresa, mas veio em um momento em que esse estímulo é muito necessário. Abre a possibilidade de ampliar a cooperação científica internacional e contribuir para debates importantes de política científica, relevantes para nossas instituições”. A docente já integra o seleto grupo da Academia Mundial de Ciências desde 2018 e é membro da Academia Brasileira de Ciências desde 2014.


“Num momento tão crítico para nossa ciência e nossas universidades públicas, é um sinal da qualidade da pesquisa feita no Brasil e que reforça porque é preciso garantir seu fomento. Sem um apoio continuado e estável, é muito difícil construir linhas de pesquisa com foco em estudos de longa duração. Tais estudos são essenciais quando avaliamos mudanças ambientais”, declara a professora Bustamante, a nova integrante da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NAS).

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Keti Tenenblat, professora Emérita da UnB e escritora

A professora Emérita da UnB, Keti Tenenblat, afirma que sua área de pesquisa, a matemática, se aplica a diversos outros campos do conhecimento. “A matemática é uma linguagem concisa, rigorosa e universal. O nosso cotidiano é impregnado de matemática e estatística”.


Como ciência de base, a matemática é fundamental para várias demandas do cotidiano, seja nas contas do lar ou por trás de múltiplos sistemas tecnológicos.“A interação entre geometria diferencial e equações diferenciais tem sido estudada desde o século XIX, especialmente a correspondência entre certas propriedades geométricas e equações diferenciais associadas.”


Keti Tenenblat, com vasta experiência no fazer científico, lembra do tempo em que as mulheres não eram aceitas no meio e só tiveram autorização do governo brasileiro para estudar em instituições de ensino superior na segunda metade do século XIX.


“A própria sociedade criticava aquelas que optavam por uma carreira. Portanto, as mulheres no Brasil e na grande maioria dos outros países passaram a contribuir para o desenvolvimento das diversas áreas do conhecimento apenas nos últimos 150 anos”
, diz Keti Tenenblat. Ela acredita que a desigualdade entre gêneros irá diminuir com o tempo, até alcançar um maior equilíbrio.

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Pesquisadora Jaqueline Mesquita, professora da UnB

Com foco em equações diferenciais, mas de um prisma mais puro e teórico, Jaqueline Godoy Mesquita, também atua no Departamento de Matemática e considera a docência uma das atividades mais prazerosas da carreira. “Busco sempre trazer algum estímulo para os estudantes continuarem a se interessar, mostrando oportunidades e iniciativas oferecidas pela Universidade”.


Para ela a Universidade de Brasília é pioneira na inclusão e acolhimento de demandas de gênero. “Sempre há iniciativas no mês dedicado às mulheres, como o primeiro seminário Mulheres na Ciência, promovido em 2018. Identificamos muitas pesquisas sobre a temática com abordagens bem interessantes”.


Pós-doutora em matemática, professora e bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jaqueline Godoy Mesquita foi a vencedora do prêmio “Para Mulheres na Ciência” na categoria matemática em 2019. A iniciativa reconhece anualmente o trabalho de pesquisadoras nas áreas de ciências da vida, matemática, física e química.

“Enfrentei vários desafios pelo fato de ser mulher em uma área majoritariamente masculina. A falta de representatividade e a sensação de não pertencimento foram dois fatores que pesaram bastante durante toda minha trajetória”, declara a pesquisadora. “Tento conciliar as diferentes demandas e acompanhar meus orientandos na iniciação científica, no mestrado ou doutorado”, menciona Jaqueline Mesquita, com pós-doutorado na Alemanha.


É Brasília no radar da Ciência.

Fotos e informações: Júlio Minasi e Audrey Luiza/Secom/UnB e Comissão Senado do Futuro