Lya Luft, a ‘Dama das Letras’ deixa o Brasil de luto

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Escritora gaúcha Lya Luft, a Dama das Letras


É com pesar que registro o falecimento da renomada escritora e professora Lya Fett Luft, aos 83 anos, na madrugada desta quinta-feira, 30 de dezembro, em Porto Alegre. A notícia foi dada por sua filha Suzana Luft.


A gaúcha de Santa Cruz do Sul,
considerada um dos maiores nomes da literatura, lutava há 7 meses contra um melanoma, câncer de pele descoberto já com metástase. Ficou internada, mas pediu para ir para casa antes do Natal e partiu enquanto dormia. Ela era mãe de Susana, Eduardo e André (falecido em 2017).


A morte de Lya deixa a literatura mais pobre e menos elegante. Ela iluminava o caminho de muita gente com suas lições de sabedoria e pautava debates inspiradores sobre cidadania e democracia. Muito obrigada Lya por sua existência. A “Dama das Letras” viverá para sempre em nossos corações.


Suas inúmeras obras vão servir de farol para muitas gerações assim como seu modo de viver e inspirar. Lya Luft tinha um jeito simples de ser, viver e tratar as pessoas. “Eu sou simples e tranquila, mas gosto de escrever sobre as complicações da vida”.


“A vida é uma casa que construímos com as próprias mãos, criando calos, esfolando os joelhos, respirando poeira. Levantamos alicerces, paredes/ Vendavais e terremotos abalam qualquer estrutura, mas ainda estaremos nela, e ainda poderemos consertar o que se desarrumou.” Lya Luft.

Filha de descendentes alemães, foi incentivada pelos pais a desenvolver o hábito da leitura ainda na infância. Depois de cursar o então Ensino Primário e o Científico, ela passou um ano em Porto Alegre, em 1955, fazendo a Escola Normal no Colégio Americano. Retornou para Santa Cruz do Sul para concluir a Escola Normal.

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Escritora Lya Luft em sua casa em Porto Alegre


Depois voltou à Capital gaúcha para cursar faculdade em 1959. Na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Lya concluiu o curso de Letras Anglo-germânicas em 1963. A escritora e tradutora brasileira, foi também colunista mensal da revista Veja e professora aposentada da UFRGS.


Lya começou a trabalhar com o mundo literário no começo dos anos 1960, como tradutora de obras em alemão e inglês. O ingresso na literatura se deu entre 1964 e 1965, ao vencer um concurso estadual de poemas do Instituto Estadual do Livro (IEL). Entre 1964 e 1978, publicou três livros. Mas só foi considerada “escritora” a partir de 1980, quando o seu primeiro romance, “As Parceiras”, teve repercussão nacional.


Outras obras tiveram destaque nacional: “Exílio” (1987), “O Lado Fatal” (1989), “A Sentinela” (1994) e “O Rio do Meio” (1996). Esse último título recebeu o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte por obra de ficção. Também em 1996, foi eleita patrona da Feira do Livro de Porto Alegre. Em 2001, recebeu o Prêmio União Latina de Melhor Tradução Técnica e Científica, pela obra “Lete: Arte e Crítica do Esquecimento”, de Harald Weinrich.


Em 2003 a obra “Perdas & Ganhos”, foi considerada um best-seller, com mais de 600 mil exemplares vendidos, segundo a Editora Record. O título ganhou edições em inglês, alemão, espanhol, francês e italiano e chegou a 40ª edição.


Lya Luft recebeu em 2013, o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo livro “O Tigre na Sombra (2012)”, eleita a melhor obra de ficção do ano na categoria romance.


Pérolas de Lya Luft

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A escritora Lya Luft em momento ternura com seu pet


“A simplicidade é uma espécie de filosofia de vida que se vai adquirindo com o passar do tempo.”


“O Tempo É um Rio que Corre”.


“A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade, querer com mais doçura”.


“Nem todas as perdas são vida jogada fora, algumas são necessárias”.


“Não sou, nem devo ser a MULHER-MARAVILHA, apenas uma pessoa vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa… uma mulher”.


“Há gente que, em vez de destruir, constrói; em lugar de invejar, presenteia; em vez de envenenar, embeleza; em lugar de dilacerar, reúne e agrega”.


“Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente, e a pele translúcida há muito se manchou. Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins. (Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)”


“Entendi que a vida não tece apenas uma teia de perdas mas nos proporciona uma sucessão de ganhos. O equilíbrio da balança depende muito do que soubermos e quisermos enxergar.”

Fotos: Divulgação, Arquivo/Pessoal e Reprodução/Katherine Coutinho e Edilson Rodrigues/CB/D.A Press