Saudade: sentimento que povoa o coração e o bolso onde a alma guarda aquilo que ela provou e aprovou

Todos nós já sentimos saudade de algo ou de alguém que está distante. Quando amamos, queremos estar perto das pessoas que fazem parte da nossa vida e isso desperta muitos processos motivacionais psicológicos associados ao bem estar, à segurança e ao prazer.
A saudade gera um sentimento de bem-estar, de pertencimento, de inspiração, e faz o coração querer o outro coração por perto. É o bolso onde a alma guarda aquilo que ela provou e aprovou. E por isso que a mais bonita lágrima é a da saudade, pois ela nasce dos risos que já se foram, dos sonhos que não acabam e das lembranças que jamais se apagam.

Este sentimento é tão intenso que faz parte do imaginário de poetas, cantores e apaixonados e em função disso ganhou um dia para ser celebrado: 30 de janeiro. O Dia da Saudade é uma data para valorizarmos mais o que tem valor. Olhar mais ao nosso redor e ter mais empatia pelas pessoas.
Sentir saudade nem sempre significa querer a pessoa de volta. A maioria das vezes é a relembrança do que foi maravilhoso, das pessoas que nos estenderam a mão, do nosso tempo de criança, das nossas conquistas e vitórias pessoais e profissionais.

As lembranças da nossa jornada têm gosto de saudades. Elas nos mostram as coisas que realmente importam ao longo da vida e acalentam o coração. A existência se justifica pela variedade de saudades que é capaz de acumular. Saudade de gente, de sentimentos, de sensações, de animais, de lugares, de comidas de encontros.
O tempo que a gente passa longe das pessoas amadas é tão importante como o tempo que passamos ao lado delas para construir uma relação sólida baseada no amor, e não na dependência. Isto acontece, segundo a psicologia, porque a mente associa automaticamente a presença do outro a um bom estímulo e isso faz com que o reencontro seja muito mais feliz que o simples costume de ver a outra pessoa.
Sentir saudade nem sempre significa querer a pessoa de volta. A maioria das vezes é a relembrança do que foi maravilhoso, das pessoas que nos estenderam a mão, do nosso tempo de criança, das nossas conquistas e vitórias pessoais e profissionais.

A saudade também pode nos machucar quando lidamos com faltas e ausências. É natural ansiar por pessoas e momentos que passaram. Quando perdemos alguém que amamos, por exemplo, a saudade dói muito. Muitas vezes turva o horizonte, enfraquecendo a vontade de investir energia para seguir em frente. A dica dos especialistas é agradecer pelas coisas boas que vivemos, bem como o carinho recebido Assim as lembranças boas ficaram em nosso coração. A pessoa amada viverá em nosso coração como uma presença terna e silenciosa a nos acompanhar.

Outras vezes a saudade vira nostalgia. Quando não resistimos a vontade de olhar para trás e reviver o passado que tanto nos feriu. Ao mergulharmos em recordações ruins, culpas e arrependimentos dos momentos vividos diferentemente do que gostaríamos, em vez de lembranças vivenciamos tristezas. E essa saudade não é boa.
Não vamos permitir que sentimentos contraditórios se enrosquem, gerem confusão e nos desequilibrem emocionalmente. O tempo sempre dará novos contornos ao desamor. Portanto, a gente pode ter a saudade e a tristeza, como também sentir alegria por aquilo que vivemos e sobrevivemos. Vamos reverenciar o lado bom das coisas e dos relacionamentos.

O que realmente importa não se desfaz pelo caminho. Permanecerá pulsando numa dimensão maior. É só abrir nosso coração para o que está por vir.
A Saudade, esse sentimento que o vento não leva e que todo mundo já vivenciou um dia, vem do latim solitas, cujo significado é solidão. A palavra não é exclusiva da língua portuguesa. Em outros países, como na Polônia, é chamada de tesknota e, na Alemanha, sehnsucht.

A lembrança nostálgica acompanhada do desejo de voltar a algum lugar ou de estar novamente com as pessoas que nos são caras já rendeu muitos poemas e músicas nacionais e internacionais.
O psicanalista, educador e escritor Rubem Alves, mestre na arte de iluminar a poesia da vida, nos mostra que: “A saudade é o bolso onde a alma guarda aquilo que ela provou e aprovou. Aprovadas foram as experiências que deram alegria. O que valeu a pena está destinado à eternidade. A saudade é o rosto da eternidade refletido no rio do tempo”.
Saudade – Mario Palmeiro e Renato Teixeira
Se queres compreender
O que é saudade
Terás que antes de tudo conhecer
Sentir o que é querer e o que é ternura
E ter por bem um grande amor viver
Então compreenderás
O que é saudade
Depois de ter vivido um grande amor
Saudade é solidão, melancolia,
É nostalgia, é recordar, viver
Se queres compreender
O que é saudade…

Fotos: Reprodução













