Santo Inácio de Loyola: fundador da Ordem Jesuíta e patrono celestial de todos os Exercícios Espirituais

Celebramos neste 31 de julho o Dia de Santo Inácio de Loyola, fundador da Ordem Jesuíta e patrono celestial de todos os Exercícios Espirituais, codificados na metade do século XVI, e ainda hoje de grande atualidade. Praticado não só pelos religiosos, mas também pelos leigos que se inspiram na espiritualidade inaciana e pelos ortodoxos.
Ele era um fidalgo e militar bruto que se rendeu ao Rei dos Reis e viveu como um manso servo do Senhor. Fundou uma das ordens religiosas mais influentes de toda história da Igreja: a Companhia de Jesus, uma ordem religiosa que se dedicou à educação e a missões de conversão entre os povos indígenas durante o período colonial.
Foi um mestre da vida interior, com os Exercícios Espirituais. E, de certa forma, é responsável direto pelo Catolicismo no Brasil. Afinal, São José de Anchieta foi um presente jesuíta para a Terra de Santa Cruz.
Os primeiros jesuítas chegaram ao território nacional em 1549 junto com o governador-geral Tomé de Sousa, liderados por Manuel da Nóbrega e José de Anchieta. Eles desembarcaram em Salvador, Bahia, e começaram a estabelecer missões e escolas.
Os jesuítas se tornaram uma das ordens religiosas mais influentes da história da Igreja Católica, desempenhando papéis cruciais na contrarreforma católica, na expansão missionária e na educação em todo o mundo.
Os principais objetivos na época foi propagar a fé católica, estabelecer instituições educacionais de alta qualidade, realizar missões de conversão em todo o mundo. Os jesuítas eram conhecidos por sua disciplina rigorosa, educação de alta qualidade e zelo missionário.

A Companhia de Jesus, durante os séculos XVI e XVII, atuou na América Latina, Ásia e África. Houve estabelecimento de missões e escolas, e influência na educação e política europeias. A expansão da Companhia de Jesus pelo mundo desempenhou um papel significativo na propagação do cristianismo, na educação e na influência política. Essa expansão ocorreu principalmente através de missões, colégios e outras atividades apostólicas.
A expulsão dos jesuítas do Brasil colonial ocorreu no contexto de uma série de medidas tomadas pelo Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo, que foi o ministro do rei de Portugal, Dom José I, entre 1750 e 1777. O principal motivo para a expulsão dos jesuítas do Brasil e de outras áreas coloniais portuguesas foi uma combinação de razões políticas, econômicas e religiosas.

Isso teve consequências significativas, incluindo o declínio da educação, a interrupção das atividades missionárias, a secularização de suas propriedades e uma mudança na paisagem religiosa e cultural do Brasil Colonial.
- Declínio da educação e do ensino superior: como eram responsáveis por muitas escolas, colégios e instituições de ensino superior no Brasil colonial, sua expulsão acarretou o fechamento de muitas dessas instituições, levando a uma diminuição da qualidade e do acesso à educação.
- Descontinuidade nas missões e na conversão de indígenas: a expulsão dos jesuítas interrompeu muitas das missões e do trabalho de conversão que estavam realizando entre as populações indígenas.
- Modernização e influência iluminista: a expulsão dos jesuítas foi parte de um esforço mais amplo de modernização e secularização promovido pelo governo do Marquês de Pombal, que estava influenciado pelo Iluminismo. Isso teve um impacto duradouro na evolução da sociedade e da cultura brasileiras.
- Reconfiguração das ordens religiosas: com a expulsão dos jesuítas, outras ordens religiosas assumiram algumas de suas funções, incluindo os franciscanos, os carmelitas e os beneditinos. Isso levou a mudanças na configuração religiosa do Brasil Colonial.
- Retorno dos jesuítas (século XIX): a Companhia de Jesus foi restaurada em Portugal em 1829 e retornou ao Brasil no século XIX. No entanto, seu papel e influência nunca mais seriam tão preeminentes como no período anterior à expulsão.
Em 1922, Pio XI declarou e constituiu Santo Inácio de Loyola “Patrono celestial de todos os Exercícios Espirituais e, por conseguinte, de todos os institutos, associações e congregações de qualquer classe que ajudam e atendem aos que praticam Exercícios Espirituais”.
Vida de Santo Inácio de Loyola

Santo Inácio de Loyola nasceu em Azpeitia, região basca ao norte da Espanha, em 1491 e faleceu em Roma em 1556. Era o filho mais novo de treze irmãos. Vindo de uma família nobre do norte da Espanha, Iñigo (seu nome de batismo) logo cedo já demonstrou que tinha aptidões militares e grande desejo de se consagrar no meio das batalhas e guerras. Não era, antes de sua conversão, muito interessado nos estudos e cultivava desejos de glória e reconhecimento na aristocracia espanhola.
Foi a Castilha onde recebeu esmerada formação tornando-se exímio cavaleiro na corte do ministro do rei Fernando II de Aragão, o Católico. Ferido em batalha em 1520, foi obrigado a uma longa convalescência no Castelo de Loyola, como não havia livros de Cavalarias – seus preferidos – Inácio começou a ler, com relutância, textos religiosos que o fizeram encontrar Deus. Para sua felicidade foi resgatado por Deus em um lindo processo de conversão. Lutaria batalhas, mas espirituais. Conduziria exércitos, mas de membros da Companhia. Alcançaria glória, mas do Céu. Conquistaria pessoas, mas para Deus.
A conversão de Santo Inácio de Loyola é um exemplo alegórico do “Efeito Borboleta”! Esse efeito, usado para descrever a teoria do caos, diz que o bater de asas de uma borboleta pode gerar sequência de eventos tão imprevisíveis ao ponto de levar a um tufão do outro lado do mundo. E é assim com a conversão de Inácio. Uma bala de canhão teve como consequência final uma nova onda de disseminação do Catolicismo pelo mundo.
O legado do ‘soldado de Deus’: a Companhia de Jesus e os Exercícios Espirituais. O zelo apostólico da Companhia forneceu uma das aventuras missionárias mais extraordinárias da história da Igreja. A simplicidade e eficácia dos Exercícios difundiu o aprofundamento na vida de oração.
Um momento que mudou a sua vida, levando-o mais tarde a fundar a Companhia de Jesus aprovada pelo Papa Paulo III em 1538. Por obediência ao Pontífice, Inácio permaneceu em Roma para coordenar as atividades da Companhia e para se dedicar aos pobres, aos órfãos e os doentes, a ponto de ser chamado de “apóstolo de Roma”. Seus restos mortais estão conservados na Igreja de Jesus.
O próprio Santo Inácio dizia que: “assim como passear, caminhar e correr são exercícios corporais, da mesma maneira todos os modos de preparar a dispor a alma – para expurgar de si todas as afeições desordenadas e, uma vez eliminadas estas, buscar e encontrar a vontade divina na disposição de sua vida para a saúde de sua alma – chamam-se Exercícios Espirituais”
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