Ibaneis cria grupo de trabalho para lidar com eventos climáticos extremos

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Causas da fumaça no céu de Brasília

A fumaça continua encobrindo de forma intensa o céu de Brasília pelo terceiro dia seguido e causando desconforto em toda população. Por causa da baixa visibilidade e como não há previsão de chuva,  a poluição deve continuar pelos próximos dias, segundo o Inmet.

O volume de fumaça nunca antes visto no Distrito Federal preocupa os especialistas do Ministérios da Saúde e alertam que a exposição a esses níveis de poluição pode causar sintomas graves, como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta, além de falta de ar e respiração ofegante. Esses efeitos podem ser ainda mais severos em crianças, idosos e pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a fumaça concentrada no céu do Distrito Federal é ainda uma junção “das queimadas em áreas próximas e em todo o país, tempo seco e baixa umidade”.

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Governador Ibaneis Rocha cria grupo de trabalho para lidar com eventos climáticos extremos

Devido a qualidade de ar ruim e o desconforto da população, o governador Ibaneis Rocha instituiu um grupo de trabalho para lidar com eventos climáticos extremos como o recente episódio crítico de poluição do ar em Brasília. O grupo foi oficialmente instituído com a publicação do Decreto nº 46.182 na edição extra do DODF na tarde de 26 de agosto.

Sob a coordenação do Instituto Brasília Ambiental, o grupo composto por 17 órgãos do GDF, terá como responsabilidade propor ações de ampliação e modernização da rede de monitoramento da qualidade de ar do DF. A comissão terá um prazo de 90 dias para a elaboração das propostas.

O objetivo é deixar a cidade preparada caso aconteça novamente uma situação semelhante. Essa foi a primeira vez que Brasília enfrentou a forte redução do Índice de Qualidade do Ar (IQAr), que chegou a ser classificado de ruim a péssimo para material particulado (poeira, fumaça ou fuligem).

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Governador Ibaneis Rocha cria grupo de trabalho para lidar com eventos climáticos extremos

Além do Brasília Ambiental, integram a comissão: Casa Civil (Caci-DF), Secretaria de Governo (Segov), Secretaria de Meio Ambiente e Proteção Animal (Sema), Secretaria de Segurança Pública (SSP), Secretaria de Saúde (SES), Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri), Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal), Secretaria de Comunicação (Secom), Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob), Secretaria de Economia (SEEC), Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb), Departamento de Trânsito (Detran) e Departamento de Estradas de Rodagem (DER).

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a fumaça concentrada no céu do Distrito Federal é ainda uma junção “das queimadas em áreas próximas e em todo o país, tempo seco e baixa umidade”.

Com altas temperaturas durante a tarde e a umidade baixa, as chances de incêndios florestais atingirem a capital aumentam e isso preocupa as autoridades de segurança e também os especialistas.

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Volume da fumaça no céu de Brasília preocupa especialistas

A pesquisadora Isabel Belloni Schmidt, do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília, diz que a única fonte de ‘ignição natural’ é raio, que não acontece no período da seca. A professora alerta para a existência de um crime por traz da fuligem e da poluição misturadas ao ar de Brasília. Segundo ela apenas os raios são capazes de produzir incêndios florestais “naturais”.

“Se houver qualquer fogo em um período que não tenha raios, foi provocado por humanos. Ou seja, não tem chuva, não tem raio, é gente. Não existe fogo espontâneo, a matéria orgânica para queimar tem que atingir mais de 300° C”, assegura a professora.

Isabel Belloni diz que o que aconteceu em Brasília “é um evento catastrófico“. “Não é uma pequena mudança, é uma mudança dramática. Nunca se viu uma qualidade de ar tão ruim, mas nunca tivemos tão pouco Cerrado em Brasília”.

Para os bombeiros, as dificuldades encontradas no combate ao fogo são: a baixa da umidade do ar, somado ao calor intenso e ao vento forte que assola a região nesse período de seca. A corporação reforça que a ação da população pode colaborar na prevenção e na rápida atuação dos militares.

A professora Priscilla Barreto, do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Projeto Sem Fogo-DF, que monitora focos de incêndio com a ajuda de inteligência artificial, conta que em um ano e meio de monitoramento das queimadas, nunca foi visto um céu como o dos últimos dias.

“É um evento completamente fora do normal, o sistema nunca viu antes. Disparou vários alarmes durante o dia todo no domingo […]. Vejo como um tragédia climática. Nunca tivemos imagens tão impressionantes como as que vemos agora. Do jeito que está, não é possível diferenciar os focos da fumaça, porque é muita fumaça e com alta densidade”, afirma Priscilla Barreto.

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Poeira, fuligem e fumaça encobrem céu de Brasília

Em função da fumaça intensa e da péssima qualidade do ar, o Ministério da Saúde sugere alguns cuidados:

  • aumentar a ingestão de água e líquidos, o que ajuda a proteger o sistema respiratório;
  • reduzir, ao máximo, o tempo de exposição à fumaça, ficando em casa com ventilação ou purificadores de ar;
  • manter portas e janelas fechadas para evitar que as partículas entrem no ambiente;
  • evitar atividades físicas em horários mais críticos, principalmente entre 12h e 16h;
  • usar máscaras, lenços ou bandanas para proteger nariz e boca da exposição de poluentes;
  • ter cuidado redobrado com crianças menores de 5 anos, idosos maiores de 60 anos e gestantes.
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GDF cria grupo de trabalho por causa do volume de fumaça nunca antes visto em Brasília

Andrea Ramos, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) , diz que a dispersão da fumaça ocorre em duas situações: chuva ou vento. ” Como não temos chuva, a tendência é realmente a mudança de vento […]. Muda a direção do vento e, com isso, a gente pode ter dispersão desse poluente pra outras regiões”.

A boa notícia é que a partir do entardecer desta terça-feira há previsão para mudança dos ventos, e os poluentes serão levados para outras regiões.

Fotos: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília e Reprodução