Pistache: a história do ‘ouro verde’ que protege a visão e faz bem ao cérebro

O 26 de fevereiro marca o Dia Mundial do Pistache, a oleaginosa que saiu do anonimato para conquistar paladares no mundo inteiro. O pequeno fruto da família Anacardiaceae, originário do Oriente Médio e da Ásia Central, já não é mais um item raro nas prateleiras dos supermercados.
De iguaria rara tornou-se fenômeno gastronômico pois está presente em uma infinidade de preparações, sejam elas doces ou salgadas, com seu sabor único e difícil de ser replicado. Há quem compare seu sabor a uma intrigante mistura de amendoim, avelã e menta.
Benefícios do Pistache vão além do sabor especial

Composto por aproximadamente 50% de açúcares e gorduras, o pistache carrega propriedades nutricionais valiosas. Na antiguidade, era utilizado para tratar picadas de cobras venenosas ou como afrodisíaco. Hoje, a ciência confirma que, assim como outras oleaginosas, o pistache é rico em nutrientes essenciais para o sistema imunológico, como polifenóis, zinco, cobre, ferro e vitaminas.
Um estudo feito por pesquisadores da Escola Friedman de Ciência e Política Nutricional da Universidade Tufts descobriu que o consumo diário da noz pode melhorar significativamente a saúde ocular ao aumentar a densidade óptica do pigmento macular (MPOD), devido ao pigmento vegetal luteína, carotenoide que protege os olhos contra os raios ultravioletas do sol e contra a luz azul emitida por computadores e celulares, ajudando a prevenir a catarata e a degeneração macular.

A pesquisa mostrou que comer cerca de 60 gramas de pistache por dia durante 12 semanas como parte de uma dieta normal resultou em um aumento significativo no MPOD em adultos saudáveis de meia-idade a idosos. A densidade ótica é um indicador importante da saúde ocular, pois também está ligado a um risco reduzido de degeneração macular relacionada à idade, uma das principais causas de cegueira em idosos.
Ainda segundo o estudo, o pistache é a única noz que fornece uma fonte mensurável de luteína, um poderoso antioxidante que ajuda a proteger os olhos.

Nossas descobertas indicam que os pistaches não são apenas um lanche nutritivo, mas também podem fornecer benefícios significativos para a saúde ocular. “Isso é especialmente importante à medida que as pessoas envelhecem e enfrentam maiores riscos de deficiência visual”, afirma Tammy Scott, neuropsicóloga clínica e autora do estudo.
Scott explica que no estudo, os participantes foram selecionados para ter baixas ingestões habituais de luteína na dieta. “Simplesmente incorporando um pouco de pistache na sua dieta, você pode melhorar sua ingestão de luteína, que é crucial para proteger seus olhos”, observa a médica.

Além de apoiar a saúde dos olhos, a luteína encontrada nos pistaches também pode beneficiar a função cerebral, visto que ela atravessa a barreira hematoencefálica, ajudando a reduzir o estresse oxidativo e a inflamação.
Assim como no olho, a luteína se acumula seletivamente no cérebro e pode desempenhar um papel na redução do declínio cognitivo. Estudos sugerem que níveis mais altos de luteína estão associados a melhor desempenho cognitivo, incluindo memória e velocidade de processamento, tornando os pistaches uma adição valiosa a uma dieta voltada para o suporte ao envelhecimento saudável geral.
História milenar

O pistache carrega uma história tão impressionante e rica quanto seu sabor. Evidências arqueológicas sugerem seu consumo desde a Pré-História. O Irã, um dos maiores produtores históricos, cultiva o fruto há milhares de anos, e segundo estudos, ele foi amplamente utilizado no antigo Império Persa.
Existe até uma lenda que conta que a Rainha de Sabá, figura mencionada na Bíblia, decretou o pistache como exclusividade da realeza. Isto, por si só, já demonstra o prestígio que a oleaginosa desfrutava na antiguidade.
A chegada do pistache à Europa, especificamente à Itália, foi documentada por Plínio, o Velho (23 d.C – 79 d.C), em sua obra “Historia Naturalis”. Isso ocorreu por volta dos anos 20 e 30 da Era Comum, após as conquistas na Ásia do então governador romano na Síria, Lucio Vitellio, que introduziu a planta na Península Itálica e na Espanha.
A produção global do “ouro verde” se expandiu para diversos países ao longo dos anos, incluindo Austrália, México, Espanha e Estados Unido. Irã e o estado da Califórnia lideram a produção mundial.
Fotos: Andrew/Happinez e MinhasReceitinhas













