Marcos Vilaça: advogado que presidiu o TCU e a Academia Brasileira de Letras, morre aos 85 anos

Bernadete Alves
Morre Marcos Vinicios Vilaça, ex-presidente do TCU e da Academia Brasileira de Letras

É com pesar que registramos o falecimento do advogado e jornalista  Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça, ocorrido neste 29 de março, aos 85 anos em Recife, Pernambuco. O ex-presidente do Tribunal de Contas da União e membro da Academia Brasileira de Letras,  estava internado na Clínica Florença, no Bairro das Graças em Recife.

O Brasil perde uma voz fundamental para a cultura brasileira e referência em gestão pública. Que Deus conforte o coração dos familiares, amigos, colegas da ABL e admiradores deste honrado advogado, poeta, jornalista, intelectual, promotor da cultura e dos valores do Brasil.

Natural de Nazaré da Mata (PE), nasceu em 30 de junho de 1939, sendo filho único de Antônio de Souza Vilaça e Evalda Rodrigues Vilaça. Foi casado com Maria do Carmo Duarte Vilaça (falecida em dezembro de 2015) com quem teve três filhos: Rodrigo Otaviano, Taciana Cecília Mendonça e o marchand Marcantônio (falecido em 2000).

Bernadete Alves
Marcos Vilaça: advogado que presidiu o TCU e a Academia Brasileira de Letras

Segundo a família, o corpo do jornalista, escritor e poeta, será cremado. As cinzas de Vilaça serão jogadas na Praia da Boa Viagem, onde estão as da sua esposa Dona Maria do Carmo, atendendo a um desejo antigo dos dois.

O acadêmico que ocupava a cadeira 26 da ABL desde 1985 e que a presidiu nos anos de 2006 e 2007 e foi eleito presidente novamente em 2010 e 2011. Também foi membro da Academia Pernambucana de Letras e fazia parte Também fazia parte da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Brasiliense de Letras.

“Vilaça é considerado um pensador e empreendedor da cultura brasileira, tendo ocupado cargos em conselhos de órgãos, no próprio Conselho Federal de Cultura, assim como presidiu importantes fundações, como a Funarte e a Pró-memória”, disse em nota a ABL.

Trajetória e legados

Bernadete Alves
Sarney, Lula e Temer, celebram vida pública de Marcos Vilaça

Marcos Vinícius Vilaça se formou em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco, onde também atuou como professor por várias décadas

Na década de 1960, Marcos Vilaça construiu uma carreira significativa na literatura, área que o consagrou enquanto grande intelectual. Um pouco antes, em 1958, publicou Conceito de Verdade, que se tratava do discurso que pronunciou no Salão Nobre do Colégio Nóbrega em dezembro de 1957, na condição de orador da turma de concluintes do Curso Clássico. No mesmo ano, publicou A Escola e Limoeiro e em 1960 lançou as crônicas de viagem Americanas.

Em 1961, Marcos Vilaça publicou um dos seus trabalhos literários de maior sucesso: Em torno da Sociologia do Caminhão, que recebeu o prêmio Joaquim Nabuco da Academia Pernambucana de Letras.

Também é autor de obras como “Nordeste: Secos & Molhados” (1972), “Recife Azul, líquido do céu” (1972), “O tempo e o sonho” (1984) e “Por uma Política Nacional de Cultura – Ministério da Educação e Cultura” (1984).

Bernadete Alves
Morre Marcos Vilaça: advogado que presidiu o TCU e a Academia Brasileira de Letras

Em 1966 tornou-se chefe da Casa Civil do estado de Pernambuco, no governo de Paulo Guerra e no início da década de 1970 foi responsável por algumas secretarias na gestão de Eraldo Gueiros Leite. Foi membro ao longo desse tempo da Aliança Renovadora Nacional (Arena), da qual chegou a ser seu 1º secretário. Posteriormente, tornou-se membro do Partido Democrático Social (PDS), assim como foi membro fundador do Partido da Frente Liberal (PFL).

Na década de 1980 exerceu a presidência da Legião Brasileira de Assistência, e foi nomeado pelo então Presidente da República José Sarney, Secretário Particular para Assuntos Especiais. Em 1988 entrou para o TCU, em substituição ao ministro Thales Ramalho, por indicação do então presidente da República José Sarney.

Durante a sua gestão no comando do Tribunal de Contas, trabalhou pela ampliação das relações internacionais do TCU, o que refletiu em vários acordos de cooperação técnica, científica e cultural que repercutiram no aumento da inserção do Brasil nos debates internacionais sobre auditoria.

Também fez parte do Conselho Federal de Cultura e foi presidente da Funarte e da Pró-memória.

Fotos: Reprodução