Gilberto Gil: um dos maiores intelectuais da nossa história, canta e encanta Brasília

O fenomenal Gilberto Gil cantou e encantou os brasilienses que lotaram o Mané Garrinha para assistir o último show do artista seminal para cultura brasileira. O cantor, que começou no fim da década de 1950 e se reinventou conforme o passar do tempo, conquistou fãs de todas as idades e em Brasília a relação com o músico é mais especial pois foi Ministro da Cultura.

Gilberto Gil é luminoso e puro encantamento. Um artista conectado à realidade brasileira e ao povo sofrido e desigual. Sua arte é parte da alma do Brasil e continua emocionando gerações. Além do mais ele é um dos maiores intelectuais da nossa história.

A capital do país parou para reverenciar e celebrar o grande nome da música brasileira no mundo. Foram mais de 50 mil pessoas aplaudindo e fazendo coro com Gil, que foi gigante no palco na última turnê de sua carreira. Gil estava à vontade no palco, em sintonia com a banda – formada por músicos como Mestrinho, seus filhos José e Nora, e o neto João Gil.

O show teve início com “pápápápá pára” da faixa Palco e, a cada música que ele e a banda tocavam, mais o público se embalava com a musicalidade do baiano. Palco, Refazenda, Cálice, Drão, Tempo Rei e Estrela, foram alguns dos principais sucessos da caminhada vitoriosa de Gil.

A iluminação especial, o telão e toda a estrutura do palco mostrou o cuidado e o carinho do artista e de sua produção com os fãs.

Um momento marcante foi a interpretação de Cálice, composta por ele e Chico Buarque durante a censura da ditadura militar. Antes da música, um vídeo de Chico falando sobre as atrocidades da ditadura foi exibido no telão do evento, levando o público a entoar gritos contra a anistia aos réus do 8 de Janeiro.


O convidado especial do show foi o cantor Alexandre Carlo, vocalista do Natiruts. Ao anunciá-lo, Gilberto Gil exaltou a banda e a raiz brasiliense do cantor: “Filho da terra, menino da terra. Viva, Natiruts”.

Juntos, eles cantaram a canção Extra, seguida do momento reggae que Gil iniciou com Não Chore Mais, versão em português de No Woman, No Cry, de Bob Marley.

A apresentação histórica dos clássicos que construíram a história da música brasileira, terminou em clima festivo, com um bloco que colocou o público para dançar ao som de Emoriô, Aquele Abraço, Esperando na Janela e Toda Menina Baiana.

O público dançou reggae, forró, punk, forró, samba, rock, durante 2h40 de puro êxtase. Com mais de 6 décadas de carreira, e que faz 83 anos neste mês de junho, Gil parecia um jovem no palco da turnê Tempo Rei, na Arena BRB Mané Garrincha.

Gilberto Gil se despediu dos fãs de Brasília à altura do amor que a capital sente por ele. Se doou por inteiro o gigante rei de todos nós.


Depois de Brasília, Gil vai apresentar a turnê Tempo Rei em Belo Horizonte, Curitiba e Belém. Tempo Rei é a última turnê do artista
Fotos: Reprodução/Redes Sociais do artista













