Censo: 6% da população brasileira vive em unidades de conservação

Bernadete Alves
Censo: 6% da população brasileira vive em unidades de conservação

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira 11 de julho os dados do Censo 2022. Segundo os dados o Brasil tem quase 12 milhões de pessoas vivendo em unidades de conservação, o que equivale a 6% da população brasileira.

Quase a totalidade desses 12 milhões (99%) vivem em áreas de uso sustentável, que são menos restritivas à ocupação humana, como áreas de proteção ambiental – a cidade de Brasília está em uma dessas, por exemplo – e reservas extrativistas.

Bernadete Alves
Unidade de conservação de uso sustentável

O Brasil tem no total 2.365 unidades de conservação. Dessas, 1.227, ou 52%, são inabitadas, segundo o IBGE. Unidades de conservação incluem florestas nacionais, áreas de proteção ambiental, reservas biológicas e outras. São divididas entre as de proteção integral, com mais restrições à presença humana, e as de uso sustentável.

Nas áreas de proteção integral (como reservas biológicas, parques nacionais, estaduais e municipais e estações ecológicas, refúgios da vida silvestre monumentos naturais), onde a presença de pessoas é mais regulada, vivem 132 mil brasileiros. Estão nesse grupo, por exemplo, indígenas e quilombolas, que têm uma presença maior em unidades de conservação do que outros grupos.

O fato de morarem em unidades de proteção integral não significa que essas pessoas estão em situação irregular.

Bernadete Alves
Censo: 6% da população brasileira vive em unidades de conservação

O Distrito Federal é a unidade da federação em que proporcionalmente mais gente vive em áreas de proteção ambienta: 39%, ou um em cada quatro habitantes, mora em unidade de conservação.

É a conhecida Área de Proteção Ambiental do Planalto Central, que também se estende por Goiás, e na qual moram 602 mil pessoas – maior população entre todas as unidades de conservação do país. É nela que fica Brasília.

A Área de Proteção Ambiental (APA) da Bacia do Rio São Bartolomeu, localizada no Distrito Federal, é uma unidade de conservação criada para proteger os recursos hídricos da região e garantir o abastecimento da capital. A APA abrange uma área de 82.680,80 hectares, abrangendo parte das regiões administrativas de São Sebastião, Jardim Botânico, Paranoá, Itapoã, Sobradinho e Planaltina.

Bernadete Alves
Nascentes do Rio São Bartolomeu: maior do Distrito Federal

A APA da Bacia do Rio São Bartolomeu é um exemplo de como unidades de conservação podem desempenhar um papel crucial na proteção ambiental e no desenvolvimento sustentável de uma região. 

O Rio São Bartolomeu é o maior rio do Distrito Federal, com 200 km de extensão e formado pela confluência dos Rios Pipiripau e Mestre D’Armas. A bacia do Rio São Bartolomeu é fundamental para o abastecimento do Distrito Federal e de municípios goianos como Luziânia, Cidade Ocidental e Cristalina.

A APA abriga diversas comunidades que vivem às margens do rio, e projetos como o “Rio São Bartolomeu Vivo” buscam a recuperação da bacia e o desenvolvimento sustentável dessas comunidades.  

Bernadete Alves
Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio São Bartolomeu no Distrito Federal

As unidades de conservação se dividem em dois tipos: as de proteção integral e as de uso sustentável.

As unidades de proteção integral priorizam a preservação ambiental têm maior restrição à presença humana. Estão nelas:

  • Estações Ecológicas;
  • Reservas Biológicas;
  • Parques nacionais, estaduais ou municipais;
  • Monumentos Naturais;
  • e Refúgios de Vida Silvestre.
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Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio São Bartolomeu – Distrito Federal

O perfil racial das pessoas que moram nas unidades de conservação é mais negro e indígena do que a média do país.

  • 51% são pardos (ante 45% no conjunto do país)
  • 36%, brancos (ante 44%)
  • 12%, pretos (ante 10%)
  • 1% indígenas (ante 0,8%)

Há, ainda, uma maior presença de quilombolas: 2%, ante 0,7% no conjunto do país. Um em cada cinco quilombolas vive em uma unidade de conservação.

As unidades de uso sustentável buscam conservação na natureza e presença humana, principalmente nas Áreas de Proteção Ambiental (com certo grau de ocupação humana) e, em menor escala, nas de relevante interesse ecológico (com pouca ou nenhuma presença humana).

  • Florestas nacionais, estaduais ou municipais;
  • Reservas Extrativistas;
  • Reservas de Desenvolvimento Sustentável;
  • Reservas de Fauna;
  • e Reserva Particular do Patrimônio Natural.
Bernadete Alves
Brasileiros que vivem em áreas de uso sustentável
Área de Proteção Ambiental do Planalto Central – DF/GO 601.773

Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense – MA 583.882

Área de Proteção Ambiental de Upaon-Açu / Miritiua / Alto Preguiças – MA 509.977

Área de Proteção Ambiental Sistema Cantareira – SP 495.859

Área de Proteção Ambiental Jundiaí – SP 449.143

Área de Proteção Ambiental Piracicaba Juqueri-Mirim Área II – SP 430.934

Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio São Bartolomeu – DF 360.760

Área de Proteção Ambiental Serra da Ibiapaba – CE 352.779

Área de Proteção Ambiental de Petrópolis – RJ 242.034

Área de Proteção Ambiental das Reentrâncias Maranhenses – MA 240.498

Fonte: Censo 2022 – IBGE

Fotos: Reprodução