Leona Cavalli apresenta “Elogio da Loucura”: crítica bem-humorada às relações de poder e à hipocrisia social

A atriz Leona Cavalli está em Brasília com o espetáculo “Elogio da Loucura”, uma adaptação teatral do clássico satírico escrito por Erasmo de Rotterdam no século XVI, em cartaz até domingo dia 30 de agosto.

O premiado monólogo estrelado por Leona Cavalli transforma o clássico renascentista em uma reflexão atual sobre a condição humana. Em cartaz desde 2022, com duas temporadas em São Paulo e turnês pelas capitais brasileiras. A dramaturgia, assinada por Leona Cavalli em parceria com o diretor Eduardo Figueiredo, é uma crítica bem-humorada às relações de poder, à hipocrisia social, à política e às instituições.

“A peça é absolutamente surpreendente porque comunica com qualquer público de todos os lugares, de todos os pontos de vista e de todas as idades. É uma obra clássica escrita no século 16 e chocantemente contemporânea”, declara Leona Cavalli.

A obra satiriza as relações de poder na política, na Igreja e na sociedade, mas mantém surpreendente atualidade ao refletir sobre intolerância, hipocrisia e a inversão de valores que ainda são recorrentes nos dias de hoje. 

Bernadete Alves
Leona Cavalli apresenta “Elogio da Loucura”: crítica bem-humorada às relações de poder e à hipocrisia social

Com atuação esplendorosa, humor e ironia, Leona Cavalli apresenta a loucura não como doença, mas como parte da condição humana e uma força capaz de provocar reflexão e transformação. Tudo acompanhado por música executada ao vivo, entre o popular e o erudito, pelos talentosos Rafa Ducelli, no violoncelo, e Cika, na percussão. O repertório faz referências à loucura nas artes, na história e na sociedade.

“Ela se apresenta como uma deusa que vem clamar por ser aceita como energia, como força presente em todo ser humano e, ao se colocar de forma extremamente lúcida, nos faz ver como somos todos extremamente malucos. Ela é completamente lúcida e esse é o diferencial”, explica a atriz.

Bernadete Alves
‘Elogio da Loucura’: atriz Leona Cavalli transforma o clássico renascentista em uma reflexão atual sobre a condição humana

O livro, escrito como uma sátira à sociedade dos séculos XV e XVI, tornou-se atemporal e profundamente atual por expor as relações de poder na sociedade, na política e na igreja, como espelhos de si mesma, além de revelar conflitos ainda recorrentes como a hipocrisia e a perda dos valores da vida.

Com sucesso de público, o espetáculo chega ao final da temporada neste final de semana na Caixa Cultural. Hoje e sábado às 20h, e domingo, às 19h. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados uma hora antes do início de cada apresentação, limitados a dois por CPF ou pessoa. CAIXA Cultural Brasília — SBS, Quadra 4, Bloco A, lotes 3/4, Loja 1, Asa Sul.

Bernadete Alves
Caixa Cultural apresenta ‘Elogio da Loucura’ com a premiada atriz Leona Cavalli

Leona Cavalli começou sua carreira com o diretor Zé Celso Martinez Corrêa, com quem fez “Hamlet”, de Shakespeare (indicada como Melhor Atriz APCA por Ophelia), “Bacantes”, de Euripedes e “Cacilda!” do próprio Zé Celso. Ganhou Prêmio Shell por sua atuação como Geni, em “Toda Nudez Será Castigada”, de Nelson Rodrigues, e Prêmio Qualidade Brasil por Blanche Dubois, em “Um Bonde Chamado Desejo”, de Tennesse Willians; ambas dirigidas por Cibele Forjaz. Foi dirigida por Bibi Ferreira em “Viva o Demiurgo”, e por Paulo Autran, em “Vestir o Pai.” Recentemente fez os grandes sucessos “Frida Y Diego”, de Maria Adelaide Amaral, “Gatão de Meia Idade”, de Miguel Paiva e “Procuro o Homem da Minha Vida, Marido Já Tive”, dirigidos por Eduardo Figueiredo. Seus últimos trabalhos no teatro foram: “Fausto” de Marlowe, como Mephisto; dirigida novamente por Zé Celso Martines Correa e “Senhora dos Afogados” com direção de Monique Gardenberg.

No cinema, fez os longas “Um Céu de Estrelas” (pelo qual ganhou 3 prêmios de Melhor Atriz) e “Através da Janela”, de Tata Amaral; “Amarelo Manga” de Claudio Assis (prêmio Melhor Atriz); “Cafundó”, de Paulo Betti; “Aparecida”, de Tizuka Yamazaki; “Casa da Mãe Joana 2”, de Hugo Carvana; “Carandiru”, de Hector Babenco; “Olga”, de Jaime Monjardim, entre outros. Esse ano acabou de rodar o ainda inédito “A Cerca”, de Rogerio Gomes.

Também fez diversas novelas da Rede Globo, como “Órfãos da Terra”, de Thelma Guedes e Duca Rachid; “Totalmente Demais”, de Rosane Svartman e Paulo Halm, “Amor a Vida” e “Gabriela”, de Walcyr Carrasco, “A Vida da Gente”, de Licia Manzo, “Negócio da China”, de Miguel Falabella, “Duas Caras”, de Aguinaldo Silva, “Amazônia”, de Gloria Perez (prêmio Melhor Atriz), “Belíssima”, de Silvio de Abreu, e em 2023 Leona esteve no ar interpretando a personagem Gladys, na novela da Globo “Terra e Paixão”, de Walcyr Carrasco. Seu último trabalho foi na novela “Dona de mim”, também na TV Globo.

Fotos: Divulgação