Sarney: sanções de Trump ao ministro Moraes são “coisas absolutamente inacreditáveis”

O ex-presidente José Sarney defendeu o ministro Alexandre de Moraes após as sanções de Donald Trump, e prestou sua solidariedade ao integrante do STF, durante discurso no 16º Encontro do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), no Teatro Arthur Azevedo, em São Luís, Maranhão. Na ocasião o ministro do STF Flávio Dino, proferiu conferência magna da abertura do encontro, realizada no Teatro Arthur Azevedo, em São Luís (MA); e do ex-presidente da República José Sarney, um dos homenageados na solenidade.
O presidente José Sarney, um dos homenageados do Consepre, considerou a aplicação da Lei Magnitsky a integrante do Supremo Tribunal Federal como “absolutamente inacreditável”. O ex-presidente da República e do Congresso Nacional prestou solidariedade ao ministro do STF Alexandre de Moraes pelas sanções impostas pelos EUA.

“Eu, pessoalmente, quero apresentar minha solidariedade à Justiça brasileira na pessoa do ministro Alexandre de Moraes, pelas injustiças que ele está sofrendo e que são coisas absolutamente inaceitáveis que nós estamos vivenciando”.
Sarney afirmou que não se pode correr “atrás de um doido”, se referindo ao presidente americano Donald Trump. “Meu avô dizia, nunca corra atrás de um doido, porque você não sabe para onde ele vai. Pois bem, é hoje que nós temos a função de verificar, e não podemos correr atrás de um doido”.
“É hoje que nós temos a função de verificar e não podemos correr atrás de um doido, devemos ficar mantendo a crença no regime democrático, (que) deve ser defendido pela Justiça, deve ser defendido por todos nós para que esses quarenta anos (de regime democrático) se multipliquem numa função eterna, numa função permanente, e que sempre esteja assegurado a cidadania e a liberdade do Brasil”, declarou o ex-presidente da República.
Na solenidade que abriu os trabalhos da 16ª edição do Encontro do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), na noite de 30 de julho, o presidente do Conselho e do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), desembargador Francisco Oliveira Neto, reafirmou o posicionamento da instituição pela unidade do Poder Judiciário e pela independência dos magistrados brasileiros.
O presidente do Consepre solidarizou-se com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, após o governo americano anunciar sanções financeiras ao magistrado por meio da chamada Lei Magnitsky. Ele frisou que o ministro representa e exerce a democracia dentro de um colegiado legitimado pela Constituição e pelo povo brasileiro.

“Em qualquer das áreas de atuação, o ataque a um ministro do STF, a um ministro dos tribunais superiores, a um ministro dos tribunais de apelação, a um juiz das grandes comarcas ou a um juiz da comarca mais longínqua é um ataque ao Poder Judiciário e é um ataque à democracia. Estaremos prontos para caminhar com aqueles que defendem a independência e a soberania do Brasil”, pontuou.
O desembargador Francisco lembrou que já no último dia 19 de julho o Conselho divulgou uma nota pública de apoio às instituições democráticas brasileiras, na qual manifestou preocupação com a revogação dos vistos de autoridades do STF e do procurador-geral da República. A nota apontou a estranheza do ato e a violação da autodeterminação, da independência e da soberania do Estado brasileiro.
“Para decepção de todos nós, o cenário piorou. E evoluiu para algo impensável. E aqui, de novo, é preciso reafirmar: não há democracias sem um Judiciário forte e independente”, afirmou o presidente do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil.
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