Guilherme Reis: personagem importante na cena artística brasileira, morre aos 70 anos

É com pesar que registramos o falecimento do ator, dramaturgo, diretor e produtor cultural, Luis Guilherme Almeida Reis, ocorrido nesta quarta-feira 24 de setembro aos 70 anos por complicações de saúde, após permanecer internado por vários dias.
Guilherme Reis era irmão de Luis Antônio Reis, presidente da Caesb, e de Luis André Reis, comodoro do Iate Clube de Brasília.
Reis ficou conhecido por seu talento, capacidade e inovação no teatro, cinema e produção cultural, tendo sido secretário de Cultura do Distrito Federal entre 2015 e 2018, durante o governo de Rodrigo Rollemberg. A frente da Secretaria de Cultura, criou a Lei Orgânica da Cultura, que estabeleceu o Sistema de Arte e Cultura do DF, composto por órgãos e entidades da Administração Pública e destinado à formulação, financiamento e gestão de políticas públicas de cultura no Distrito Federal, e definiu regras para o financiamento à cultura. Foi responsável também pelas reformas do Espaço Cultural Renato Russo e Centro de Dança de Brasília.
Reis encantou a todos com seu talento, sensibilidade e amor por Brasília. Sua trajetória no teatro e no cinema é parte da memória cultural da capital do país. Sua partida precoce deixa a cidade triste e menos poética.
Guilherme era inspiração, um ser brilhante, uma pessoa amável que vai fazer muita falta. O artista parte deixando um legado não só de trabalho, mas de altruísmo, de simplicidade e de amor pela cultura do Distrito Federal. Nossas orações e sentimentos à Carmem aos irmãos Luis Antônio e Luis André e todos os familiares e amigos.

A nota de pesar do Ministério da Cultura destaca Guilherme Reis como figura central no teatro, cinema e gestão cultural. “Guilherme Reis deixou uma marca indelével na cena artística brasileira”.
Segundo o Ministério da Cultura, Guilherme também presidiu o Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, em 2015.

O deputado federal Rodrigo Rollemberg, ex-governador do DF, homenageou Guilherme Reis e teceu elogios em suas redes sociais. “Nosso Guilla era uma das pessoas mais queridas que já conheci. Um amigo!!!! Uma energia contagiante!!! Um artista!! Um produtor!!! Um ser brilhante!!!! Um Secretário de Cultura que me enche de orgulho e gratidão!!! Tinha por ele um carinho imenso!!!”.
Rollemberg reforçou a perda para a cultura. “O teatro está triste, a cultura está triste, Brasília está triste!!! A Cena Contemporânea agora vai acontecer no CÉU!!! Guila, vai e fica com Deus!!! Nós ficaremos aqui curtindo a saudade!!!!”, encerrou.

Para Claudio Abrantes, secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, “Guilherme Reis foi um pilar da cultura brasiliense. Como artista, gestor e visionário, deixou um legado que seguirá inspirando gerações. Sua contribuição para a Lei Orgânica da Cultura e para a consolidação dos nossos espaços culturais é um patrimônio coletivo. Brasília perde um grande homem, mas a sua obra permanecerá”.
“Recentemente, tive a oportunidade de estar com ele, em uma conversa muito agradável sobre o futuro e de lhe entregar em mãos a maior honraria Cultural do DF. Hoje, todas as homenagens serão a ele, que não mediu esforços pela nossa cultura e deixará em nossos corações e na nossa história esse legado de saudade e trabalho. Vá em paz, amigo. Que Deus possa confortar aos que ficam e sente sua partida”, disse Claudio Abrantes.
O velório ocorrerá no Foyer da Sala Martins Pena do Teatro Nacional, amanhã quinta-feira, das 12h30 às 15h. Em seguida, o corpo seguirá para cremação em cerimônia restrita aos familiares.
Carreira do Ator e Produtor Cultural
Luis Guilherme Almeida Reis nasceu em 24 de novembro de 1954, em Goiânia. Veio a Brasília em 1960 e iniciou a carreira de ator no teatro, aos 18 anos. Esteve em peças como Os Saltimbancos, O Noviço, A vida é sonho, O Exercício, Pequenos Burgueses, Um grito parado no ar e Caça aos ratos.
Na carreira, trabalhou com diretores como Antônio Abujamra, Zeno Wilde, B. de Paiva e Hugo Rodas.
Em 1980, realizou o primeiro trabalho como diretor de teatro: A Revolução dos Bichos. Dirigiu ainda Chapeuzinho amarelo (1981), Pedro e o Lobo (1983), A hora do pesadelinho (1991), Reta do fim do fim (Prêmio Villanueva de Melhor Espetáculo Estrangeiro de 1997 em Cuba), Movimentos do desejo (1998) e Reveillon (1999).
Com o Grupo Cena, dirigiu e produziu uma trilogia a partir de textos dos autores argentinos Santiago Serrano e Patrícia Suárez, entre 2005 e 2008.
Em 1892, Guilherme ingressou no cinema, com o longa O Sonho Não Acabou, dirigido por Sérgio Rezende, e que tinha nomes como Miguel Falabella, Lúcia Veríssimo e Daniel Dantas no elenco. Atuou ainda em A república dos anjos (1991), O cego que gritava luz (1996), O tronco (1999) e Sagrado segredo (2009). Em 2016, dirigiu o musical Dentro da Caixinha.
Guilherme Reis foi curador e responsável pela direção geral do festival de teatro Cena Contemporânea, que ocorre desde 1995 em Brasília. Antes do Cena, realizou duas edições do Festival Latino-americano de Cultura, na UnB; e o Temporada Nacional, projeto da Faculdade Dulcina que levava um grande nome do teatro por mês, como Fernanda Montenegro e Antunes Filho.
O Cena Contemporânea concluiu a 26ª edição em agosto deste ano. Com curadoria de Reis, os espetáculos incluíram, entre outros,[dentro da cabeça de alguém], estrelado por Renata Sorrah; Soré e Medida por medida (La culpa es tuya), dos argentinos Lautaro Delgado Tymruk e Sofía Brito e Gabriel Chamé Buendia; Cabo enrolado e Afinação 2: Falso solo, dos paulistas Cia Graxa e Georgette Fadel; e Sombrio, do coletivo brasiliense Levante.
Fotos: Pedro Ventura/Agencia Brasília, Tony Winston/Agência Brasília e Divulgação/Secec-DF













