Pesquisa aponta potencial da Jabuticaba: fruto nativo que é rico em compostos protetores

Bernadete Alves
Como consumir a jabuticaba: fruta nativa do Brasil originária da Mata Atlântica

Uma pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com universidade da Suécia, aponta potencial da Jabuticaba, do fruto nativo que é rico em compostos protetores. O trabalho foi liderado pelo engenheiro de alimentos Mário Maróstica, em parceria com equipe da Universidade de Lund, na Suécia e publicado no periódico Food Research International.

Segundo os pesquisadores, além de aguçar os sentidos, a casca brilhante e de coloração escura da jabuticaba concentra substâncias antioxidantes e anti-inflamatórias que estão por trás de impactos positivos no controle do apetite e nas funções cognitivas.

Para chegar aos resultados, 19 participantes consumiram, por quatro semanas, uma preparação especial feita a partir da casca da jabuticaba. Exames de sangue realizados ao longo do estudo mostraram redução de marcadores inflamatórios, como a interleucina-6, indicando um possível efeito anti-inflamatório.

Bernadete Alves
Jabuticaba: fruto nativo do Brasil, gostoso e rico em compostos protetores

Além disso, questionários padronizados aplicados para avaliar memória e raciocínio apontaram melhora na cognição cerca de 15 minutos após a ingestão do preparado. Também foi aplicado um teste que envolve perguntas e respostas para medir a saciedade.

Segundo Mário Maróstica a ingestão da fruta pode ajudar a regular a fome. “O apetite é influenciado por muitas variáveis e estudos anteriores indicam que a fruta modula a produção de hormônios, como o GLP-1, o que pode explicar o efeito”.

Outros trabalhos realizados pelo pesquisador Maróstica demonstraram que as substâncias vindas da casca do fruto favorecem o metabolismo da insulina, o que colabora para o funcionamento do cérebro.

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Pesquisa aponta potencial da Jabuticaba: fruto nativo que é rico em compostos protetores

O pesquisador da Unicamp estuda a Jabuticaba há 17 anos e comprovou que fruta também é potente contra a síndrome metabólica – distúrbio marcado pelo acúmulo de gordura abdominal, taxas elevadas de glicose, alterações nos níveis de colesterol e triglicérides, além de hipertensão arterial. “Entre as substâncias responsáveis por tais benefícios, destacam-se as antocianinas”.

“Trata-se de um grupo de pigmentos, da família dos fenólicos, que coleciona evidências sobre feitos em prol da saúde. O termo vem do grego: anthos significa flor e kyanos, azul. Acredita-se que flores como as hortênsias e as quaresmeiras tenham servido de inspiração. Na natureza, as antocianinas servem como uma espécie de escudo, protegendo dos raios solares, das variações climáticas, entre outras intempéries”, explica o pesquisador da Unicamp.

“No nosso organismo, ajudam a neutralizar os radicais livres, moléculas desemparelhadas acusadas de danificar as células. Não à toa, são associadas à redução do risco de males cardiovasculares e doenças degenerativas, caso Alzheimer”. Segundo o professor a boa fama das berries — que incluem frutas como cereja, framboesa, amora, mirtilo e morango — se deve, em partes, à presença desses pigmentos.

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Benefícios da casca da jabuticaba

Segundo a  a nutricionista Isis Avelino, do Einstein Hospital Israelita, a Jabuticaba fornece outros compostos bioativos, caso da quercetina, das catequinas e dos taninos. “Contém sais minerais como o magnésio, o potássio e o fósforo”. Além de fibras, que zelam pela microbiota intestinal, favorecendo o equilíbrio entre bactérias e outros micro-organismos que habitam a região.

“Todos esses componentes atuam em sinergia em prol da saúde, e se concentram, sobretudo, na parte externa do fruto, isto é, na casca. Entretanto, como ela é grossa e bastante fibrosa, muita gente a dispensa”, lembra Iris.

Bernadete Alves
Jabuticaba: fruto nativo que é rico em compostos protetores e que é destaque internacional

A jabuticaba é uma fruta nativa do Brasil, originária da Mata Atlântica e seu nome tem origem no tupi-guarani, significando “lugar do jabuti” ou “gordura do jabuti”.  Caracterizada por seu crescimento direto no tronco e com casca roxa, pode ser consumida in natura ou usada no preparo de doces, sucos e vinhos. O tempo de colheita costuma ir de setembro a novembro.

“Uma estratégia para aproveitar toda a riqueza é preparar sucos”, ensina a nutricionista do Einstein. É importante não demorar para consumi-lo, porque com o passar do tempo o sabor tende a se alterar. Molhos, compotas e geleias também são bem-vindos.

Outra dica é fazer um tipo de farinha, após assar a casca no forno e bater no liquidificador. “Dá para incrementar pães, biscoitos, bolos e até salpicar em saladas de frutas e iogurtes”, sugere Iris Avelino. O ideal é caprichar na higienização das cascas e dar preferência às versões orgânicas.

“Ao acrescentar a fruta no cardápio, há a valorização de um ingrediente nativo, o que enaltece a cultura alimentar brasileira e a nossa biodiversidade”, observa a especialista do Einstein. Sem esquecer, claro, de todos os ganhos nutricionais.

Bernadete Alves
Geleia de jabuticaba com casca: a frutinha rica em vitamina C com sabor diferenciado

A jabuticaba conquistou um espaço especial no cenário gastronômico internacional. A fruta, típica do Brasil, foi eleita a décima melhor do mundo no ranking do TasteAtlas, plataforma que mapeia sabores ao redor do planeta, neste ano. O levantamento reúne as 100 frutas mais bem avaliadas pelos usuários do portal, e a jabuticaba é a única representante brasileira da lista.

Fotos: Reprodução