Dia Mundial do Pantanal: um estímulo à preservação do gigante cheio de vida e único no mundo

Celebramos neste 12 de novembro o Dia Mundial do Pantanal, bioma que desempenha papel crucial na regulação do clima e da preservação da água. A data é um convite à preservação do Patrimônio Natural e Reserva da Biosfera Mundial, sendo a maior planície alagável do mundo, com extensão de aproximadamente 250.000 Km². Sua principal característica é a planície inundada, que possui uma vegetação típica, como os vegetais aquáticos aguapé, erva-de-santa-luzia, utriculária e cabomba, muitos deles utilizados para fins medicinais.
O Pantanal está localizado principalmente no Centro-Oeste do Brasil, nos estados do Mato Grosso (no sul do estado) e do Mato Grosso do Sul (no noroeste do estado). Também se estende para a Bolívia e o Paraguai onde é denominado de Chaco.


É um bioma extremamente rico quando o assunto é fauna brasileira, pois abriga grande parte dos animais existentes no Brasil. Sua preservação ambiental é alta, sendo considerado o bioma mais preservado do país de acordo com os órgãos governamentais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O bioma é conhecido por sua rica biodiversidade, abrigando uma variedade de espécies da fauna e da flora e é Patrimônio da Humanidade devido à sua importância ecológica e cultural. Além do mais é um importante habitat para muitas espécies ameaçadas.

O Pantanal apresenta grande integração de outros biomas, podendo ter áreas de ocorrência com o Cerrado, a Caatinga, e florestas tropicais. Por isso, a paisagem pantaneira é bem diversificada, contendo árvores de médio e grande porte, típicas da Amazônia, e, também, árvores tortuosas, de baixo e médio porte, comuns no Cerrado.
Nas matas ciliares, próximas dos rios, é comum encontrarmos jenipapos de 20 metros de altura, árvore amazônica. Nessa área, a vegetação é densa e exuberante, com figueiras, ingazeiros, e outras árvores altas. Nas áreas não tão alagadas, a presença de árvores do Cerrado é frequente, como os ipês e buritis.

O Pantanal tem um clima com duas estações bem definidas: o verão chuvoso e o inverno seco. Como possui altitudes que não ultrapassam 120 metros, mais de 80% do bioma fica alagado no verão, época de chuvas fortes. Nessa estação, cerca de 180 milhões de litros d’água atingem a planície do bioma, se acumulando e formando as famosas áreas inundadas: pântanos, brejos, lagoas e baías, que se interligam aos rios. O ciclo das águas permite a renovação da fauna e da flora da região.

Infelizmente, a fauna do Pantanal sofre os impactos da caça e da pesca ilegais e predatórias, e muitas espécies estão ameaçadas de extinção. A caça e a pesca ilegais prejudicam a cadeia alimentar da região, gerando um grave desequilíbrio ecológico, que interfere na reprodução de espécies e na preservação dos recursos naturais.


A pecuária bovina, principalmente no estado do Mato Grosso, e o cultivo da soja, são atividades que têm gerado problemas para todo o ecossistema pantaneiro. A pecuária tem provocado o assoreamento de rios, devido à retirada de parte das matas para a inserção de pastagens. Outro problema ocorre devido à monocultura de soja, que utiliza uma alta quantidade de agrotóxicos, pesticidas e fertilizantes químicos, os quais degradam o solo e contaminam as águas.

Além disso, o Pantanal sofre com queimadas criminosas. As queimadas e o desmatamento são práticas interligadas, pois costuma-se realizar o desmatamento de áreas para a formação de pastagens, e as queimadas para preparar o solo para formação de pasto. Essas práticas criminosas geram, além de grande perda de biodiversidade vegetal e animal, consequências nocivas à saúde humana.

Como o bioma é um gigantesco reservatório de água doce e ter a maior área úmida continental do planeta, é fundamental para o suprimento hídrico, a estabilização do clima e a conservação do solo.
A data é um alerta para a preservação do bioma único no mundo, contemplado por uma rica biodiversidade abrigando pelo menos 3.500 espécies de plantas, 650 de aves, 124 de mamíferos, 80 de répteis, 60 de anfíbios e 260 espécies de peixes de água doce.

Para pesquisadores do MapBiomas, preservar o Pantanal exige uma ação integrada que inclui proteger o Cerrado e a Amazônia. O Cerrado é o berço dos rios que alimentam o Pantanal, enquanto a Amazônia gera os chamados “rios voadores”, massas de umidade que trazem chuva para o Centro-Sul do Brasil.
Fotos: Saul Schramm, Valdemir Cunha e Reprodução













