Dom Bosco: o santo que transformou vidas e profetizou Brasília como a terra prometida

Neste 31 de janeiro, celebramos a festa de São João Bosco, o santo que foi proclamado Mestre da Juventude pelo Papa João Paulo II. É o santo que nos ensina a acreditar na sociedade atual e nos jovens. Em tempos em que nossos jovens vivem seus dilemas e descréditos sociais, conhecer a história de um santo que acreditou na juventude nos traz a esperança de que a humanidade ainda tem jeito.
Mundialmente, Dom Bosco é conhecido como padroeiro dos jovens. Foi homem à frente de seu tempo, que, no final do século XIX foi capaz de enxergar toda a potencialidade dos adolescentes e jovens, que confiou e sempre os incentivou no caminho do bem, e que dedicou “até o seu último suspiro” à educação e à evangelização deles, especialmente os mais carentes. Assim, Dom Bosco tornou-se fundador da Família Salesiana.
Dom Bosco é um santo importante para a história de Brasília. Por meio de um sonho, antes mesmo da idealização da capital federal, ele já havia profetizado a existência de uma “terra prometida” entre os paralelos 15 e 20 do globo terrestre, exatamente onde Brasília foi construída anos depois.
A ligação de Dom Bosco com a capital federal vai além. A Ordem dos Salesianos foi a primeira a chegar ao Distrito Federal e já estava nos acampamentos dos trabalhadores desde 1956, bem no início das obras. Assim, foi concedido a Dom Bosco o título de Co-padroeiro de Brasília.


A Ermida Dom Bosco foi o primeiro templo de alvenaria construído em Brasília, antes da existência do Lago Paranoá. Monumento projetado por Oscar Niemeyer, abriga, desde 1962, uma imagem de Dom Bosco vinda diretamente da Itália, país natal de São João Bosco.
A construção do Santuário Dom Bosco na Asa Sul, em homenagem ao padroeiro de Brasília, São João Belchior Bosco, foi iniciada em 1963 e foi terminada em 23 de maio de 1970, por iniciativa da Congregação Salesiana. Foi projetada pelo arquiteto Carlos Alberto Naves seguindo preceitos da arquitetura moderna, tal qual boa parte da cidade, mas com formas nas aberturas que remetem ao gótico.
O Santuário tem 80 colunas de 16 metros e é decorado por vitrais em 12 tonalidades de azul. No interior, um lustre de 3,5 m de altura, formado por 7.400 peças de vidro murano, simboliza Jesus, a luz do mundo. Portas produzidas em ferro e bronze, com baixos-relevos, lembram a vida de Dom Bosco.

É uma das mais conhecidas Igrejas de Brasília e uma das imagens mais frequentes nos cartões-postais dessa cidade. Ocupa uma boa parte da Quadra 702 Sul, em posição bastante central no Plano Piloto. Entrar no Santuário Dom Bosco é entrar no céu. Os vitrais nos tons de azul são impressionantes. A beleza e a energia do local, nos colocam em oração imediata.
O Santuário foi eleito uma das sete maravilhas de Brasília em 2008 pelo Bureau Internacional de Capitais Culturais (IBOCC), entidade com sede em Barcelona. Com esse título o Santuário foi incluído pelo Governo do Distrito Federal na rota turística de Brasília.

São João Bosco, popularmente conhecido como Dom Bosco, nasceu de uma família muito simples em Castelnuovo, na Itália. Desde pequeno, nutria em seu coração o desejo de dedicar sua vida aos jovens pobres e abandonados.
Célebre por seu amor e dedicação à juventude, Dom Bosco recebia muitas mensagens e inspirações divinas por meio de sonhos — vários deles, algum tempo depois, confirmaram-se.

E um desses seus sonhos mais ilustres, o Sonho dos Nove Anos, completa seu bicentenário em 2026. Foi neste sonho, quando tinha apenas 9 anos de idade, que Dom Bosco teve a revelação de que sua obra junto à Igreja seria cuidar dos jovens.
“Alguns riam, outros divertiam-se, não poucos blasfemavam. Ao ouvir as blasfêmias, lancei-me de pronto no meio deles, tentando, com socos e palavras, fazê-los calar”, relata o santo. Um homem surge com um manto branco, chama por Dom Bosco e profetiza: “Não é com pancadas, mas com a mansidão e a caridade que deverás ganhar esses teus amigos. Põe-te imediatamente a instruí-los sobre a fealdade do pecado e a preciosidade da virtude”.
O Sonho dos Nove Anos é mesmo profético e programático na vida de Dom Bosco, foi a partir dele que o fundador da Família Salesiana viu contemplada sua missão de educador e evangelizador. Este sonho é a síntese de tudo o que Dom Bosco viveu ao longo de sua vida.
Aos poucos, Dom Bosco se convenceu de que sua vida não mais lhe pertencia; ela seria total e unicamente vivida a serviço dos jovens pobres e abandonados. A presença de Jesus e de Maria que, no sonho, confiavam-lhe a missão de salvar os jovens, nunca foi para Dom Bosco uma presença meramente ‘sonhada’, mas uma presença ‘vivida’ e ‘sentida’. Sonho que é uma inspiração para toda a Família Salesiana para realizar a missão em continuidade à missão que o próprio Deus entregou a Dom Bosco.

São João Bosco, mais conhecido como Dom Bosco, foi um dos maiores santos do século XIX, cuja vida foi marcada por uma ardente caridade pelos jovens, um espírito combativo contra os erros do seu tempo e um amor filial à Nossa Senhora Auxiliadora.
Dom Bosco sempre afirmou que tudo o que fazia era por meio da intercessão de Nossa Senhora Auxiliadora. Ele via Maria como a guia e protetora de sua obra, e repetia: “Foi Ela quem fez tudo”. Seu amor filial levou-o a erguer, em Turim, a Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, construída graças a milagres atribuídos à sua intercessão.
Fundador dos Salesianos e exemplo de sacerdote dedicado, deixou à Igreja um legado de educação, espiritualidade e missão que continua vivo em todo o mundo. Dom Bosco foi agraciado com dons sobrenaturais que incluíam curas milagrosas e visões proféticas. Sua vida está repleta de episódios extraordinários que confirmam sua íntima união com Deus.

Os sonhos proféticos revelados por graça de Deus a esse valoroso santo fincaram nele desde cedo a pedra da vocação sacerdotal: tudo girava em torno dos jovens. Sua vida foi permeada por mais de 170 sonhos proféticos, que ele humildemente chamava de “sonhos”, mas que na verdade eram visões sobrenaturais recheadas de símbolos, profecias e explicações de realidades espirituais. Muitos desses sonhos foram detalhados a pedido do Papa Pio IX, para o bem da Congregação Salesiana e dos fiéis.
Sonho Profético na Infância

Aos nove anos, Dom Bosco teve uma visão que definiu sua vocação: ele se viu próximo de casa, em um amplo espaço onde muitos garotos brincavam, mas alguns proferiam blasfêmias. Ao tentar silenciá-los com força física e palavras duras, surgiu um homem de aparência nobre e rosto radiante, que o chamou pelo nome e o instruiu: “Não pela violência, mas pela gentileza e pelo amor deves conquistar esses amigos”. Em seguida, apareceu uma mulher de presença imponente, revelada como mãe daquele homem (Maria), que o orientou a atuar entre aqueles jovens. Essa revelação antecipava toda a missão de Dom Bosco e só foi narrada em detalhes por pedido do Papa Pio IX.
Sonho de Brasília

Embora Dom Bosco jamais tenha visitado a América do Sul, teve uma visão profética onde viajava pelo continente, admirando suas riquezas naturais. Ele relatou: “Entre os graus 15 e 20, havia uma enseada bastante larga que partia de um ponto onde se formava um lago. Disse então uma voz repetidamente: – Quando se vierem a escavar as minas escondidas no meio destes montes, aparecerá aqui a terra prometida, de onde jorrará leite e mel. Será uma riqueza inconcebível”.
Essa localização coincide precisamente com Brasília, inexistente na época, tornando a visão profética e justificando Dom Bosco como co-padroeiro da capital brasileira. Notavelmente, os salesianos foram pioneiros na construção da cidade.
Aos 26 anos, foi ordenado padre e logo deu início a sua missão de recolher os meninos de rua, com o intuito de ensinar-lhes o catecismo e dar-lhes uma oportunidade de uma vida mais digna e feliz. Dessa iniciativa, nasceu o “Oratório”, que intitulou como “Oratório de São Francisco de Sales”, santo que Dom Bosco tomou como modelo.

Por onde passou, São João Bosco, ele deixou rastros de uma vocação voltada à formação, educação e evangelização da juventude.
As intensas atividades pela salvação das almas desgastaram pouco a pouco o padroeiro dos jovens. Durante seus últimos anos, já sentia os flagelos que o cansaço impunha; foi para a cama exausto em dezembro de 1887, e, prevendo sua passagem para a eternidade, convocou seus jovens e disse-lhes: “Nunca se esqueçam destas três coisas: devoção ao Santíssimo Sacramento, devoção à Maria Auxiliadora e devoção ao Santo Padre!”.
Em 31 de janeiro de 1888, padeceu santamente com os nomes de Jesus e Maria nos lábios. Em 1934, o Papa Pio XI canonizou Dom Bosco, chamando-o de “gigante da santidade”.
Seu legado à comunidade cristã persiste. Seu exemplo continua vivo e inspira pessoas de todo o mundo a dedicarem suas vidas ao serviço dos outros, especialmente dos mais jovens e vulneráveis, como é o caso da Família Salesiana presente nos cinco continentes.
Fotos: Reprodução













