Jovens da América Latina e Caribe discutem discutem futuro da segurança alimentar em Brasília

Brasília foi palco do Fórum de Juventudes para a Transformação dos Sistemas Agroalimentares nesta semana. Ali, jovens de toda a América Latina e Caribe se reuniram para discutir o futuro da segurança alimentar da região. Este grupo visa criar um documento que reflita suas preocupações e demandas, ecoando em futuras discussões na conferência regional marcada para março em Brasília. O Fórum resultará em uma declaração com propostas para 39ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe (Larc39), que ocorrerá de 2 a 6 de março, em Brasília.
Em julho de 2025, o Brasil conseguiu sair, pela segunda vez, do Mapa da Fome da ONU. E o que está por trás dessa conquista? Políticas sociais robustas, como o Bolsa Família e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), desempenharam um papel crucial. Mas não parou por aí. Apoiando a agricultura familiar, investindo em capacitação tecnológica e disponibilizando crédito para pequenos e médios produtores, o país colheu os frutos de anos de esforços contínuos. Medidas que fortalecem a segurança alimentar e criam um sistema agrícola mais sustentável.

A abertura contou com a presença do Diretor da FAO para a América Latina e o Caribe, René Orellana; da secretária Nacional de Juventude da Secretaria-Geral de Presidência, Vitória Genuino; da representante da Guatemala e da Liga Continental das Mulheres Indígenas e Camponesas da América Latina, Hilda López; do representante da FAO no Brasil, Jorge Meza; do coordenador de uma rede regional de jovens indígenas da América Latina e do Caribe, Eduardo Peralta; dentre outras importantes presenças.
O representante regional para América Latina e Caribe da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Rene Orellana, ressaltou que as políticas brasileiras estimulam o mercado e promovem alianças produtivas entre grandes, médios e pequenos produtores, um exemplo notável de complemento e cooperação e acrescentou que a juventude, com suas experiências ricas e diversas, pode oferecer propostas inovadoras. “Esperamos que o conhecimento desses jovens ilumine os documentos oficiais”, disse Orellana, reconhecendo a importância de incluir as vozes jovens nos debates sobre segurança alimentar.
O encontro dos jovens do meio rural dos países latino-americanos e caribenhos faz parte das rodadas de consultas a diferentes setores da sociedade civil como preparação para a Larc39. A autoridade boliviana explica que as experiências plurais dos jovens reunidos na capital federal serão sintetizadas em um documento final que servirá como meio de escuta das principais propostas e demandas, mesmo diante de diferentes realidades dos países da região e níveis distintos de desenvolvimento da produção agrícola e de processos industriais. “Nós esperamos que essa experiência e esse conhecimento que eles têm sejam investidos em produzir um documento que guie e que dê luzes aos documentos oficiais que serão discutidos na conferência regional que será realizada em março”.

A secretária Nacional de Juventude da Secretaria-Geral de Presidência, Vitória Genuino, defende que é preciso incluir as soluções que já são produzidas nos territórios pelas juventudes e pelos movimentos sociais, para tê-las como exemplos. “A gente pode fazer esses enfrentamentos [de problemas] a partir de tecnologia social existente. Essa troca de realidades e de experiências é muito importante para a produção de políticas públicas inspiradas no que a sociedade civil já faz”.
Na ponta governamental, a secretária Vitória Genuino indica que o poder público federal tem soluções como assistência técnica e extensão rural aos jovens produtores e outras tecnologias para combater a fome e a insegurança alimentar em áreas periféricas do Brasil, como do Programa Cozinha Solidária do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
A representante da Guatemala e da Liga Continental das Mulheres Indígenas e Camponesas da América Latina, Hilda López, disse que sente falta de jovens em espaços de participação para a tomada de decisões de garantia da segurança alimentar e redução da crise climática. “Tendo esse espaço oportuno, existe muita habilidade, muito talento e muita criatividade para que a juventude possa realizar mudanças significativas daquilo que estamos vivendo pela falta de tomada de decisão a partir das contribuições da juventude”.
A opinião é compartilhada pelo representante da FAO no Brasil, Jorge Meza. O equatoriano defende o protagonismo e o poder de influência dos jovens para cobrar e melhorar os programas que estão sendo implementados atualmente pelo governo de seu respectivo país. “Os jovens precisam ocupar espaços como este para que eles se envolvam de maneira ordenada, sistêmica e propositiva, indo além da simples discussão sobre o desenvolvimento do setor rural, agrícola e o combate à pobreza”.
No Fórum de Juventudes para a Transformação dos Sistemas Agroalimentares da América Latina e Caribe, os participantes relataram que enfrentam barreiras estruturais que restringem o acesso a recursos produtivos, trabalho decente, financiamento, educação, entre outros.

Vindo do povoado quéchua da região andina de Otavalo, no Equador, o coordenador de uma rede regional de jovens indígenas da América Latina e do Caribe, Eduardo Peralta aponta caminhos para enfrentar a crise planetária provocada pelas mudanças climáticas, a poluição e a perda da biodiversidade, com a meta de fortalecer a soberania alimentar.
“É importante cuidar da Mãe Terra, a Pachamama, porque ela nos concede o alimento; é de onde tudo sai, a raiz de onde tudo brota. Com essas sementes, nós também vivemos. Elas são a origem de onde tudo provém”, destacou a liderança equatoriana.
Sobre o êxodo rural, que força a saída prematura dos jovens de suas cidades em busca de melhores oportunidades de subsistência nos grandes centros urbanos, o representante da FAO no Brasil, Jorge Meza, defende que a tecnologia e a inovação cheguem aos campos, florestas e áreas ribeirinhas. “O Estado tem que ajudar a gerar oportunidades para que os jovens fiquem no meio rural. O jovem está muito mais predisposto a trabalhar em contextos de inovação e de tecnologia. Se levadas ao setor rural, eles podem fazer parte desse processo de modernização das atividades produtivas”.

Além da consulta às juventudes latino-americanas, realizada nesta semana, as rodadas de consultas à sociedade civil também vão ouvir os agricultores familiares, comunidades camponesas e afrodescendentes, povos indígenas, pescadores, pastores e consumidores de diversas áreas da América Latina e Caribe.
Nas últimas duas semanas, segundo a FAO, já foram feitas consultas regionais com os setores privado, científico e acadêmico, com o objetivo de promover a coerência regional em temas políticos de alcance global.
Ao final do encontro, será produzida uma declaração conjunta, como reflexo do posicionamento da sociedade civil, que será entregue aos representantes dos Estados Membros da FAO, durante a 39ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe (Larc39).

A Conferência Regional da FAO é um espaço de diálogo técnico e político realizado a cada dois anos e que debate os avanços e desafios no combate à fome e à má nutrição e define as áreas prioritárias de atuação para cada biênio, neste ano o de 2026-2027, rumo à execução do Objetivo do Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) para erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável até 2030.
Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasília e Divulgação













