Dia Nacional da Mulher reforça luta por igualdade, respeito e justiça social

O dia 30 de abril é um símbolo de resistência e conquista para as mulheres brasileiras. Instituído para homenagear Jerônima Mesquita, pioneira na luta e organização do movimento feminista no país que incentivou a participação das mulheres na sociedade e na política. Sufragista, lutou incansavelmente pelo direito ao voto feminino no Brasil. Uma brasileira, como tantas outras espalhadas pelo nosso pais, exemplar, a frente do seu tempo.
Essa herança de luta é um combustível diário para renovar o debate sobre igualdade. Por isso que este não é só mais um dia. Representa a luta no combate a misoginia e ao sexismo, a luta pelo reconhecimento profissional e cidadania feminina. Falar do 30 de abril é reverenciar a resistência que rompeu padrões, a resignação pelos direitos e a conquista da cidadania feminina.
O Dia Nacional da Mulher convida a olhar para trás e entender como os direitos de hoje foram pavimentados no passado. Entre vitórias históricas e novas demandas, o 30 de abril permanece como um marco necessário em 2026. A data reforça que a participação feminina na vida pública e em todos os setores da sociedade é uma jornada contínua por respeito e justiça social.

A trajetória da mineira Jerônima Mesquita (1880–1972), de origem nobre, sendo uma das poucas mulheres com acesso à educação em sua época. A mãe de Jerônima “Maria José Vilas Boas de Siqueira Mesquita” era de uma família de fazendeiros e cafeicultores, seu pai “José Jerônimo de Mesquita” era filho de um dos maiores comerciantes de pedras preciosas do Império.
Ela resolveu ser enfermeira e participar junto com sua mãe de muitos trabalhos de assistência social e movimentos feministas. Jerônima é co-fundadora do movimento Bandeirante, que tinha como objetivo promover a inserção da mulher em todas as áreas da sociedade. Uma das responsáveis pela criação do Conselho Nacional das Mulheres ( 1947), foi também voluntária da Cruz Vermelha de Paris e depois serviu à Cruz Vermelha na Suíça.
Jerônima organizou frentes de assistência social e educação feminina. Foi pioneira na luta pelo voto feminino e foi decisiva para que as brasileiras pudessem, pela primeira vez, chegar às urnas em 1932.
O impacto histórico de sua liderança e coragem vai além do simbolismo. Especialistas apontam que o reconhecimento de figuras como Jerônima ajuda a sociedade a compreender que o feminismo no Brasil possui raízes profundas e estruturadas. É um processo de construção de cidadania que exige análise crítica sobre representação feminina em todos os âmbitos da sociedade.

Carolina Moura, professora e doutora em Ciências da Comunicação, diz que para se ter uma sociedade mais justa no sentido da igualdade de gênero, é preciso que o assunto seja conversado com as crianças, com os jovens, desde a infância mesmo. E que os pais devem redistribuir as tarefas sem divisão de gênero. “Meninas e meninos podem contribuir com os afazerem de casa de forma igualitária”.
“A gente precisa pensar também em políticas públicas e mostrar que o gênero não deve limitar as ocupações”, diz Carolina Moura.

Diferente do Dia Internacional da Mulher (8 de março), que tem cunho global de luta trabalhista, o 30 de abril é focado especificamente na trajetória e nas conquistas das mulheres brasileiras. Em cada uma existe uma história de luta, fé e recomeços silenciosos.
O Dia Nacional da Mulher foi Instituído pela Lei nº 6.791 de 1980, e visa fortalecer a igualdade de gênero, os direitos das mulheres e sua participação política, focando em temas como combate à violência e igualdade salarial.
Fotos: Reprodução Arquivo Nacional/RJ













