A Independência do Brasil também foi construída por mulheres: elas articularam, lutaram e resistiram

Não existe independência verdadeira sem memória, igualdade, direitos e participação das mulheres. A Independência do Brasil não foi construída por um único homem, em um único lugar ou em um único dia. Foi resultado de lutas populares com participação decisiva de mulheres que tiveram seus nomes silenciados pela narrativa oficial, durante muito tempo.
Maria Leopoldina, Maria Felipa, Maria Quitéria e Joana Angélica articularam, lutaram e resistiram. Neste 7 de Setembro, reconhecer a participação das mulheres não é acrescentar um detalhe à história. É contar a história de forma mais completa, plural e democrática.

Maria Leopoldina, a princesa austríaca que casou-se com Dom Pedro, em 1817, e transformou-se em imperatriz do Brasil, em 1822. Os historiadores mencionam a boa capacidade de Leopoldina de fazer a leitura política da situação do Brasil na época da crise com Portugal. A imperatriz participou das articulações políticas que antecederam o 7 de Setembro e presidiu a reunião do Conselho de Estado que recomendou a separação de Portugal. Como a independência do Brasil ocorreu durante a regência da imperatriz Maria Leopoldina, ela se tornou a primeira mulher a governar interinamente o país, em 2 de setembro ocupando o cargo por alguns dias. Teve 7 filhos dentre eles Pedro de Alcântara (futuro imperador Dom Pedro II do Brasil) e faleceu aos 29 anos em 11 de dezembro de 1826.

Maria Felipa de Oliveira, mulher negra, marisqueira e liderança popular, mobilizou mulheres e homens na resistência contra as forças portuguesas na Ilha de Itaparica. A escrava liberta foi uma importante liderança na resistência contra os portugueses. Foi uma heroína ao liderar um grupo de quase 200 pessoas contra as tropas e embarcações portuguesas que se encontravam próximas à ilha. As pessoas do grupo usavam facões, pedaços de pau e galhos com espinhos como armas. O grupo chegou a queimar mais de 40 barcos dos portugueses.

Maria Quitéria de Jesus enfrentou as limitações impostas às mulheres de sua época, raspou o cabelo e integrou as tropas masculinas em combate. Foi a heroína pela consolidação da Independência do Brasil travadas na Bahia contra portugueses em 1822. Inicialmente disfarçada como homem, após o conflito ela foi reconhecida por seus superiores e por D. Pedro I, imperador do país recém-independente. A baiana foi a primeira mulher a entrar numa unidade militar no Brasil.

Joana Angélica de Jesus, a religiosa que tornou-se símbolo de coragem. A madre foi a primeira mártir da Independência do Brasil, morta ao tentar impedir que os soldados invadissem o Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa na Bahia sob o pretexto de haver patriotas escondidos. No dia 19 de fevereiro de 1822, os soldados portugueses derrubaram a porta do convento a golpes de machado. A entrada da clausura, Joana Angélica enfrentou os invasores e foi assassinada pelo golpe de uma baioneta e faleceu logo depois. Foi declarada Heroína da Independência do Brasil.

Ao lado delas, muitas outras mulheres indígenas, negras, trabalhadoras e anônimas participaram das mobilizações, enfrentaram conflitos, protegeram suas comunidades e ajudaram a construir a história do país.
Vamos saudar todas as mulheres que ao longo da história foram invisibilizadas. Que a história continue sendo escrita com liberdade, respeito e justiça. O país se fortalece na promoção da cidadania e dos direitos fundamentais.
Fotos: Domínio público e Reprodução













