Santa Teresa de Calcutá: símbolo mundial de amor e misericórdia

Bernadete Alves
Santa Teresa de Calcutá: “Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz”

Neste 5 de setembro, a Igreja celebra Santa Teresa de Calcutá, que fez da própria vida uma entrega aos mais pobres entre os pobres. Teresa, virgem e religiosa, é testemunha da caridade cristã e serva incansável dos pobres e dos que sofrem. Nas ruas da Índia, acolheu pessoas abandonadas, cuidou dos enfermos e acompanhou os moribundos, reconhecendo em cada um a presença de Cristo.

Nascida em Skopje, em 1910, Madre Teresa tornou-se conhecida em todo o mundo por uma caridade feita de gestos concretos. Fundadora das Missionárias da Caridade, devolvia cuidado e dignidade a quem vivia à margem da sociedade. Faleceu em 5 de setembro de 1997 e foi canonizada pelo Papa Francisco em 4 de setembro de 2016.

Na Exortação Apostólica Dilexi te, o Papa Leão XIV recorda a ternura com que a santa se aproximava dos que sofriam: “Recolhia os rejeitados, lavava as suas feridas, acompanhava-os até ao momento da morte com uma ternura que era prece”.

Bernadete Alves
5 de setembro é Dia de Santa Teresa de Calcutá: símbolo mundial de amor e misericórdia

Esse amor também se expressava no anúncio do Evangelho. Madre Teresa desejava que os pobres soubessem que eram amados por Deus e que suas vidas tinham valor. Por isso, além de atender às necessidades materiais, procurava oferecer presença, escuta e respeito a quem tantas vezes era tratado com indiferença.

Leão XIV destaca que toda essa dedicação nascia de uma profunda espiritualidade. O serviço aos mais pobres era fruto da oração e do amor, capaz de gerar a verdadeira paz. Ao recordar as palavras de São João Paulo II por ocasião da beatificação de Madre Teresa, o Pontífice ressalta que a santa encontrava forças na oração e na contemplação silenciosa de Jesus Cristo.

A intimidade com o Senhor sustentava suas mãos no cuidado das feridas e seus passos ao encontro dos abandonados. Como recorda a Dilexi te, Teresa se reconhecia como esposa de Cristo crucificado, a quem servia com amor total nos irmãos sofredores.

Bernadete Alves
Santa Teresa de Calcutá: símbolo mundial de amor e misericórdia

O retrato oficial de Santa Teresa de Calcutá colocado na fachada da Basílica de São Pedro para a sua canonização foi pintado pelo artista norte-americano Chas Fagan.

Agnes Gonxha Bojaxhiu, conhecida pelo seu nome de consagração: Madre Teresa de Calcutá, iluminou aqueles que encontravam-se nas trevas do desamor, desprezo, desesperança e morte. A capacidade de amar a Deus dá-se, sobretudo, na medida em que a pessoa conforma-se e abraça a Cruz, pois é nela que estão as respostas para todos os sofrimentos da vida, e é por ela que o cristão entra na Vida Eterna, porque não existe Glória sem o Calvário.

Ela nos lembra que não precisamos fazer coisas grandiosas para transformar o mundo. Muitas vezes, é um gesto pequeno, feito com amor, que muda o dia de alguém. Uma palavra, uma ajuda, uma oração, um cuidado… nas mãos de Deus, nada é pequeno.

Com mãos dispostas a servir e um coração inteiramente entregue a Deus, Madre Teresa fez de sua vida um testemunho de amor e compaixão. A religiosa reconhecia o próprio Cristo nos rostos esquecidos, nos corpos feridos e na solidão daqueles que já não tinham ninguém. Não realizou apenas grandes obras: realizou, sobretudo, pequenos gestos com um amor extraordinário.

Santa Teresa de Calcutá, rogai por nós, para que saibamos estender a mão, ofereceu uma palavra de consolo, um olhar que acolhe e ter coragem de permanecer ao lado de quem sofre. Que sua memória nos ensine a amar sem escolher a quem, a servir sem esperar reconhecimento, levar a paz de Deus por onde passarmos e a reconhecer Jesus nos mais humildes e amá-los com gestos concretos de cuidado e ternura!

Bernadete Alves
Santa Teresa de Calcutá: símbolo mundial de amor e misericórdia com todos
Bernadete Alves
Madre Teresa de Calcutá recebe o Prêmio Nobel da Paz (1979)

Nascida Agnes Gonxhe Bojaxhiu, em 26 de agosto de 1910, em Skopje, então parte do Império Otomano, ingressou ainda jovem nas Irmãs de Loreto. Em 1929, chegou à Índia, onde dedicou grande parte de sua vida ao ensino e à formação de jovens.

Em 1946, durante uma viagem de trem, Teresa experimentou aquilo que chamou de seu “chamado dentro do chamado”: deixar o trabalho no convento para sair ao encontro dos mais pobres, vivendo entre eles e servindo aqueles que eram esquecidos pela sociedade.

Em 1950, recebeu a aprovação para fundar a congregação das Missionárias da Caridade, em Calcutá. A congregação cresceu e passou a atuar junto aos pobres, doentes, órfãos, pessoas em situação de abandono e moribundos.

Madre Teresa de Calcutá recebe o Prêmio Nobel da Paz, em outubro de 1979. Na cerimônia de entrega, em Oslo, renunciou ao banquete e doou todo o dinheiro do prêmio aos pobres, afirmando que sua missão era simplesmente servir a Cristo nos mais pobres.

Bernadete Alves
Papa João Paulo II com a Madre Tereza, religiosa que dedicou a vida aos pobres

Nesse mesmo ano, João Paulo II recebe a Madre em audiência privada e a nomeia embaixadora do Papa em todas as nações. Muitas universidades lhe conferiram o título “Honoris Causa”. E em 1980, recebe a ordem “Distinguished Public Service Award” nos EUA.

Madre Teresa recebeu do Presidente norte-americano Ronald Reagan, na Casa Branca, a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta condecoração do país. Em agosto de 1987, vai à União Soviética e é condecorada com a Medalha de ouro do Comitê Soviético da Paz. Em agosto de 1989, realiza um dos seus sonhos: abrir uma casa na cidade Albânia, sua terra natal.

Bernadete Alves
Presidente dos EUA Ronald Reagan durante homenagem a Madre Teresa de Calcutá

Após um ataque cardíaco, em 1983, sua saúde fica bastante comprometida. Por isso, em 1990, solicitou ao papa João Paulo II seu afastamento do trabalho da Ordem. Seis anos mais tarde, ela voltaria a ser eleita Madre Superiora da Ordem, mas já bastante debilitada.

Publicou o livro “Caminho de Simplicidade”, no qual recolhe a doutrina religiosa que impulsionou sua vida de dedicação aos pobres.

Bernadete Alves
Funeral de Madre Teresa de Calcutá em 1997 no Estádio Netaji

Madre Teresa de Calcutá morreu no dia 05 de setembro de 1997, depois de sofrer uma parada cardíaca. Seu corpo foi transladado ao Estádio Netaji, onde o cardeal Angelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano, celebrou a missa de corpo presente. O mesmo veículo que em 1948 transportou o corpo de Mahatma Gandhi foi utilizado para realizar o cortejo fúnebre da “Mãe dos pobres”. O funeral contou com a presença de chefes de Estado e governantes de todo o mundo.

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Santa Teresa: uma pequena mulher que fez da sua vida um imenso testemunho de amor

Vaticano reconheceu o primeiro milagre atribuído à intercessão da Madre Teresa: a cura de uma mulher de Bangladesh chamada Monika Besra, de 30 anos, que sofria de um tumor abdominal, em 2002. A mulher se curou depois que as irmãs da congregação a presentearam com uma medalha milagrosa da Virgem, que antes havia sido usada pela beata.

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Madre Teresa é canonizada pelo Papa Francisco em 2016

Foi beatificada por João Paulo II no dia 19 de outubro de 2003, em Roma, durante uma cerimônia que teve a presença de 300 mil fiéis. A canonização de Madre Teresa de Calcutá foi celebrada pelo Papa Francisco no dia 4 de setembro de 2016, na Praça de São Pedro, em Roma. Muitos fiéis e peregrinos, autoridades civis e religiosas de diversos cantos do mundo participaram da cerimônia que reuniu 120 mil pessoas. O retrato oficial de Santa Teresa de Calcutá colocado na fachada da Basílica de São Pedro para a sua canonização foi pintado pelo artista norte-americano Chas Fagan.

Bernadete Alves
Imagem de Santa Teresa de Calcutá, na Basílica de São Pedro, no Vaticano

Fotos: Casa Branca /Domínio Público, Vaticano e Reprodução