Presidente Lula sanciona leis que criam fundos especiais para modernizar instituições e ampliar o acesso à Justiça

Bernadete Alves
Presidente Lula recebe Fachin, Gonet e Jorge Messias durante sanção de leis que facilitam o acesso da população à Justiça

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou na manhã desta sexta-feira, 4 de setembro, leis que criam fundos especiais para aperfeiçoamento da Justiça Federal, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), da Defensoria Pública da União (DPU) e do Ministério Público da União (MPU), para aumentar as fontes de recursos, com o objetivo de modernizar as instituições e ampliar o acesso da população à Justiça.

A Lei 9.289/1996, trata das custas da Justiça Federal, e a Lei 11.636/2007, relativa às custas do STJ. O texto também institui o Fundo Especial da Justiça Federal (Fejufe) e o Fundo Especial do Superior Tribunal de Justiça (FESTJ).

A legislação não cria despesas para a União, não envolve transferência de recursos do Tesouro Nacional e veda a utilização dos valores arrecadados para gastos com pessoal. O novo modelo estabelece ainda a progressividade no pagamento das custas: causas de maior valor terão cobrança proporcionalmente mais elevada, enquanto as pessoas mais vulneráveis continuarão amparadas pelas hipóteses de gratuidade previstas em lei.

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Presidente Lula sanciona leis que criam fundos especiais para modernizar instituições e ampliar o acesso à Justiça

A Cerimônia de Sanção no Palácio do Planalto, foi considerada histórica e contou com a participação de autoridades dos três poderes. Dentre eles: o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin; o presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão; o procurador-geral da República, Paulo Gonet;  o advogado-geral da União, ministro Jorge Messias; o ministro do STJ Herman Benjamin; o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva; o corregedor do Conselho Nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves; a defensora pública-geral da Defensoria Pública da União; Tarcijany Linhares Aguiar Machado; a desembargadora Daniele Maranhão, representante do Tribunal Regional Federal da 1ª Região; o desembargador Luís Antonio Johonsom Di Salvo, presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região; o desembargador João Batista Pinto Silveira, presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região; o secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Marcelo Weick; o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; dentre outras importantes presenças.

O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que a aplicação da legislação brasileira deve ser a mesma para todos os cidadãos.

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Presidente Lula recebe autoridades durante ato histórico para a Justiça brasileira

Para Lula, todos devem estar subordinados aos mesmos trâmites da legislação. “Afinal de contas, ela [a lei] vale para todos”, afirmou o presidente da República.

Dirigindo-se ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, o presidente da República cobrou transparência para contornar a crise, sob pena de o Poder Judiciário perder a credibilidade da opinião pública. “O que nós não podemos, neste país, é oficializar a indústria da fake news, a indústria dos vazamentos seletivos por interesses políticos e econômicos. Não é possível”, lamentou Lula.

O presidente Lula apontou que esses vazamentos colocam em risco a democracia brasileira.  “Estamos vivendo uma época muito perigosa. O denuncismo, as fake news, os vazamentos [de dados de investigações] não contribuem com a democracia”.

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“Nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado de Direito”, diz Fachin

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), reiterou que essa é uma da bandeiras do STF. E disse que a sanção das leis marca um dia histórico para a Justiça brasileira e concretiza o propósito de levar os serviços do Judiciário para mais perto de quem precisa.

Fachin também comentou os recentes episódios envolvendo ministros do STF. “Os fatos estão sendo apurados. Esta Presidência seguirá os procedimentos estabelecidos pela Constituição e pela legislação. Faremos o que é certo, no tempo e pela forma que a ordem jurídica exige. As instituições da República precisam ser preservadas, sobretudo no momento de maior tensão.”

O presidente do Supremo prosseguiu salientando que “a gravidade dos fatos não autoriza atalhos” e afirmou que os episódios recentes reforçam as medidas que pretende implementar até o fim de sua gestão à frente da Corte.

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Ministro Edson Fachin, presidente do STF, durante sanção de leis que criam fundos para modernizar o sistema de Justiça

“Quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo e as garantias constitucionais. Os acontecimentos recentes demonstram o acerto e a urgência de três metas da nossa gestão: a adoção de um código de ética, o fim do Inquérito das Fake News e a modernização do sistema de Justiça”, concluiu Fachin.

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Presidente Lula recebe autoridades durante ato histórico que facilita acesso da população à Justiça

O  presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou também a nova lei de custas da Justiça Federal e do Superior Tribunal de Justiça. A nova legislação atualiza um modelo vigente há mais de duas décadas e contribui para ampliar o acesso da população à Justiça Federal.

“As custas da Justiça Federal estavam congeladas desde 2001. Uma causa de duzentos mil reais e uma causa de duzentos milhões pagavam exatamente o mesmo valor: mil novecentos e quinze reais. Não há justiça nisso. Há um subsídio invertido: o contribuinte comum financiava o litígio de alto valor”, afirmou o presidente do STJ Luis Felipe Salomão.

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Presidente do STJ Luis Felipe Salomão e o ministro da Justiça Wellington César Lima e Silva

O ministro Salomão ressaltou que a mudança busca fortalecer o caráter social da Justiça Federal e ampliar o acesso aos seus serviços.  “A Justiça Federal não é a justiça das elites. É a justiça do aposentado. Da mãe que pede o benefício para o filho com deficiência. Do agricultor familiar. Do pescador artesanal. Do ribeirinho a quem a Justiça precisa chegar de barco”.

O presidente do STJ lembrou que a proposta nasceu no tribunal há 13 anos e passou por uma longa construção de consenso entre o Judiciário, o Congresso Nacional e o Poder Executivo. Segundo ele, a nova lei protege os mais vulneráveis, estabelece a cobrança proporcional das custas para causas de maior valor e transforma os recursos arrecadados em serviços para a sociedade, sem repasses do Tesouro Nacional e sem a criação de novos impostos.

“Cada real será destinado à modernização e à ampliação do acesso à Justiça: justiça itinerante, mutirões previdenciários, varas no interior e presença da Justiça na Amazônia, nas fronteiras e junto aos povos indígenas e tradicionais”, completou o presidente do STJ.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, ressaltou que a nova legislação é fruto de uma convergência entre os três Poderes em favor do bom funcionamento das instituições. Pelo texto aprovado, o Ministério Público passa a contar com uma fonte permanente de recursos destinados à defesa da cidadania.

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Presidente Lula sanciona leis que criam fundos especiais para modernizar instituições e ampliar o acesso à Justiça

As instituições terão recursos destinados à modernização e ao aparelhamento das instituições, à melhoria da infraestrutura, à aquisição de equipamentos e softwares e à capacitação de magistrados e servidores. As medidas também ampliam a capacidade de atendimento da Defensoria Pública da União a grupos vulneráveis.

Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, o fortalecimento das instituições é fundamental para garantir que os serviços públicos alcancem especialmente a população que mais precisa.

“Valorizar a vida e a institucionalidade brasileira significa também reduzir desigualdades e não deixar as pessoas carentes ou desassistidas. A Defensoria Pública está sendo muito bem contemplada, para que possa se desenvolver, ampliar a estrutura e preservar os serviços prestados às pessoas mais carentes. Todo o sistema de Justiça poderá se reestruturar para atender cada vez melhor o cidadão brasileiro”, afirmou durante o ato de assinatura no Palácio do Planalto.

Fundos ampliam capacidade institucional

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Presidente da República sanciona leis que criam fundos para modernizar instituições do sistema de Justiça

As leis instituem o Fundo Especial da Justiça Federal (Fejufe), o Fundo Especial do Superior Tribunal de Justiça (FESTJ), o Fundo de Fortalecimento do Acesso à Justiça, Promoção dos Direitos Fundamentais e Estruturação da Defensoria Pública da União (FDPU) e o Fundo de Modernização do Ministério Público da União (FMPU).

Os recursos poderão ser utilizados para o aperfeiçoamento das atividades institucionais, modernização tecnológica, infraestrutura, aquisição de equipamentos e softwares e capacitação.

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Presidente da República com o presidente do Supremo durante sanção de medidas para modernizar sistema de justiça

No caso da Justiça Federal, o Fejufe terá entre suas fontes receitas relacionadas às custas e multas judiciais, além de outras previstas na legislação. Os recursos serão destinados à expansão e ao aperfeiçoamento da atividade jurisdicional, à ampliação do acesso à Justiça, à modernização e ao aparelhamento da instituição e à capacitação de magistrados e servidores.

O FESTJ terá como foco o fortalecimento da atividade institucional e a modernização do Superior Tribunal de Justiça. Já o FDPU permitirá investimentos na estrutura e na atuação da Defensoria Pública da União, inclusive no atendimento a grupos vulneráveis.

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Presidente do Supremo com o Diretor da PF Andrei Rodrigues

O FMPU, por sua vez, apoiará a modernização do Ministério Público da União, além de ações relacionadas à atuação institucional, ao atendimento à sociedade e às vítimas e à capacitação.

Fotos: Reprodução