Constituição Cidadã: símbolo da democracia e pilar do ordenamento jurídico brasileiro comemora 38 anos

Bernadete Alves
Assembleia Constituinte e Cidadã: o berço da Constituição Federal

Há 38 anos, neste 5 de outubro, o Brasil promulgava a Constituição Cidadã, o maior conjunto de normas que rege o país. A Constituição de 1988 marcou o fim da ditadura militar e a volta da democracia no Brasil. Ela é como um grande manual de instruções para o país, garantindo direitos fundamentais, organizando o governo e definindo os deveres do Estado. É o pilar do ordenamento jurídico brasileiro.

A Carta Magna trouxe avanços em relação aos direitos e garantias de brasileiras e brasileiros, além de dar voz à sociedade civil organizada e consolidar o Estado Democrático de Direito. Ela disciplina o ordenamento jurídico e organiza o papel do poder público, definindo atribuições dos municípios, estados, União e dos três Poderes da República. Desde a promulgação da atual Constituição, o Brasil vive o mais longo período de estabilidade institucional de sua história.

A Constituição brasileira ficou conhecida como Constituição Cidadã, porque apresenta cláusulas essenciais à manutenção e ao fortalecimento da democracia, como o pluralismo político, o voto direto e secreto, a garantia dos direitos políticos individuais, o princípio da anterioridade da lei eleitoral e as condições de elegibilidade do cidadão que concorre a determinado cargo eletivo.

A nossa Constituição tem 245 artigos e mais de 1.600 regras. Para você ter uma ideia, a Constituição dos Estados Unidos tem só 7 artigos! Isso porque a nossa tenta resolver desde questões econômicas até sociais, garantindo que ninguém fique para trás.

Bernadete Alves
Assembleia Constituinte e Cidadã: o berço da Constituição Federal

Em 1986, durante a presidência de Sarney, houve eleições para o Congresso Nacional de deputados e senadores, onde os 559 eleitos formaram a Assembleia Constituinte, que elaborou a nova Constituição entre 1987 e 1988.

A maioria dos constituintes era de partidos do chamado Centro Democrático, partidos como PMDB, PFL, PTB e PDS. A Constituição de 1988 foi elaborada por uma Assembleia Nacional Constituinte coordenada pelo deputado federal Ulysses Guimarães, do PMDB. Entre os Constituintes estavam figuras importantes como Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República e Luiz Inácio Lula da Silva, atual presidente do Brasil.

Teve forte participação da sociedade civil com milhões de assinaturas em emendas populares durante sua criação. A Assembleia Constituinte colocou os direitos fundamentais do cidadão no centro das decisões do Estado.

O resultado de mais de 19 meses de Assembleia foi a Constituição Federal de 1988, apelidada de cidadã. É uma das mais extensas constituições já escritas, com 245 artigos e mais de 1,6 mil dispositivos. 

Bernadete Alves
Constituição Cidadã: símbolo da democracia e pilar do ordenamento jurídico brasileiro comemora 38 anos

A Constituição de 88 permitiu que jovens entre 16 e 17 anos pudessem votar, o que configurou um marco mundial. Muitos países só deixam as pessoas votarem aos 18 anos, mas aqui você pode começar a participar da democracia antes!

Jornada de trabalho de 8 horas diárias e 44 semanais, direito ao 13º salário, proibição de trabalho noturno ou perigoso para menores de 18 anos. Sem esses direitos, muita gente poderia ser explorada. 

Você sabia que o Brasil é um dos poucos países que protege o meio ambiente na própria Constituição? O Artigo 225 diz que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado”. Isso significa que o governo e a sociedade têm o dever de cuidar da natureza.

O Brasil abriga a Amazônia e uma biodiversidade incrível, portanto essa regra ajuda a preservar nossa riqueza natural.

Bernadete Alves
Conquistas da Constituição Cidadã

Direito à educação gratuita: a educação pública, gratuita e universal é garantida pela Constituição, mas ainda enfrenta desafios como infraestrutura precária e falta de professores;

Direito ao salário mínimo: você sabia que o salário mínimo deveria cobrir alimentação, saúde, moradia, lazer e transporte? Segundo o DIEESE, o salário mínimo ideal deveria ser de R$ 6.547, mas o valor oficial é muito inferior;

Direito à saúde pública: a criação do SUS garantiu saúde gratuita, mas enfrenta problemas de financiamento e longas filas;

Direito à igualdade: o Artigo 5º declara que “todos são iguais perante a lei”. Isso significa que ninguém pode ser discriminado por sua cor, gênero, religião ou orientação sexual. Apesar desse direito, o Brasil ainda lidera rankings de violência contra mulheres, negros e pessoas LGBTQIA+;

Direito à moradia: mais de 6 milhões de pessoas estão sem casa no Brasil, mesmo com o direito à moradia garantido na Constituição. O direito à moradia é garantido, mas milhões de brasileiros ainda enfrentam falta de habitação;

Direito à liberdade religiosa: você tem o direito de praticar sua fé (ou não ter religião), sem sofrer preconceito. Mas casos de intilerância religiosa vêm crescendo, com muitas denúncias todos os dias;

Direito ao lazer: a Constituição garante igualdade, liberdade religiosa e lazer, mas casos de discriminação e falta de espaços acessíveis ainda são comuns.

Fotos: Agência Brasil (arquivo).