Litio pode reverter males de radiação no cérebro

Litio pode reverter males de radiação no cérebro  - Bernadete Alves
Litio pode reverter males de radiação no cérebro

Cientistas do Instituto Karolinska, da Suécia , concluíram em uma experiência com ratos, que o lítio pode reverter os malefícios da radiação no cérebro, podendo o seu uso ser promissor para tratar crianças que foram sujeitas a radioterapia e desenvolveram posteriormente déficits de memória e aprendizagem.

O estudo foi publicado hoje (14) na revista da especialidade Molecular Psychiatry. De acordo com os pesquisadores a capacidade de memória e aprendizagem dos roedores melhorou quando foram tratados com lítio (metal) após, numa fase inicial da vida, o seu cérebro ter sido submetido a doses de radiação não especificadas.

Litio pode reverter males de radiação no cérebro  - Bernadete Alves
Litio pode reverter males de radiação no cérebro

A autora principal do estudo, Giulia Zanni, considera que o lítio, “dado segundo as diretrizes do modelo” testado em ratos, “pode ajudar a curar as lesões causadas pela radioterapia, mesmo ao fim de muito tempo”. O estudo concluiu ainda que apenas as células sujeitas a radiação são afetadas pela ação do lítio.

O grupo de investigação do Instituto Karolinska, da Suécia, já tinha sugerido anteriormente que o lítio protege o cérebro contra lesões se for administrado juntamente com a radioterapia, segundo a RTP, emissora pública de televisão de Portugal.

O Lítio é um elemento químico de símbolo Li, número atómico 3 e massa atómica 7 u, contendo na sua estrutura três protons e três electrons. Na tabela periódica dos elementos químicos, pertencente ao grupo 1, entre os elementos alcalinos. Na sua forma pura, é um metal macio, de coloração branco-prateada, que se oxida rapidamente no ar ou na água. É um elemento sólido porém leve, sendo empregado especialmente na produção de ligas metálicas condutoras de calor, em baterias elétricas e, seus sais, no tratamento do transtorno bipolar.

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Pesquisas anteriores sugerem que o Litio retarda o envelhecimento celular, um dos fatores relacionados a doenças neurodegenerativas.  O uso de lítio no combate ao Alzheimer tem sido objeto de diversos grupos de pesquisa há mais de uma década.

O Alzheimer é uma doença que causa uma deteriorização do funcionamento cerebral com perda de funções cognitivas, prejuízos de atenção, memória e inteligência, dentre outros efeitos.

Novos resultados obtidos por cientistas do Brasil e dos Estados Unidos sugerem que os efeitos benéficos da droga para a memória podem estar relacionados à sua capacidade de retardar o envelhecimento celular, um dos fatores relacionados ao surgimento de doenças neurodegenerativas.

Litio pode reverter males de radiação no cérebro  - Bernadete Alves

Os dados deste importante estudo foram apresentados por Tânia Viel, professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), no dia 10 de Setembro, durante a 34ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), em Campos do Jordão (SP). Parte da pesquisa foi conduzida durante o período que a professora Viel passou no Buck Institute for Research on Aging, nos Estados Unidos, com apoio de bolsa da FAPESP.

Um estudo anterior do grupo havia mostrado que, quando administrado em doses muito pequenas, o metal, usado como estabilizador de humor em pacientes com transtorno bipolar e depressão, ajuda na manutenção da memória de idosos com Alzheimer.

Para testar o efeito do medicamento em células cerebrais humanas, a professora Viel recorreu a uma técnica de reprogramação que permite transformar células adultas – do sangue ou do fibroblasto (camada mais interna da pele) – em células-tronco pluripotentes induzidas (IPS, na sigla em inglês), que posteriormente foram induzidas a se diferenciar em astrócitos, o tipo celular mais abundante do sistema nervoso central.

Os testes continuam com outros modelos celulares e novos testes em pacientes. O lítio será testado no contexto das diferentes hipóteses que explicam o Alzheimer, tendo em vista que não são conhecidas exatamente as causas da doença. Posteriormente, grupos de idosos com e sem a doença serão acompanhados para observar a diferença entre eles. A ideia é entender quais são os agentes protetores do cérebro de idosos saudáveis.

A pesquisadora lembra que estudos anteriores do grupo mostram que um estilo de vida saudável, com atividades físicas e intelectuais, protege o cérebro da doença. Para Tânia Viel, como não se sabe qual ser humano desenvolverá a doença, quanto mais aumentar a estimulação na vida dele, melhor vai ser para a proteção do cérebro. “É mudar a própria rotina. Muita gente fala que não teve tempo para fazer outras coisas, mas se a pessoa tiver condições e puder passear no quarteirão, já começa por aí, fazer uma atividade física e uma atividade lúdica, passear com cachorro, com filho, curso de idiomas, de dança. Isso ajuda a preservar o cérebro”,recomenda a professora Tânia Viel.