OMS promove ‘Uso Consciente de Antibióticos’

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A Organização Mundial da Saúde iniciou na segunda-feira a Semana Mundial do Uso Consciente de Antibióticos. A programação vai até domingo dia 24 e tem por meta mostrar que o uso inadequado de antibióticos faz com que as bactérias se alterem, tornando-se resistentes a medicamentos.

A resistência bacteriana hoje em dia é considerada pela OMS  uma das 10 maiores ameaças à saúde pública global. Infecções como pneumonia, tuberculose e gonorreia, estão se tornando cada vez mais difíceis e, às vezes, impossíveis de tratar. A OMS estima que pelo menos 700 mil pessoas morrem por ano devido a doenças resistentes a medicamentos antimicrobianos e alerta que o número de mortes pode chegar a 10 milhões, a cada ano, até 2050, mantido o cenário atual.

Ana Paula Assef, chefe do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz, diz que o uso consciente de antibióticos requer a atuação de diversos atores, que vão desde a população em geral até profissionais da saúde e indústria farmacêutica.

OMS promove uso consciente de antibióticos - Bernadete Alves

No Brasil, a taxa de consumo é 22,75, a maior entre os países americanos com dados disponíveis. O país é seguido por Bolívia, com taxa de consumo de 19,57 doses diárias definidas por cada mil habitantes; Paraguai, com 19,38; Canadá, com 17,05; Costa Rica, com 14,18; e Peru, com 10,26.

O médico infectologista Hélio Bacha, consultor técnico representante da Sociedade Brasileira de Infectologia no Conselho Científico da Associação Médica Brasileira, informa que grande parte do uso do antibiótico no Brasil, especialmente o ambulatorial, é desnecessária. “Há uma pressão muito grande por parte da população, que acha que antibiótico é medicação eficaz para todo tipo de infecção e há uma formação médica nem sempre adequada para distinguir o bom uso do antibiótico”.

OMS promove uso consciente de antibióticos - Bernadete Alves

Bacha disse que grande parte das doenças infecciosas virais e mesmo infecções bacterianas tem cura espontânea. É preciso, portanto, “melhorar a prescrição por parte dos médicos. E isso não basta, se não houver consciência coletiva da população. [É preciso] melhorar o nível de saber dessa população dos limites do uso do antibiótico e das ameaças que isso traz.”

Segundo a OMS, há uma série de ações que podem ser tomadas pela população, profissionais de saúde, gestores em saúde, setor agrícola e a indústria da saúde. Os profissionais da saúde podem ter mais cuidado e prescrever antibióticos de forma correta e consciente, escolhendo melhor o medicamento na hora de receitá-lo.

A população pode: Prevenir infecções, lavando as mãos regularmente;  praticando uma boa higiene alimentar; evitando contato próximo com pessoas doentes; manter atualizado o calendário de vacinação;  usar antibióticos apenas quando indicado e prescrito por um profissional de saúde; seguir a prescrição à risca; evitar reutilizar antibióticos de tratamentos prévios que estejam disponíveis em domicílio, sem adequada avaliação de profissional de saúde; e não compartilhar antibióticos com outras pessoas.

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Profissionais de saúde podem: prevenir infecções ao garantir que as mãos, os instrumentos e o ambiente estejam limpos; manter a vacinação dos pacientes em dia; quando uma infecção bacteriana é suspeita, realizar culturas e testes bacterianos para confirmá-la; prescrever e dispensar antibióticos apenas quando realmente forem necessários; e prescrever e dispensar o antibiótico adequados, assim como sua posologia e período de utilização.

Os gestores em saúde podem: implantar um robusto plano de ação nacional para combater a resistência aos antibióticos; aprimorar a vigilância às infecções resistentes aos antibióticos; reforçar as medidas de controle e prevenção de infecções;  regulamentar e promover o uso adequado de medicamentos de qualidade;  tornar acessíveis as informações sobre o impacto da resistência aos antibióticos; e incentivar o desenvolvimento de novas opções de tratamento, vacinas e diagnóstico.

O setor agrícola pode: garantir que os antibióticos dados aos animais – incluindo os produtores de alimentos e os de companhia – sejam usados apenas no tratamento de doenças infecciosas e sob supervisão de um médico veterinário;  vacinar os animais para reduzir a necessidade do uso de antibióticos e desenvolver alternativas ao uso de antibióticos em plantações; promover e aplicar boas práticas em todos os passos da produção e do processamento de alimentos de origem animal e vegetal;  adotar sistemas sustentáveis com melhor higiene, biossegurança e manejo dos animais livre de estresse;  e implementar normas internacionais para o uso responsável de antibióticos estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal, FAO [Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura] e OMS.

A indústria da saúde pode: investir em novos antibióticos, vacinas e diagnósticos.