Solidão compromete velhice saudável

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A terceira idade é uma fase da vida, vista pela maioria da população, como um momento para descansar e se divertir com qualidade de vida e segurança. Menos para mulheres que chefiaram sozinhas seus lares e que na velhice cansadas e com problemas de saúde, não conseguem usufruir plenamente desta condição.

As pessoas que vivem desacompanhadas ou por opção ou porque os filhos já saíram de casa, passaram a vida trabalhando e não conseguiram ter estabilidade financeira para aproveitar esta fase da vida. O medo de ficar sozinha durante a velhice são alguns dos obstáculos que impede a mulher  de envelhecer com saúde e qualidade de vida.

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Médicos e pesquisadores defendem mais estudos e a capacitação de profissionais para auxiliar as pessoas que vivem sozinhas. Segundo os geriatras a saúde mental pode ficar comprometida porque as mudanças sentidas com o envelhecimento têm sido difíceis. Andar pelas ruas, pegar um ônibus, viajar de férias, são motivos de insegurança para as mulheres mais maduras.

A sentença da solidão feminina não é exclusividade das mulheres de Brasília. Uma nova pesquisa, publicada na revista Health Psychology, sugere que nível de solidão pode impactar diretamente na gravidade e na resposta do organismo a uma doença.

Todas as pessoas que participaram do estudo, tanto mulheres quanto homens, tiveram a mesma chance de ficar doentes, mas aquelas que relataram sentir-se mais solitárias manifestaram os sintomas de resfriado como dor de garganta, espirro e coriza mais graves do que as que não se sentiam sozinhas. Segundo os resultados, os participantes solitários apresentaram uma probabilidade 39% maior para os sintomas mais agudos.

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Os pesquisadores ressaltaram que a quantidade de interações sociais que as pessoas tinham pelas redes não teve um impacto significativo, o que sugere que o próprio sentimento de solidão pode afetar a saúde. “Você pode se sentir sozinho mesmo em uma sala cheia de pessoas”, disse uma das autoras da pesquisa Angie LeRoy, da Universidade de Houston e Universidade Rice, nos Estados Unidos, segundo o site da revista americana Time. “Não importa com quantas pessoas você tem amizade em suas redes sociais. Se elas não são significativas em sua vida, não fará diferença.”

 

Os cientistas concluíram que a qualidade dos relacionamentos é mais importante do que a quantidade de amigos. “Se você está tentando reverter esse sentimento, aumentar o número de contatos, por exemplo, não irá ajudar”, explicou à NPR Julianne Holt-Lunstad, professora de psicologia e neurociência da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos.

Estudos anteriores já mostraram que os sentimentos podem interferir na qualidade de vida, aumentando o risco de doenças ou impactando os sintomas. A razão para isso ainda não é totalmente clara. Sabe-se, por exemplo, que a solidão pode enfraquecer o sistema imunológico e deixar o corpo mais vulnerável a doenças como herpes ou quadros de inflamações crônicas, como artrite reumatoide e diabetes tipo 2. Isso aconteceria porque a solidão é um tipo de stress, situação que afeta as defesas do organismo.

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A solidão tem sido reconhecida como um fator de risco para a saúde. Pessoas que se sentem solitárias têm um risco aumentado de 26% de sofrer morte prematura. “Se sentir sozinho pode ter efeitos na saúde como um todo, até mesmo sobre algo tão simples como um resfriado“, disse Angie. “Precisamos dar mais atenção a esse problema.”

 

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Segundo os cientistas, isso acontece porque o corpo humano tem uma capacidade imunológica limitada: ele precisa escolher entre lutar contra ameaças virais ou proteger o corpo contra a invasão de bactérias. Como o solitário tende a ver o mundo como um lugar ameaçador, o corpo foca as atenções contra as invasões externas de bactérias, abrindo caminho para ação dos vírus.

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Nesse momento, o problema fica ainda mais intenso. O organismo desprotegido aumenta o risco de desenvolver tumores cancerígenos, infecções e doenças no coração. Em um estágio ainda mais elevado, os hormônios são afetados, e nasce o risco de complicações como um ataque cardíaco fulminante ou um derrame. A solidão joga um papel em todas essas ameaças.