Dia de Finados: solidão e apoio social limitado agravam sentimento da perda

bernadetealves.com

Hoje é um dia de reflexão, saudade e conexão com tantas histórias vivas daqueles que não estão mais aqui, mas que ainda fazem parte da nossa vida. Nossa homenagem a todos que cumpriram com dignidade sua missão terrena, que viraram anjos de luz e que continuam vivos nos nossos corações.

O cenário atual significa um enorme desafio emocional e psicológico. Esta pandemia é um desastre sem precedentes porque normalmente em todos os desastres já acontecidos o outro não é risco. Em 2020 o outro passou a ser risco e nós passamos a ter medo do outro. E é com esse sentimento que as pessoas prestam homenagem aos seus entes queridos.

O coronavírus causou uma ruptura inesperada com a vida que conhecíamos, e nos trouxe dúvidas, sofrimento e incertezas sobre o que estava acontecendo. O desconhecido apavorava. Em meio a tanto medo, angústia e incertezas, a empatia e solidariedade dos profissionais de saúde surgiam como bálsamos.

bernadetealves.com

A Covid-19 ceifou a vida de milhares de pessoas de forma abrupta e inaceitável. Gerou solidão, tristeza e diferentes consequências que ampliam as perdas, como a impossibilidade dos ritos de despedida e de uma retomada da vida como era antes.

É muito difícil ver as pessoas não conseguirem se despedir dos seus entes queridos. Em um tempo difícil como este, temos que nos ajudar, mesmo que à distância. Cada pessoa é um mundo, e todo mundo importa.

Apoio, respeito e ouvido solidário são fundamentais para ajudar pessoas que perderam seus amores. Segundo os psicólogos, escutar é a melhor forma de acolher quem está em situação de luto.Confortar alguém que sofre é uma ação de generosidade e amor num momento de dor tão profunda.

bernadetealves.com
Dia de Finados: reflexão, saudade e conexão com tantas histórias vivas

A recuperação é longa e exige muita força de quem está sofrendo. Muitas vezes, mais importante do que dizer palavras “mecânicas” é oferecer apoio, dando um abraço sincero, mesmo que virtual, e se colocando à disposição para ouvir ou ajudar no que for preciso. É essencial demonstrar empatia, compreensão e sensibilidade com o sofrimento alheio.

Esse é um momento muito difícil e quem sofre precisa de todo o suporte da família e dos amigos. Apoiar no que for necessário é um gesto bonito e certamente fará diferença para quem está vivenciando a dor da perda. Eu perdi meu pai e sei o quanto a dor do luto é forte e o quanto é importante sermos acolhidos.

O vazio que toma conta do nosso coração não tem um tempo pré-definido para passar. Isso depende de cada pessoa. As vezes a mente do enlutado nega a realidade para se proteger do sofrimento. Outros sentem raiva de si mesmo por estar vivo e culpam o mundo, Deus e outras divindades, pela perda do ente querido.

bernadetealves.com
Dia de Finados: reflexão, saudade e conexão com tantas histórias vivas

A depressão se faz presente em todos os momentos e a pessoa com o coração partido se isola de todos. É nesse momento que a família precisa reunir forças oferecendo uma ajuda mais precisa e até compreendendo alguns dos sentimentos que o enlutado está apresentando para que ele possa retomar a vontade de viver. Embora ainda exista a saudade as feridas já começam a cicatrizar.

Lidar com o luto, de modo geral, não é fácil. Quem já passou por isso ou já teve de consolar alguém próximo sabe que, muitas vezes, as palavras somem e um abraço apertado se torna a melhor forma de demonstrar apoio. Mas, diante das restrições impostas pelo isolamento social, em que esse gesto também se tornou arriscado, como acolher tantas pessoas que estão vivendo uma experiência de luto causada pela Covid-19?

É um momento difícil, em que exercitar a empatia e o acolhimento tende a ser mais efetivo do que tentar diminuir ou resolver a tristeza do outro.

O suporte pode ser concedido a distância, por telefone ou troca de mensagens. Entender a tristeza alheia, reconhecer que o momento é difícil e dizer “estou aqui para você”, são atitudes importantes para a recuperação. Quando dedicamos nosso tempo a alguém que está desconsolada e sem energia para agir, essa pessoa se sente amada, atendida e mais segura na sua vivência.

bernadetealves.com
Dia de Finados: reflexão, saudade e conexão com tantas histórias vivas

Todos precisam de uma reestruturação desse mundo presumido e gerar, aos poucos, uma nova forma de se relacionar com a pessoa que morreu. A morte acaba com a forma física, mas não acaba com o amor.

Este luto, muitas vezes incompreendido, precisa ser respeitado e maturado. Enfrentar a etapa finda da vida humana, é tarefa difícil, dolorida, angustiante, mas necessária. As perdas fazem parte da existência. Mas ninguém está preparado para isso. O luto tem que ser vivido, até que as feridas virem saudade.

Para psiquiatras e psicólogos o sofrimento é parte constante da experiência humana e a dor não pode ser marginalizada. Essa oscilação entre dor e restauração é um processo saudável que age pelo equilíbrio para os momentos que todos nós passamos.

Vamos valorizar as pessoas que ainda caminham ao nosso lado.