Tragédia:300 mil vidas perdidas para a Covid

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Cenário da tragédia que levou mais de 300 mil vidas para a Covid-19

O Brasil atingiu na quarta-feira (24) uma marca assustadora: 300 mil óbitos pela Covid-19, pouco mais de um ano após registrar no dia 12 de março de 2020 a primeira morte de uma pessoa de 57 anos em um hospital em São Paulo. Um dia depois que a OMS declarou a pandemia do novo Coronavírus. Na terça-feira, dia 23, o Brasil registrou o maior número de mortes diárias pela Covid-19 com a confirmação de 3.251 novas mortes nas últimas 24 horas.

Mais que números, são vidas perdidas. Histórias interrompidas por uma pandemia que muitas vezes não permite despedidas e na qual o luto é ainda mais dolorido. Esta triste situação nos convoca a ter um olhar atento às dificuldades dos outros no momento mais crítico do nosso país.

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Colapso do sistema de saúde no Brasil

Segundo levantamento do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), o Brasil atingiu a marca de 300.675 mortos pelo novo coronavírus, com o acréscimo de 1.999 fatalidades nas últimas 24 horas. A cifra equivale a toda a população de uma cidade de tamanho médio. Para se ter uma ideia da proporção, o número de brasileiros que perderam a luta contra a covid-19 desde os primeiros meses de 2020 é mais do que a soma dos moradores de Águas Lindas (GO), cidade da região metropolitana de Brasília, que tem, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), 217,6 mil moradores aproximadamente. Com registro de mais 89.414 casos, o acumulado de infectados é de 12.219.433.

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Profissionais de saúde estão exaustos com a tragédia sem fim

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em edição do Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 publicado na noite do dia 16 deste mês, alertava para o “colapso” do sistema de saúde no Brasil e para a iminência de uma “catástrofe”. Segundo aquela publicação, 24 Estados e o Distrito Federal tinham taxas de ocupação dos leitos de UTI para a covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS) iguais ou superiores a 80%. “Trata-se do maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil”, segundo os pesquisadores da instituição. “É praticamente o país inteiro com um quadro absolutamente crítico.”

A Fiocruz defendeu a interrupção de atividades não essenciais, incluindo a suspensão de aulas presenciais e um toque de recolher nacional de 20 horas às 6 horas, além da ampliação do uso de máscaras. Infelizmente poucos atenderam as recomendações dos especialistas e continuaram se aglomerando e criticando o lockdown.

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Tragédia: 300 mil vidas perdidas para a Covid-19

Nesta quinta-feira, dia 26, a Fiocruz recomendou medidas de bloqueio ou lockdown por 14 dias nos estados e capitais que estão com leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no limite. Na avaliação dos pesquisadores da instituição, somente medidas muito mais rígidas são capazes de conter a circulação do novo coronavírus no país.

O Brasil, infelizmente, é o segundo país a atingir a triste marca de 300 mil vítimas da pandemia. Apenas os Estados Unidos, hoje, apresentam um número superior (545 mil), segundo dados da Universidade Johns Hopkins. O março é o mês mais letal da pandemia até agora e pelo que dizem as autoridades de saúde o quadro ainda é assustador.

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Cenário da tragédia que levou mais de 300 mil vidas perdidas para a Covid-19

O Brasil conta apenas com as doses da Coronavac/Butantan e da vacina de Oxford/Astrazeneca, paga o preço pelos diversos problemas na vacinação contra a Covid-19 que está abaixo do ideal. Um ano depois do início da pandemia, o Plano Nacional de Imunizações segue com muitas incertezas.

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Cenário da tragédia que levou mais de 300 mil vidas perdidas para a Covid-19

Além do mais a alta de mortes por Covid está pressionando o sistema funerário e os agentes reclamam das más condições de trabalho. Diante deste cenário os cemitérios estão à beira de um colapso. Equipes de saúde e pacientes vivem drama com superlotação dos hospitais e a tristeza de ver pessoas morrendo à espera de uma vaga na UTI.

Para as pessoas que dizem que estão cansadas das restrições impostas pelas autoridades de saúde, imagina quem está na linha de frente desta tragédia? Com o rosto marcado pelo uso dos equipamentos de proteção, olhos vermelhos de sono, fisicamente e psicologicamente cansados, privados de ir ao banheiro por 6 horas ou tomar água, mesmo assim dão o máximo de si para salvar vidas.

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A dor e a exaustão do médico frente a maior tragédia de saúde pública brasileira

Em respeito as dificuldades que os profissionais médicos enfrentam, as condições que estão expostos, a falta de tempo, a quantidade absurda de pacientes que atendem em situações de pânico e dor, vamos fazer a nossa parte.

Para valorizarmos o esforço, dedicação e superação que os profissionais de saúde e todos que estão na linha de frente desta pandemia estão fazendo e principalmente, colocando suas vidas e de seus familiares em risco, vamos nos proteger e proteger os mais frágeis.

O triste momento exige mais respeito e empatia com a dor da perda e gratidão pela vida.

Fotos: Getty Imagens e G1