Pistache: noz antiga de sabor único com poder de ajudar o organismo a combater doenças

O Dia Mundial do Pistache, 26 de fevereiro, é um bom momento para incorporar este fruto seco rico em compostos antioxidantes – e que está presente na dieta humana há muitos séculos. Este fruto é consumido pelos seres humanos desde 6 mil a.C, quando já estava presente na dieta de várias culturas.
De cor verde amarronzada e sabor docemente amendoado, as sementes são encontradas em países como Líbano, Turquia, Índia, Irã e Afeganistão. Além da Itália, tem sido cultivado comercialmente na Austrália, Novo México e Estados Unidos, principalmente na Califórnia, onde foi introduzido em 1854. Rico em betacaroteno, vitamina E e luteína, antioxidantes que retardam o envelhecimento, é também utilizado na indústria cosmética.

O pistache, espécie de nozes ricas não só em fibras e compostos antioxidantes, mas também em ácidos graxos insaturados e sabor único. O pistache está sendo estudado por seu impacto positivo em ajudar o organismo a combater diversas doenças, inclusive neurodegenerativas, conforme artigo sobre o alimento publicado pela Biblioteca Nacional de Medicina (National Library of Medicine, NIH), dos Estados Unidos.
A palavra pistache vem do grego pistákion, que significa “noz verde”. Na Antiguidade, diz o artigo da fonte norte-americana, o fruto chegou a ser usado até como remédio e substância afrodisíaca.
Benefícios do Pistache

O pistache ajuda na regulação da saciedade e controle de peso
Como o pistache tem conteúdo rico em fibras, proteínas e ácidos graxos insaturados, e uma estrutura física crocante, ele pode induzir à saciedade, o que levaria à redução na ingestão de outros alimentos, diz o NIH sobre estudos feitos acerca do tema.
O pistache impacta na pressão arterial e no risco cardiovascular

Segundo uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade da Pensilvânia e reportada por National Geographic Espanha em seu artigo, foram analisados os efeitos de diferentes doses de pistache em uma dieta que fosse saudável (ou seja, com baixo teor de gordura). Foram medidos valores da proteína de transferência de colesterol no sangue dos participantes, bem como os níveis de atividade da dessaturase, a proteína que controla a síntese de ácidos graxos.
“O resultado foi que a inclusão de uma quantidade regular de pistache em uma dieta saudável teve um efeito benéfico na melhoria do controle da dessaturase”, diz o artigo sobre o resultado do estudo. Além disso, produziu uma leve redução no colesterol LDL (o chamado colesterol bom), diminuindo o risco de doenças cardiovasculares.
Pistache atua no controle da glicose

Segundo o artigo da National Geographic Espanha, um dos principais benefícios atribuídos a essa noz é sua capacidade de regular o nível de glicose (o açúcar) no sangue depois de comer.
O estudo que foi nesta direção está em uma publicação da revista científica “Nature” para o Toronto Centre for Clinical Nutrition, do Canadá. Ele mostrou que o pistache tem algum efeito na regulação dos níveis de glicose. “Quando o alimento era consumido após refeições com alto teor de carboidratos, havia um efeito claro sobre a resposta glicêmica, regulando mais rigorosamente a passagem de açúcar para o corpo”, relata o artigo espanhol sobre o tema.
O pistache é um rico antioxidante

Como são compostos por polifenóis (um grupo de substâncias presentes em alimentos de origem vegetal e com propriedades antioxidantes), as nozes de pistache – principalmente se comidas cruas (e não processadas ou cozidas), podem impactar positivamente na saúde geral.
A informação é de um estudo da Universidade de Cornwall, no Reino Unido, elencada no artigo de NaGeo Espanha sobre o tema. Os antioxidantes ajudam a regular o estresse oxidativo das células, portanto, consumir esses polifenóis ajuda a evitar essa degradação do organismo.
Ainda existem mais estudos avaliando o que essa “noz verde” pode trazer de bom para combater doenças como alguns tipos de câncer, em enfermidades neurodegenerativas e doenças metabólicas, como o diabetes do tipo 2, o que é mais um incentivo para manter esse pontinho verde no prato desde já.
Rico em fibras, o pistache beneficia a microbiota intestinal

Segundo o NIH, descobertas recentes mostram que pistaches e amêndoas têm um “possível efeito prebiótico em populações saudáveis”. Isso significa que sua ingestão aumentou o número de bactérias benéficas para o intestino, ajudando a microbiota intestinal.
Já o artigo da NatGeo espanhola completa informando que essas bactérias são ativadas justamente pelo fato do pistache ser uma noz com alto teor de fibras, o que ajuda a fortalecer o sistema digestivo.
Pistache: o ouro verde da gastronomia

O pistache faz parte do time de oleaginosas como as nozes, castanhas e amêndoas, repleto de benefícios para a saúde. O pistache possui um sabor versátil e é consumido na forma de noz torrada, como os amendoins.
Além de ser um par perfeito para preparos com chocolate, confere sofisticação ao prato e dá origem a outras delícias nas quais ele é protagonista, como o sorvete ou o macaron de pistache, um dos tradicionais doces da pâtisserie francesa.

Além de ajudar na sensação de saciedade, é rico em antioxidantes, fibras e minerais como magnésio, potássio, ferro e zinco. Comparado a outras oleaginosas, o pistache possui teor calórico mais baixo e também apresenta baixo índice glicêmico.

O pistache pode ser o toque especial para os mais variados pratos ou aquele petisco, “tira-gosto” em um bate-papo com os amigos. Com com sua tonalidade esverdeada, é perfeito em sobremesas e par perfeito para preparos com chocolate, confere sofisticação ao prato e dá origem a outras delícias nas quais ele é protagonista, como o sorvete ou o macaron de pistache, um dos tradicionais doces da pâtisserie francesa.

Na gastronomia oriental, por exemplo, o pistache aparece na tradicional Baklava, uma das sobremesas turcas mais conhecidas no mundo e na Halawa (ou Halva), um dos doces mais tradicionais do Oriente Médio. Já na Rússia, são servidos como aperitivos salgados, comumente acompanhados de cervejas.

Além da presença nos mais variados pratos, o pistache também é utilizado em coquetéis na forma de xaropes ou licor.

Origem

O fruto, conhecido como pistache ou pistachio, é oriundo das árvores da família Anacardiaceae, sendo considerada planta originária da Ásia Central e cultivada na região mediterrânea (Irã, Turquia, Grécia) e na Califórnia (E.U.A.). Pistacia vem do grego “pistake” e significa “noz” e vera, do latim “verdadeiro”, completando o significado de noz verdadeira ou pistache comestível.


Apesar de existirem diversas espécies, a Pistacia Vera é a árvore de pistache domesticada mais cultivada globalmente. O fruto desta árvore é o que dá origem ao que estamos acostumados a ver nas prateleiras dos supermercados, que é a semente do fruto seco e verde, que nada mais é do que uma amêndoa envolta por sua rígida casca.
O pistacheiro é árvore de tamanho moderado (3 a 8 m), sendo planta decídua e dióica. Suas plantas têm período juvenil extenso e requerem 5 anos de cultivo para estabelecer uma copa razoável e 7 a 10 anos para alcançar produção total sob condições bem irrigadas. Além disso, é espécie de produção fortemente bienal. Na Tunísia um pistacheiro pode produzir, em média, 5kg de fruto seco por safra durante 80 ou 90 anos, inclusive numa região com precipitação anual de 550mm e sem adubação e irrigação.

A floração é gradual, dentro do período de tempo que se estende e também ao longo da própria inflorescência, começando pela base e estendendo até o extremo apical (Ferguson & Arpaia, 1990). Em virtude disso, o período de floração das plantas femininas deve ser coberto por mais de um polinizador. Esse é um aspecto importante, pois a produção ótima é obtida quando o pólen chega às flores femininas nos dois primeiros dias de floração. As datas de floração podem variar entre 3 e 4 semanas entre as cultivares que florescem mais cedo e as mais tardias, outro fator a ser considerado para dispor os polinizadores.

O fruto é uma drupa seca, de forma ovóide. Pode ser consumido na forma de noz, torrado e salgado na própria casca. Muito utilizado na confeitaria em geral. Óleo de noz de pistache também é usado em indústrias de cosméticos e farmacêuticos.

A noz abre-se naturalmente, expondo a amêndoa. As nozes que não se abrem são aproveitadas para a indústria alimentícia, pela dificuldade de processamento final (torrar e salgar). Existem máquinas que detectam nozes não abertas.
O Brasil ainda não produz pistache, mas a Embrapa, em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (FAEC), estuda transformar o estado do Ceará no primeiro produtor do país.
Fotos: Reprodução













