Chefe de Estado italiano visita o Brasil e é recebido por Lula no Palácio do Planalto


O presidente da Itália Sergio Mattarella, de 83 anos, está no Brasil para uma visita de cinco dias, que começou no domingo, em Brasília. Nesta segunda-feira, 15 de julho, ele foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. Mattarella subiu a rampa acompanhado da filha Laura Mattarella. Esta é a primeira visita de um presidente italiano ao Brasil desde 2000.
A reaproximação com essa visita, no entanto, tem mais efeito simbólico e diplomático, pois, no regime parlamentarista italiano, o presidente da República tem um papel simbólico em vários assuntos. Mattarella é o chefe de Estado do país europeu, enquanto a chefia do governo cabe à primeira-ministra Giorgia Meloni. Embora não participe diretamente do governo tem poder para vetar leis e decretos, além de convocar eleições e aprovar a indicação de um primeiro-ministro.

Em declaração à imprensa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil tem interesse em concluir o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, mas o avanço das negociações depende de os europeus resolverem “suas próprias contradições internas”.
“Reiterei ao presidente italiano o interesse do Brasil em concluir o quanto antes um acordo com a União Europeia que seja equilibrado e que contribua para o desenvolvimento das duas regiões. Explicitei que os avanços das negociações dependem de os europeus resolverem suas próprias contradições internas”, afirmou Lula.

Medidas como a taxa de carbono, impostas de forma unilateral pela União Europeia, podem afetar cinco dos 10 produtos brasileiros mais exportados para o mercado italiano”, disse o presidente Lula. “A redução das emissões de CO2 é um imperativo, mas não deve ser feita com base em medidas unilaterais que vão impactar a vida dos produtores brasileiros e dos consumidores italianos”.
“Como fiz na recente Cúpula do Mercosul em Assunção, reiterei ao presidente italiano o interesse do Brasil em concluir, o quanto antes, um acordo com a União Europeia que seja equilibrado e que contribua para o desenvolvimento das duas regiões”, declarou Luiz Inácio Lula da Silva.
O acordo entre os dois blocos vem sendo costurado há mais de 20 anos. Em 2019, Mercosul e União Europeia chegaram a um texto, que passou a ser discutido em detalhes para poder ser encaminhado à aprovação final.

Na declaração que fez à imprensa, Lula também disse ter manifestado “satisfação” com as vitórias de “forças progressistas” no Reino Unido e nas eleições parlamentares da França.
“Ambos são fundamentais para a defesa da democracia e da justiça social contra ameaças do extremismo. A guerra na Ucrânia e o conflito em Gaza mostram que abrir mão do diálogo e da diplomacia leva à consequências nefastas”, declarou o presidente brasileiro.

Sergio Mattarella afirmou que ele e Lula concordam que é preciso buscar paz na guerra entre Ucrânia e Rússia. “O respeito de todos os estados é um cânone no plano internacional”, afirmou. O italiano disse que também concorda com o presidente brasileiro sobre a gravidade dos ataques terroristas do Hamas e o sofrimento da população da Faixa de Gaza com a resposta militar de Israel.
O presidente da Itália defendeu ainda uma solução com dois estados na região, um para palestinos e outro para israelenses. A posição também é endossada por Lula.

Durante a reunião, de acordo com Lula, o presidente italiano convidou o Brasil para participar do grupo de segurança alimentar do G7. “Retribuí a confiança convidando a Itália para se somar à aliança de combate à fome e à pobreza que lançaremos no Brasil por ocasião do G20”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu ao presidente Mattarella um almoço no Palácio do Itamaraty. Durante a ocasião os representantes dos dois países assinaram um acordo de reconhecimento recíproco de carteiras de habilitação.

“A maior força propulsora dos vínculos entre Itália e Brasil são nossas sociedades, e é do nosso interesse aproximá-las com medidas simples que apoiem o intercâmbio. Por isso, estou satisfeito com a assinatura hoje de acordo de reconhecimento recíproco de carteira de habilitação”, declarou Lula. “Espero que esse instrumento incentive negócios, facilite a rotina dos brasileiros que vivem na Itália e dos italianos que moram no Brasil”, completou.
É mais um passo de fortalecimento diplomático entre as duas nações, intimamente ligadas: em 2024 completam-se 150 anos da imigração italiana no Brasil, que começou com 386 pessoas que cruzaram o Atlântico e desembarcaram no Espírito Santo para tentar a vida no Brasil. Hoje há mais de 35 milhões de descendentes de italianos no nosso país, e a Itália é uma das principais origens de investimento direto da União Europeia: mais de mil empresas italianas estão aqui e geram cerca de 150 mil empregos. “Esse ano é especialmente significativo nas relações entre Itália e Brasil. Além da gratidão pela forma como italianos foram acolhidos aqui, nossos países são respectivamente líderes do G7 e do G20. Somos força global”, destacou Sergio Matarella.
Motoristas brasileiros que moram na Itália vão ganhar uma facilidade para o dia a dia: a conversão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em uma Patente di Guida, a habilitação italiana. A regra foi renovada entre os governos dos dois países e estabelece que quem possui uma CNH válida e tenha residência há menos de seis anos pode solicitar o documento italiano sem precisar passar pelo processo de ter aulas em autoescola ou realizar exames práticos e teóricos. Hoje, são mais de 100 mil brasileiros vivendo no país peninsular.
A mesma norma atende a ainda mais gente em território brasileiro. São cerca de 800 mil pessoas com nacionalidade italiana que moram aqui, de acordo com a Embaixada da Itália. Após esta etapa de assinatura, o acordo agora precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional para começar a valer.
“Uma assinatura importante, coroando cerca de um ano e meio da nossa equipe do Ministério dos Transportes, seguindo a linha da reinserção do Brasil no cenário internacional”, destacou o secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão. “A gente ficou fora na gestão anterior ao governo Lula. Mas agora finalizamos esta etapa e outros acordos virão”, completou o ministro em exercício, George Santoro.
O presidente Lula aproveitou a ocasião para agradecer Mattarella pela solidariedade ao povo do Rio Grande do Sul e ressaltou a importância do gesto para os 35 milhões de descendentes de italianos no Brasil. “Esses laços se reforçam por meio de demonstrações de amizade e solidariedade, como ocorreu em relação às enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul. Somos muito gratos pela doação de 25 toneladas de ajuda humanitária que recebemos do governo da Itália”, destacou.
Aos 83 anos de idade, Sergio Mattarella está no segundo mandato como presidente da Itália. Juiz do Tribunal Constitucional, desenvolveu uma longeva carreira política, que inclui cargo de ministro em diferentes governos.
Na Itália, o presidente cumpre um mandato de sete anos e é a única autoridade com o direito de dissolver o Parlamento e convocar eleições legislativas antecipadas.
Mattarella é considerado um experiente político de centro-esquerda. Já a atual primeira-ministra, Giorgia Meloni, lidera uma sigla de direita.
O presidente da Itália, Sergio Mattarella, embarca na terça-feira (16) para o Rio Grande do Sul. “Amanhã pela manhã, antes de mais nada, irei para Porto Alegre, para testemunhar de perto a proximidade da Itália com as populações atingidas pelas enchentes que provocaram tantas vítimas e tantos prejuízos”, disse, em declaração à imprensa após participar da cerimônia no Palácio do Itamaraty.
Em 2024, comemora-se 150 anos do início da imigração de italianos para o Brasil, data enfatizada por Mattarella. Atualmente, há mais de 35 milhões de descendentes de italianos no país e cerca de 100 mil brasileiros na Itália.
O presidente destacou os laços de união entre o Brasil e a Itália e apontou que é fundamental para o seu país aprovar rapidamente o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A Itália é um dos principais investidores diretos da União Europeia no Brasil, com cerca de mil empresas italianas atuando no país, gerando mais de 150 mil empregos.
Além do Rio Grande do Sul, o presidente Mattarella ainda passará por Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador nesta primeira visita ao Brasil.
Fotos: Ricardo Stuckert/PR













