Nhoque da Fortuna: de onde vem a tradição de saborear esta delícia no dia 29

Diz a lenda antiga que, ao comer nhoque no dia 29 do mês com dinheiro embaixo do prato, a pessoa irá atrair sorte e fortuna! Neste domingo, 29 de dezembro de 2024 deste ano bissexto, é dia de saborear o “nhoque da fortuna”. O Nhoque é muito mais que um prato italiano delicioso. Ele é sinônimo de tradição, sorte e fartura.

Trata-se, ainda de uma poderosa simpatia: ‘reza a lenda’ que, quem comer, em pé, as sete primeiras unidades da massa no dia 29 de cada mês, pode fazer um pedido para cada uma delas e depois rezar a oração a São Pantaleão. Aqueles que quiserem atrair prosperidade financeira, devem colocar dinheiro embaixo do prato.

O Nhoque é uma massa alimentícia feita de mandioca ou de batata, cozinhada e misturada, sobretudo, com poucos ingredientes, sendo eles água, sal, gema de ovo, polvilho ou farinha de trigo, até que crie a consistência de uma massa para cortar em cubos ou pequenos pedaços e servida com molhos diferentes como ao sugo, bolonhesa ou branco.

Nhoque da fortuna de mandioquinha e ricota ao sugo

Ingredientes
- 1 ovo
- 1 ½ xícara de farinha de trigo
- ½ xícara de queijo parmesão ralado
- 2 cebolas médias
- 3 dentes de alho
- 3 colheres de sopa de sal
- 7 tomates grandes
- 8 colheres de sopa de óleo
- 500 gramas de mandioquinha
- 500 gramas de ricota amassada
- Farinha de trigo para polvilhar
- Manjericão fresco a gosto
- Queijo parmesão a gosto
Modo de preparo do molho:
Primeiramente, coloque para cozinhar no fogo os tomates, dois dentes de alho, sal, uma cebola e sal para cozinhar por cerca de 30 minutos. Em seguida, retire do fogo, bata no liquidificador e passe a mistura na peneira. Logo depois, doure a cebola e o alho no óleo de soja, adicione a mistura dos tomates, as folhas de manjericão e cozinhe em fogo baixo até ter a consistência que se deseja.
Modo de preparo do Nhoque:

Lave, descasque e corte as batatas ou mandiocas em pedaços médios, de cerca de 4 cm. Transfira para uma panela média, cubra com água e leve ao fogo alto. Assim que ferver, junte 1 ½ colher (sopa) de sal, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 20 minutos, até ficarem macias – espete com um garfo para verificar o ponto. Escorra bem a água e passe as batatas ainda quentes por um espremedor, ou com um garfo grande sobre uma tigela.
Quando a batata amassada amornar o suficiente para manusear, junte a ricota, tempere com 2 colheres (chá) de sal e acrescente ¼ de xícara (chá) da farinha de trigo. Misture bem com as mãos. Junte as gemas e amasse bem até que tudo fique homogêneo. Aos poucos, adicione o restante da farinha, amassando bem com as mãos, até dar o ponto de enrolar.
Em uma superfície com farinha, modele a massa em pequenos pedaços de rolinho de cerca de 1 cm de diâmetro; corte em nhoques de cerca de 2 cm cada ou do formato que preferir.

Leve uma panela grande com água ao fogo alto. Unte duas assadeiras grandes (ou refratários) com óleo. Assim que a água ferver, misture 1 colher (sopa) de sal. Com uma escumadeira, mergulhe cerca de 20 nhoques por vez na água fervente e deixe cozinhar até subirem à superfície. Retire os nhoques com a escumadeira, escorrendo bem a água, e transfira para a assadeira untada com óleo. Cozinhe todos os nhoques e sirva a seguir com o molho de sua preferência.
Nhoque de mandioca com linguiça

Ingredientes
- 1kg de mandioca cozida e amassada
- 1 gema peneirada
- 3 colheres (sopa) de margarina
- 1 colher (sopa) de farinha de trigo
- 4 colheres (sopa) de amido de milho
- Sal a gosto
- Farinha de trigo para enfarinhar
- Queijo parmesão ralado para polvilhar
Molho
- 4 colheres (sopa) de azeite
- 600g de linguiça toscana triturada sem pele
- 1 cebola picada
- 2 dentes de alho picados
- 2 latas de tomate pelado picado
- 1/2 xícara (chá) de água
- 1/2 pimenta dedo-de-moça picada
- 1 talo de salsão picado
- Sal a gosto
Modo de Fazer
Leve uma panela ao fogo médio com a mandioca, a gema, a margarina, a farinha, o amido e sal, mexendo até engrossar. Retire do fogo e deixe amornar. Faça rolinhos com a massa sobre uma superfície enfarinhada e corte em pedaços de 2cm. Cozinhe, aos poucos, em água fervente até que subam à superfície. Retire com uma escumadeira e reserve em um refratário grande.
Para o molho, aqueça uma panela com o azeite, em fogo médio, e frite a linguiça por três minutos. Adicione a cebola e o alho e frite até dourar. Adicione o tomate pelado, a água, a pimenta, o salsão, abaixe o fogo e cozinhe por dez minutos, mexendo algumas vezes. Tempere com sal, misture e cozinhe por mais cinco minutos ou até formar um molho encorpado. Despeje o molho quente sobre os nhoques, polvilhe com parmesão e, se desejar, decore com uma folha de manjericão fresco para servir.

O Nhoque pode ser preparado com mandioca, mandioquinha, batata doce ou abóbora. Pode também ser recheado com ricota ou outros ingredientes ao gosto de cada um. A dica é polvilhar com queijo e orégano.
Ritual da sorte

A tradição seguida desde o século IV é baseada em seguir alguns passos de São Pantaleão durante a refeição. Em resumo, no dia 29 a família deve servir nhoque, colocar uma quantia em dinheiro embaixo do prato e comer os sete primeiros pedacinhos fazendo pedidos. Em seguida, deve-se guardar esse dinheiro até, no mínimo, o dia 29 do outro mês e repetir a ação, para que assim haja prosperidade eterna na sua casa.
História do nhoque da fortuna

O alimento, feito com batatas, mandioca ou outros tubérculos e farinha tem origem no Oriente Médio. No entanto, se popularizou quando os romanos levaram a receita para Itália. Assim, o nhoque se tornou uma iguaria tipicamente italiana. Em seguida, com a migração dos italianos para outros continentes, o prato foi sendo cada vez mais conhecido em outros países.
Apesar das origens italianas (o gnocchi della fortuna), é uma tradição que se fortaleceu na América do Sul, trazida por imigrantes que chegaram, principalmente, no Brasil e na Argentina (por isso o hábito também é típico entre os nossos vizinhos hermanos). Até os dias de hoje muitas pessoas seguem a tradição até porque a comida é muito saborosa.

Diz a lenda que um santo cristão chamado São Pantaleão, vestido de andarilho, perambulava faminto por um vilarejo da Itália. De casa em casa, pedia comida e ninguém o ajudava. Ele encontrou a bondade na casa de uma família de agricultores, que o convidou para sentar-se à mesa com eles. A família era humilde e não tinha muito o que comer, mas mesmo assim ajudou o pobre homem. Eles tinham apenas uma pequena quantidade de nhoque que foi dividida entre todos, rendendo assim sete nhoques para cada um.

São Pantaleão fez uma oração, comeu, agradeceu a hospitalidade, desejou sorte à família e partiu. Ao recolher a mesa, a família teve uma grata surpresa, pois encontrou várias moedas de ouro embaixo dos pratos. Isso aconteceu num certo dia 29 do século IV.
Assim a história do ‘Nhoque da fortuna‘ se transformou em um ritual que é celebrado em diversos países. Até hoje, famílias realizam a tradição de colocar moedas ou notas embaixo do prato e comer as sete bolinhas no dia 29 de cada mês. Segundo a tradição a pessoa deve comer, em pé, sete nhoques e para cada um deles, fazer um pedido. Após comer os sete nhoques, pode sentar e saborear o restante do prato.

Historiadores chamam atenção de um detalhe: o nhoque que Pantaleão comeu no ano 300 depois de Cristo, não foi feita de batata já que o tubérculo, considerado um alimento do “novo mundo”, ainda não existia na Europa na época e só chegou muitos anos depois.

Pantaleão viveu apenas 28 anos e morreu decapitado em 27 de julho de 305, após ser torturado, segundo o jornal argentino “El Clarin”. Em Buenos Aires, na Argentina, existe um templo no bairro Mataderos onde, desde 1970, está exposta uma parte de um osso do braço do santo.
Fotos: Reprodução e Arquivo Pessoal













