Filme ‘O último azul’: com Rodrigo Santoro é premiado no festival de Berlim

O filme brasileiro ‘O último azul’ foi reconhecido com importantes prêmios na 75ª edição do Festival de Berlim, um dos principais festivais de cinema do mundo. Dirigido pelo pernambucano Gabriel Mascaro e estrelado por Rodrigo Santoro, Denise Weinberg e Miriam Socarrás recebeu o Prêmio de Urso de Prata neste sábado 22 de fevereiro.
Com Rodrigo Santoro encabeçando o elenco, o longa quebrou o jejum de 18 anos do Brasil em prêmios na competição oficial do evento desde 2007. Gabriel Mascaro tem na carreira filmes como “Boi Neon” e “Ventos de Agosto”, mas ficou mais conhecido por “Divino Amor”, com Dira Paes.
A estatueta é a segunda mais importante do festival concedido pelo grande júri. Além do Urso de Prata, o filme também conquistou o Júri Ecumênico (para filmes que abordam questões espirituais e sociais), e o Prêmio do Júri de Leitores do Berliner Morgenpost, (entregue por leitores do jornal alemão).

Esta é a primeira vez desde 2020 que um filme brasileiro concorre ao Urso de Ouro, um prêmio que o país já conquistou com Central do Brasil (1998) e Tropa de Elite (2008). Com previsão de estreia nos cinemas brasileiros ainda em 2025, O Último Azul será distribuído pela Vitrine Filmes.
Ao receber os prêmios, Mascaro destacou a importância do cinema como espaço de diversidade e reflexão. Para o Júri de Leitores do Berliner Morgenpost, o longa “aborda temas como idade, liberdade e autodeterminação em um mundo hostil, mas de forma alegre e colorida, trazendo uma mensagem de esperança”.
“Estou muito honrado de receber esse prêmio. Muitos filmes que amo estrearam aqui. Quero agradecer ao júri pela dedicação ao meu filme. Esse prêmio é dedicado a todos aqueles que sonham. ‘O Último Azul’ fala sobre os direitos dos sonhos e acreditar que nunca é tarde para descobrir uma nova vida”, afirmou Mascaro.

Rodrigo Santoro, que já esteve em competição no Festival de Veneza e foi premiado no Festival de Cannes, celebra o prêmio. “Quando o cinema brasileiro independente recebe um reconhecimento dessa relevância, a maior vencedora é a nossa cultura. É emocionante representar o Brasil num filme que nos convida a reeducar o olhar para um tema tão urgente”, diz Santoro.
A história se passa na Amazônia, em um futuro próximo, onde um governo transfere idosos para uma colônia habitacional destinada a seus últimos anos de vida. “O Último Azul” conta a história de um Brasil distópico em que idosos a partir de 75 anos são enviados para colônias habitacionais. Em meio a isso, uma mulher de 77 anos, interpretada por Denise Weinberg, busca realizar seu último desejo antes de ser exilada. Tereza parte em aventura sobre resistência e amadurecimento ao longo dos rios da Amazônia.

Algumas críticas internacionais destacaram a sutileza nas discussões do longa sobre envelhecimento e, ao mesmo tempo, capitalismo. Alguns chegaram até mesmo a comparar com “Nomadland”, filme vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2021.
“O Último Azul” tem co-produção do Brasil, México, Chile e Países Baixos. A distribuição é da Vitrine Filmes no Brasil. Deve estrear ainda para 2025 nos cinemas brasileiros.

Fotos: Getty Images, Laurent Hou e Reprodução













