Quem foi Maria Felipa, símbolo da independência da Bahia – 2 de julho

Neste 2 de julho, dia da expulsão das tropas portuguesas da Bahia em 1823, saudamos os baianos pela sua independência e principalmente Maria Felipa de Oliveira, protagonista dessa história, que ajudou a virar o rumo do Brasil com ações firmes e decisivas na costa da Bahia. Ação que se transformou em um marco para a consolidação da independência do Brasil.
2 de julho é símbolo de liberdade, e foi construído com coragem, organização e protagonismo negro e feminino.
Maria Felipa é um nome para ser lembrado nos livros de história. A pescadora, capoeirista, e estrategista liderou um grupo de 200 pessoas entre mulheres negras, índios tupinambás e tapuias, na resistência contra tropas portuguesas que atacaram a ilha de Itaparica entre 1822 e 1823 e com isso ajudou a garantir a independência na Bahia.

A corajosa e determinada Maria Felipa de Oliveira, com o apoio de homens da cidade, queimou inúmeras embarcações portuguesas, diminuindo o poderio colonizador no decorrer da batalha, e depois, enfrentou os portugueses usando folhas de cansanção, uma folha típica da região, que em contato com a pele dá a sensação de queimação; e toda a ação resultou em uma queda no número de soldados da tropa portuguesa.
Quem foi Maria Felipa de Oliveira?

Descendente de negros escravizados vindos do Sudão, Maria Felipa nasceu em Itaparica. Alta e muito forte, capoeirista habilidosa, ela era pescadora, marisqueira e trabalhadora braçal. Seria só mais uma entre tantas mulheres negras que ganhavam a vida prestando serviços na cidade, conhecidas como “ganhadeiras”. Mas se engajou na luta pela Independência do Brasil na Bahia, entre 1822 e 1823, e acabou entrando para a História.
O litoral de Itaparica estava cheio de embarcações portuguesas aguardando ordens para invadir Salvador. Maria Felipa não teve dúvidas. Liderou mulheres negras e indígenas para enfrentar os inimigos. O ‘exército’ de Maria Felipa não tinha armamento pesado, só peixeiras, facões, pedaços de pau e galhos com espinhos. Mas tinha a seu favor a astúcia.
Com atuação prática, corajosa e organizada, nas batalhas de resistência contra os portugueses, impediu que navios inimigos aportassem na ilha e reforçassem as tropas que ainda ocupavam Salvador.
As moças mais bonitas do grupo atraíam os vigias portugueses para longe dos navios. Uma vez fora dos seus postos de trabalho, eles levavam uma surra com galhos de cansanção, um arbusto cujos espinhos causam forte sensação de queimadura.

Enquanto isso, Maria Felipa coordenou o incêndio de 40 embarcações portuguesas ancoradas nas proximidades da ilha. A operação, além de bem-sucedida, teve um grande impacto simbólico: mostrou que a resistência era organizada, determinada e capaz de minar a presença portuguesa pelas vias marítimas. Sua ação ajudou a enfraquecer a logística inimiga e contribuiu diretamente para os desfechos que culminaram na vitória brasileira em 2 de Julho de 1823.
Em 2 de julho de 1823, derrotadas, as últimas esquadras portuguesas deixaram a Bahia. Maria Felipa voltou à vida de antes, vindo a falecer décadas mais tarde, em 4 de julho de 1873. Tudo registrado pelo escritor baiano Ubaldo Osório Pimental, avô do romancista João Ubaldo Ribeiro.
Sua história de coragem sobreviveu ao tempo. De personagem lendária na Bahia, ela foi declarada em 26 de julho de 2018 Heroína da Pátria Brasileira pela Lei Federal nº 13.697, tendo seu nome inscrito no “Livro de Aço dos Heróis e Heroínas da Pátria”, que se encontra no “Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves”, em Brasília.
A heroína de Itaparica é tema de livros, estudos acadêmicos, homenagens e eventos que celebram seu legado. Mais do que uma personagem, Maria Felipa representa a força de uma região que resistiu por mar, antecipou a libertação e contribuiu diretamente para consolidar a Independência do Brasil. Maria Felipa foi protagonista de um capítulo fundamental da nossa história e por isso continua relevante até hoje.
Sua atuação reforça a importância de valorizar a liderança feminina em todas as frentes.
Fotos: Reprodução e Plenarinho/Câmara dos Deputados













