Dupla explosão de uma estrela é registrada pela 1ª vez e proporciona espetáculo visual

Astrônomos conseguiram registrar pela primeira vez a dupla explosão de uma estrela, provando uma teoria que os cientistas já consideravam possível, mas ainda não tinham conseguido comprovar com imagens.
Os registros obtidos pelo Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul (VLT do ESO), sediado no Chile, permitiu identificar padrões que confirmam que a supernova SNR 0509-67.5, localizada na Grande Nuvem de Magalhães, sofreu um par de explosões antes de chegar ao seu fim.
Segundo os pesquisadores, a explosão de uma estrela, chamada de supernova, é um evento imensamente violento. Geralmente, envolve uma estrela com mais de oito vezes a massa do nosso Sol que esgota seu combustível nuclear e sofre um colapso do núcleo, desencadeando uma única e poderosa explosão.
Mas um tipo mais raro de supernova envolve um tipo diferente de estrela — uma brasa estelar chamada anã branca — e uma detonação dupla, é a que foi registrada pelo telescópio espacial. A imagem mostra a cena da explosão cerca de 300 anos após sua ocorrência, com duas conchas concêntricas do elemento cálcio se movendo para fora.

Priyam Das, doutorando na Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, que liderou o estudo publicado nesta quarta-feira, 2 de julho, na Nature Astronomy, explica que as supernovas do tipo Ia são formadas por uma anã branca – nome do corpo que resta de uma estrela depois que ela esgota seu combustível nuclear – e uma estrela jovem. Se a primeira orbitar perto o suficiente da segunda, consegue roubar material de sua parceira e acumular matéria até sofrer uma explosão.
“As explosões de anãs brancas desempenham um papel crucial na astronomia. No entanto, apesar de sua importância, o antigo enigma sobre o mecanismo exato que desencadeia essa explosão permanece sem solução”, disse Priyam Das.
Os astrônomos conseguiram descobrir que isso pode ser diferente em algumas supernovas, como a registrada nas novas imagens. Elas passam por uma explosão dupla desencadeada antes que a anã branca atinja a massa crítica.

“Essa é uma indicação clara de que anãs brancas podem explodir bem antes de atingirem o famoso limite de massa de Chandrasekhar, e que o mecanismo de dupla detonação de fato ocorre na natureza”, disse Ivo Seitenzahl, que liderou as observações no Instituto de Estudos Teóricos de Heidelberg, na Alemanha.
A anã branca forma uma camada de hélio roubado da outra estrela ao seu redor, se tornando instável e entrando em ignição. A primeira explosão gera uma onda que se propaga ao redor do corpo, desencadeando uma segunda detonação no núcleo da estrela — criando a supernova.
De acordo com a equipe responsável pelo estudo, a descoberta gerou imagens consideradas um “espetáculo visual” e ajudou a esclarecer detalhes sobre o funcionamento interno de uma explosão cósmica.
Fotos: Divulgação













