Vaga-lumes: seres em forma de luz, correm risco de extinção

O Brasil abriga a maioria das mais de 3 mil espécies de vaga-lumes espalhadas pelo planeta. Insetos coleóptero que possui emissões luminosas devido aos órgãos fosforescentes localizados na parte inferior do abdômen.
Estes seres em forma de luz correm risco de extinção. Estudos apontam para uma queda significativa na população desses insetos fascinantes que iluminavam as noites em diversas regiões do país.

Segundo cientistas, metade da espécie pode desaparecer em até 30 anos por causa de poluição, aquecimento global, desmatamento, agrotóxicos e e a maior incidência de luzes artificiais com o crescimento das cidades.
Segundo pesquisadores da Universidade do Estado do Pará, a perda de habitat é um dos motivos principais, para o risco de extinção dessas espécies. Segundo os especialistas, os vagalumes são insetos que realizam a metamorfose completa, ou seja, passam pela fase de ovo, larva, pupa e adulto.

Nas fases de larva e adulto, os vaga-lumes são capazes de emitir bioluminescência (luz) resultado de reações químicas produzidas a partir da necessidade do inseto de atrair presas, assustar predadores ou criar um clima propício para o acasalamento.
As larvas são encontradas em lugares encharcados e os adultos costumam ser vistos voando ou pousados em áreas de vegetação.
A maioria das espécies são ativas à noite e usam a luminescência, um padrão de luz específico para encontrar seus parceiros sexuais. As poucas espécies diurnas usam feromônios que são exalados no ar, atraindo os parceiros através do vento. As fêmeas adultas de algumas espécies possuem asas reduzidas, e apenas os machos possuem asas, dessa forma, são eles que voam até as parceiras para acasalar.

“Os órgãos bioluminescentes dos vagalumes se localizam na parte inferior dos últimos segmentos abdominais, neste órgão uma substância chamada luciferina é oxidada, com mediação da enzima luciferase e necessidade de ATP e íons de magnésio, resultando na substância oxiluciferina e a emissão de luz”, explica a bióloga e professora da UEPA, Jéssica Herzog Viana.
Não há informações suficientes sobre o status de conservação de todas ou até mesmo para a maioria das espécies de vagalumes, por isso os cientistas
Como existem poucas informações sobre o status de conservação de todas ou até mesmo para a maioria das espécies de vaga-lumes, os cientistas dizem que é difícil afirmar qual espécie estaria mais ameaçada. O consenso entre os pesquisadores é que a ameaça é real e que várias espécies de vagalumes, inclusive as que ainda não são conhecidas pela ciência, estariam ameaçadas de extinção.

Stephanie Vaz, coordenadora para América do Sul para proteção dos vaga-lumes, diz que os insetos fascinantes se alimentam de lesmas que transmitem doenças aos seres humanos e que a presença deles indica que o ambiente é bom para a vida humana.“Eles são bioindicadores de qualidade de ambiente, ou seja, se é um ambiente bem protegido em níveis de poluição luminosa, é um ambiente bem conservado, ele está indicando ali que aquele ambiente é bom para a vida humana e para a vida desses seres também”.
Os cientistas acreditam que, num futuro próximo, só será possível avistar vaga-lumes em vídeos antigos ou com uso de inteligência artificial.
Fotos: Ruiruito/ Getty Images e Keystone













