Lucas Pinheiro é o primeiro brasileiro a conquistar Ouro Olímpico no slalom gigante

Lucas Pinheiro Braathen é o primeiro brasileiro a conquistar o ouro olímpico no slalom gigante dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026, neste sábado 14 de fevereiro. Depois de 100 anos Lucas coloca o Brasil no topo do mundo.
Quis o destino que a primeira medalha da história do Brasil e da América Latina, foi o tão sonhado ouro em Jogos Olímpicos de Inverno. Do gelo europeu, Lucas aquece o coração brasileiro. O Brasil pode não ser tradicional no esqui alpino, mas faz história ao escrever seu nome no topo do mundo.

O Brasil é o nono país a conquistar uma medalha de ouro no slalom gigante. Antes dos Jogos de Milão-Cortina, Áustria, Suíça, Itália, França, Noruega, Estados Unidos, Suécia e Alemanha alcançaram o topo do pódio.

O Brasil é o terceiro país do Hemisfério Sul, o primeiro da América Latina, a chegar a um pódio nos Jogos Olímpicos de Inverno. Os dois anteriores são da Oceania: Austrália e Nova Zelândia.
A Austrália conquistou sua primeira medalha nas Olimpíadas de Inverno dois anos depois, em Lillehammer-1994, na disputa por equipe masculina na patinação de velocidade em pista curta. Austrália foi o primeiro com ouro, em Salt Lake City-2002, com Alisa Camplin no esqui estilo livre. Nova Zelândia chegou ao pódio na edição de Albertville, em 1992, com Annelise Coberger, no esqui alpino.

Ao fazer história ao conquistar uma medalha inédita, a façanha ganha ainda mais peso se considerar o principal adversário superado: o suíço Marco Odermatt, que defendia o título olímpico após fazer um ciclo hegemônico.
Odermatt, de 28 anos, já é considerado um dos grandes nomes da história do esqui alpino. Em seu currículo, ele tem um ouro em Pequim-2022, três títulos mundiais, 53 vitórias em etapas de Copa do Mundo e 13 Globos de Cristal (prêmio dado ao campeão geral da temporada), se destacando em três disciplinas, incluindo o slalom gigante.
Foi nesse cenário que Lucas brilhou. Número dois do mundo no slalom gigante, o brasileiro de 25 anos chegou à Olimpíada embalado por três medalhas de prata em etapas de Copa do Mundo nesta temporada.

Em Bormio, ele foi o primeiro a descer a pista e assumiu a liderança com 1min13s92, abrindo quase um segundo de vantagem sobre Odermatt. Na segunda descida, o suíço chegou a ocupar provisoriamente o primeiro lugar, mas Lucas respondeu com uma ótima performance e fechou a prova com o tempo somado de 2min25s00, garantindo o ouro inédito para o Brasil. Ele ficou 0s58 a frente de Odermatt, que levou a prata. O bronze ficou com o também suíço Loic Meillard.

O esquiador nasceu em Oslo, na Noruega, é filho de Bjorn Braathen e da brasileira de Campinas Alessandra Pinheiro de Castro. A medalha de ouro conquistada por Lucas repercutiu com força na Noruega uma vez que ele defendeu a Noruega nos primeiros anos da carreira e chegou a disputar os Jogos Olímpicos de Pequim-2022 pelo país. Em 2023, após conflitos com a federação local, anunciou aposentadoria precoce. Meses depois, confirmou o retorno às competições representando o Brasil, país de sua mãe. O agora campeão olímpico pelo Brasil virou manchete nos principais veículos noruegueses e em todo o Brasil.

Lucas agradeceu todo o apoio que recebeu dos brasileiros desde que foi porta-bandeira do Brasil, ao lado de Nicole Silveira, na abertura dos Jogos Olímpicos. No desfile em Milão, fez questão de mostrar o desenho da bandeira que havia por dentro do casaco da delegação.

“Eu quero sair desses Jogos como uma fonte de inspiração. Quero que as pessoas aí em casa, assistindo, vendo nossas cores nos Jogos Olímpicos de Inverno, realmente entendam que tudo é possível. Não importa de onde você seja, suas roupas, seu sotaque. O que importa é o que há por dentro”, afirmou, em encontro com jornalistas.


Fotos: Divulgação Rafael Bello/COB e Dustin Satloff, Mine Kasapoglu/Anadolu via Getty Images













