Papa Leão XIV pede ‘jejum de palavras que ferem’ na Quaresma

Bernadete Alves
Papa Leão pede que os fieis não magoem o próximo na Quaresma

O Papa Leão XIV durante o Angelus deste domingo, 15 de fevereiro, disse que “Jesus convida-nos a entrar na novidade do Reino de Deus” e que “o cumprimento da Lei é o amor”. Segundo o Pontífice, “não basta não matar fisicamente uma pessoa, se depois a matamos com palavras ou não respeitamos a sua dignidade.

Leão XIV orientou os fiéis a ampliarem o sentido tradicional do jejum praticado no período que antecede a Páscoa. A Quaresma corresponde aos 40 dias entre a Quarta-Feira de Cinzas e a Páscoa, considerada a principal celebração do calendário litúrgico católico por marcar a ressurreição de Jesus Cristo. Na tradição cristã, é um tempo dedicado à reflexão, à oração e à penitência.

Para o pontífice, a prática não deve se limitar à abstinência de alimentos, mas alcançar também a forma como as pessoas se expressam no cotidiano. Da mesma forma, segundo o Santo Padre, não basta ser formalmente fiel ao cônjuge e não cometer adultério, se nesta relação faltar a ternura recíproca, a escuta, o respeito, o cuidado mútuo e o caminhar juntos num projeto comum”.

O Papa pediu que os fieis não magoem o próximo. “Esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs”.

Bernadete Alves
Papa Leão XIV pede ‘jejum de palavras ofensivas’ na Quaresma

A mensagem do Santo Papa foi acompanhada por aproximadamente 25 mil fiéis reunidos na Praça São Pedro. Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice falou sobre o Evangelho deste domingo, que traz uma parte do Sermão da Montanha.

O cumprimento da Lei”, disse o Papa, “é o amor, que realiza o seu significado profundo e o seu fim último. Trata-se de adquirir uma “justiça superior” à dos escribas e fariseus, uma justiça que não se limita a observar os mandamentos, mas nos abre ao amor e nos compromete com ele”.

Leão XIV destacou que “Jesus examina precisamente alguns preceitos da Lei que se referem a casos concretos da vida e utiliza uma fórmula linguística – as antinomias – para mostrar a diferença entre uma justiça religiosa formal e a justiça do Reino de Deus: por um lado, «Ouvistes o que foi dito aos antigos» e, por outro, Jesus que afirma: «Eu, porém, digo-vos»”, e completou:

“Esta abordagem é muito importante. Ela nos diz que a Lei foi dada a Moisés e aos profetas como um caminho para começarmos a conhecer Deus e o seu projeto sobre nós e sobre a história ou, para usar uma expressão de São Paulo, como um pedagogo que nos guiou até Ele. Mas agora Ele mesmo, na pessoa de Jesus, veio entre nós, cumpriu a Lei, tornando-nos filhos do Pai e dando-nos a graça de entrar em relação com Ele como filhos e como irmãos entre nós.”

De acordo com o Pontífice, “Jesus nos ensina que a verdadeira justiça é o amor e que, em cada preceito da Lei, devemos perceber uma exigência de amor. De fato, não basta não matar fisicamente uma pessoa, se depois a matamos com palavras ou não respeitamos a sua dignidade”.

Bernadete Alves
Papa Leão XIV pede ‘jejum de palavras que ferem’ na Quaresma

O Papa Leão orientou os fiéis a ampliarem o sentido tradicional do jejum praticado no período que antecede a Páscoa. Para o pontífice, a prática não deve se limitar à abstinência de alimentos, mas alcançar também a forma como as pessoas se expressam no cotidiano.

O Papa concluiu convidando a invocar “juntos a Virgem Maria, que deu ao mundo o Cristo, Aquele que leva à perfeição a Lei e o projeto da salvação: que Ela interceda por nós, nos ajude a entrar na lógica do Reino de Deus e a viver a sua justiça”.

Fotos: Vatican Media