Intestino: o cérebro desconhecido

Os médicos acreditam que a função do nosso sistema digestivo vai muito além de simplesmente processar a comida que ingerimos. Eles o consideram como um “segundo cérebro”. Um órgão vital que integra o nosso “1º Pilar para uma vida saudável”.
A doutora Megan Rossi, especialista australiana em saúde intestinal, diz que devemos prestar mais atenção na nossa barriga. Segundo ela o intestino é um sistema nervoso autônomo, chamado Sistema Nervoso Entérico (SNE), que possui milhões de neurônios que trabalham na transmissão de informações dentro do organismo, inclusive com o cérebro. Esse contato é feito pelo nervo vago, uma estrutura que percorre todo o tórax e liga o intestino à cabeça.
Esse sistema nervoso se estende pelo tecido que reveste o estômago e o sistema digestivo, e possui seus próprios circuitos neurais. Segundo Rossi, isso torna a saúde do nosso intestino a chave para nossa imunidade às doenças uma vez que 2. 70% das células do nosso sistema imunológico vivem no intestino. A especialista diz que as pesquisas mais recentes indicam que, se você tem problemas intestinais, é mais provável que seja mais vulnerável a doenças.
“Diferente de qualquer outro órgão do corpo, nosso intestino pode funcionar sozinho. Tem sua própria autonomia para tomar decisões, não precisa que o cérebro lhe diga o que fazer”, explica a doutora Megan Rossi.
O Dr. Helion Póvoa, um dos maiores estudiosos no assunto, também enfatiza a importância do bom funcionamento do intestino para a nossa sensação de bem-estar e relaxamento, em seu livro “O Cérebro Desconhecido”.
Segundo ele o intestino é uma importante área de troca do corpo humano com o meio externo, que auxilia na eliminação de toxinas do organismo. “Mais do que aquilo que comemos, somos aquilo que absorvemos”, diz o Dr. Helion Póvoa, em seu livro. É impossível ter um intestino saudável se a alimentação também não o for. Quando inflamado por conta de alimentos tóxicos e alergênicos, como industrializados e embutidos, o intestino perde sua microbiota (flora intestinal), que é povoada por mais de 100 trilhões de bactérias.

As bactérias estão presentes em vários locais do corpo humano. Só no nosso intestino são cerca de 100 trilhões convivendo conosco, o que representa de 1 a 1,5 kg do peso corporal. Dentre essa enorme quantidade, existem aquelas que podem ser nocivas ao organismo (“bactérias ruins”) e também as conhecidas “bactérias do bem”, que atuam como verdadeiras aliadas da saúde humana.
Essas “bactérias do bem” são importantes por controlarem a multiplicação das “ruins” garantindo o equilíbrio da flora intestinal também conhecida como microbiota intestinal. São trilhões de seres que compõem um conjunto em simbiose com nosso organismo.

O intestino oferece abrigo e alimento para a reprodução das bactérias boas ,e em troca elas mantém a integridade da mucosa intestinal , melhor absorção de nutrientes e controle da proliferação de bactérias que poderiam causar doenças.
O primeiro contato do intestino com as bactérias parece ser durante o parto e, por esse motivo bebês que nascem por parto vaginal normal apresentam uma primeira flora intestinal diferente de bebês que nascem por cesárea. Isso acontece porque no parto vaginal, o bebê entra principalmente em contato com as bactérias do canal vaginal e do intestino da mãe, enquanto na cesárea as principais bactérias são as da pele da mãe e as do ambiente hospitalar.
Alguns estudos indicam que a colonização pode começar ainda no útero. Uma importante fonte para formação de uma flora saudável é a amamentação
As longo dos primeiros meses de vida, a microbiota vai se alterando conforme a alimentação do bebê. A partir daí, uma série de fatores irá influenciar a sua composição. Doenças que o bebê pega, o uso de antibióticos e mudanças na dieta, por exemplo, podem interferir diretamente na configuração da população intestinal.
A fase mais importante de crescimento e estabelecimento da flora intestinal acontece na primeira infância e vai se manter por toda a vida. Por isso, manter uma microbiota intestinal saudável parece ser uma boa forma de garantir uma melhor saúde geral.
A saúde intestinal impacta na mental, segundo os especialistas citados e estudos sobre o sistema digestivo. Isso porque o intestino é responsável pela produção de aproximadamente 80% de serotonina, um neurotransmissor que atua no cérebro e é responsável por conduzir impulsos nervosos como o humor, sono e funções intelectuais. Por isso, este órgão é considerado como “o segundo cérebro”.
Vários os estudos comprovam que a flora intestinal, ou microbiota intestinal, tem ainda uma função antibacteriana, imunomodeladora e protetora da mucosa. Constituída por cerca de 100 milhões de microorganismos, a microbiota intestinal está, na verdade, na linha da frente no que às nossas principais defesas diz respeito.
O intestino, que é dividido em delgado e grosso, é responsável pela absorção da maioria dos nutrientes (função do intestino delgado) e pela absorção da maior parte de água (função do intestino grosso) no organismo. Em seu trabalho normal, os alimentos devem percorrer todo o sistema digestivo a uma velocidade metabólica ideal, para que a massa alimentar e o bolo fecal não fiquem retidos (em qualquer parte do seu trajeto) mais do que o tempo necessário.

Uma das melhores formas de manter um flora intestinal saudável com mais “bactérias boas”, é ter hábitos de vida saudável. Para melhorar a saúde digestiva e o microbioma intestinal é recomendável uma dieta diversificada, prática de exercícios físicos, sono tranquilo, reduzir o nível de estresse, ingestão de água, evitar álcool, cafeína e comidas gordurosas e apimentadas.
A alimentação moderna, com tanto refinados, aditivados e agrotóxicos, pode estar fazendo com que os intestinos padeçam, dificultando todas as nossas inteligências.
Segundo o médico André Barbosa, o uso de antibióticos, cortisona ou laxantes, uso abusivo de álcool, estresse, dietas pobres em fibras, assim como algumas doenças intestinais, como diverticulose, inflamação intestinal e a prisão de ventre, também favorecem o desequilibro da flora intestinal e, consequentemente, da instalação da disbiose.

O gastroenterologista diz que a disbiose intestinal provoca sintomas como desconforto abdominal, gases e arrotos, diarreia ou prisão de ventre,fezes mal-formadas, náuseas, dores de cabeça, unhas fracas, queda de cabelo, Candidíase de repetição e Cansaço. A cura pode ser alcançada através de uma reeducação alimentar orientada por um nutricionista.
No entanto, quando a disbiose não é tratada, as bactérias ruins podem migrar para o sangue, podendo causar uma infecção em todo o organismo que, nos casos mais graves, pode levar à morte. Pessoas com disbiose podem desenvolver urticária e acne, que são causadas pela intoxicação provocada pela entrada das bactérias ruins no sangue e, por isso, é importante realizar o tratamento corretamente.

Para tratar a disbiose é necessário ser acompanhado por um nutricionista porque o tratamento consiste em restabelecer a flora bacteriana com uma alimentação adequada. A pessoa deve consumir alimentos ricos em fibras e probióticos, que estimulam o crescimento das bactérias boas do intestino, ajudando a estabelecer a absorção de nutrientes e vitaminas.
Vamos cuidar do nosso “segundo cérebro” investido em atividades físicas, tomando bastante água e em alimentos que fornecem fibras, vitaminas e minerais fundamentais à saúde intestinal.

Alimentos para o intestino funcionar bem
Banana: faz aumentar a produção do hormônio serotonina, o que melhora o humor e a sensação de bem-estar.
Coco: É ótimo para o bom funcionamento intestinal e, em casos de desidratação, funciona como um excelente soro vegetal, por ser rica em minerais.
Aveia: o cereal é fonte de fibras solúveis, que são parcialmente digeridas pelo intestino, retardando o esvaziamento gástrico e prolongando a saciedade.
Alface: A fibra mais abundante na alface é a celulose, que acelera o esvaziamento intestinal e diminui a pressão no seu interior, sendo imprescindível para quem sofre de intestino preguiçoso
Iogurte: excelente fonte de probióticos, esse alimento utiliza o açúcar do leite (lactose) para produzir energia e se proliferar, eliminando o ácido láctico, substância que aumenta a acidez da flora intestinal e inibe a proliferação das bactérias nocivas.













