Fiocruz é exemplo em equidade de gênero e raça

bernadetealves.com
Sede da Fiocruz, Palácio de Manguinhos, no Rio de Janeiro

A Fundação Oswaldo Cruz, a mais importante instituição científica da América Latina é mais que uma fábrica de vacinas, medicamentos, reagentes e kits de diagnóstico. A Fiocruz, referência em ciência e tecnologia em saúde há 120 anos, enxerga o respeito à diversidade como parte da definição de saúde.


As ações de estímulo à diversidade e enfrentamento aos preconceitos de gênero e raça dentro e fora da Fundação estão a cargo do Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça. Criado em 2009, o Comitê tem o objetivo de consolidar uma agenda institucional pelo fortalecimento dos temas étnico-raciais e de gênero na Fundação, colaborando para uma constante atualização e reorientação de suas políticas, bem como de suas ações, seja nas relações de trabalho, seja no atendimento ao público e na produção e popularização do conhecimento.


O trabalho vai além de garantir representatividade na oferta de vagas, o Comitê realiza rodas de conversa, oficinas e campanhas educacionais. Em 2010, a Fundação Osvaldo Cruz recebeu o Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça do governo federal.

bernadetealves.com
Fiocruz é exemplo em equidade de gênero e raça

Em 2018, o Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz passou a ser gerido por uma coordenação colegiada, composta atualmente por quatro integrantes: a psicóloga Andrea da Luz, a bióloga Hilda Gomes, a jornalista Marina Maria e a assistente social Roseli Rocha. Além disso, é composto por representantes de diferentes unidades e escritórios da instituição, que se reúnem, regularmente, a fim de contribuir para o planejamento e implementação de ações pela valorização da diversidade étnico-racial e de gênero.


A Fiocruz vai além da sua sede, o Palácio de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Tem 7.500 funcionários em 21 unidades, sendo 11 no Rio, 10 em outros estados e uma em funcionamento em Moçambique. Além disso, por ser vinculada ao Ministério da Saúde, trabalha em conjunto com o Sistema Único de Saúde e assim está presente em todo o país.

Segundo a coordenação tem se concentrado no fortalecimento da formação e mobilização por práticas antirracistas e pela equidade de gênero e diversidade sexual voltadas à comunidade Fiocruz; colaboração para implementação de ações afirmativas nos concursos públicos e processos seletivos na área da educação na Fiocruz; e construção de uma política institucional pró-equidade de gênero e raça.


Uma das ações mais notáveis é o programa Trajetórias Negras, já em sua sexta edição, valorizando os trabalhadores negros e combatendo o racismo institucional. Mesmo durante a pandemia a programação continuou de forma remota como a que aconteceu no dia 9 de março deste ano.


Sérgio Reis
, gerente do serviço de gestão do trabalho do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde,um dos homenageados na quarta edição do Trajetórias Negras, diz que finalmente as pessoas estão tendo a oportunidade de serem vistas e valorizadas. “Isso é muito gratificante”.

Para dar conta das grandes temáticas de equidade, mas também dos pequenos preconceitos incrustados no cotidiano, cada núcleo da Fundação faz o seu dever de casa. Sérgio Reis, diz que as parcerias com o Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz, ajudam a pulverizar a discussão dentro da Fundação. “Nós temos um subcomitê, aliado ao Comitê principal, para discutir essas temáticas e desdobrar em outras ações internas. Cada unidade faz dessa forma, respeitando suas particularidades, mas a ideia é a mesma”.


Recentemente o Comitê iniciou um trabalho de formação de prestadores de serviço que atuam no atendimento diário ao público, por práticas respeitosas e acolhedoras aos mais diversos públicos que frequentam a instituição. Inúmeros trabalhadores que atuam nas portarias de entrada da Fiocruz foram capacitados.

bernadetealves.com
Desigualdade de gênero e raça no Brasil segundo IBGE


Apesar de o Brasil ser majoritariamente feminino e de 56% da população se autodeclarar negra na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE, a ciência no país não condiz com esse perfil. A maioria dos professores com doutorado dos nossos cursos de pós-graduação são homens brancos, apenas 3% dos docentes com a mesma formação são mulheres negras ou pardas. Entre os alunos, um em cada quatro estudantes de mestrado ou doutorado é negro. É importante lembrar que a disparidade na academia começa antes de qualquer banca de titulação: apenas 10% das mulheres negras completam o ensino superior.


Equidade diz respeito ao reconhecimento das características próprias de um indivíduo ou grupo, em que se leva em consideração o direito de cada um com base na imparcialidade. Assim, o princípio da equidade busca equilibrar a balança da justiça reconhecendo as diferenças, vulnerabilidades e necessidades particulares das pessoas.

É importante que toda a sociedade pare de discriminar as pessoas pelo seu gênero, cor ou opção sexual. As pessoas merecem ter igualdade de oportunidades pela sua força produtiva. Chega de desigualdade social, econômica e política.

As raízes da discriminação e do preconceito precisam ser arrancadas.

Fotos: Divulgação