Jornalista e colunista política Cristiana Lôbo perde a vida aos 64 anos

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Colunista política Cristiana Lôbo, pioneira e lenda do jornalismo

É com pesar que registramos o falecimento da jornalista e colunista política Cristiana Lôbo, aos 64 anos, ocorrido nesta quinta-feira,11/11, em decorrência de um mieloma múltiplo,agravado por uma pneumonia contraída nos últimos dias. A comentarista da GloboNews e colunista do g1, estava internada no hospital Albert Einstein, em São Paulo.


O mieloma múltiplo, que tirou a vida da Cris Lôbo
, é o câncer de um tipo de células da medula óssea chamadas de plasmócitos, responsáveis pela produção de anticorpos que combatem vírus e bactérias. No mieloma múltiplo, os plasmócitos são anormais e se multiplicam rapidamente, comprometendo a produção das outras células do sangue.


É difícil acreditar nessa partida tão precoce desta profissional exemplar e de enorme talento para lidar com as adversidades. Não sabemos mais onde guardar tanta dor, diante de tantas perdas. Imagina como estão o seu marido Murilo, os filhos Gustavo e Bárbara e os netos Antônio e Miguel.

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Jornalista e colunista política Cristiana Lôbo, ícone do jornalismo politico

Cristiana Lôbo deixa um grande vazio para a família, para os amigos, para o jornalismo e para o Brasil. Deixa, também, um legado de trabalho sério,profissional,ético e respeitoso, nos quase 40 anos de atividade na imprensa brasileira e de generosidade.


Cristiana era a voz sensata que analisava e repercutia a conturbada política brasileira. Inteligente, sensata, espirituosa e comprometida com a boa informação. Uma mulher admirável, que tratava de política com sabedoria e classe irretocáveis. Sempre atenta e objetiva a tudo.


O diretor-geral de Jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, divulgou uma nota em que lembrou a parceria profissional com Cristiana Lôbo. “Cris era uma profissional ímpar. Eu comecei a trabalhar com ela em 1991, em Brasília, quando dirigi a sucursal do Globo. Nesses 30 anos, Cris sempre se mostrou uma profissional exemplar, correta, zelosa, ansiosa pela notícia em primeira mão. Pude sempre reconhecer nela um ser humano doce, gentil, amigo das pessoas. O jornalismo perde um talento enorme. Pelos depoimentos que ouvi, porém, a generosidade dela ajudou a deixar incontáveis discípulas e discípulos. É um grande legado”, afirmou Kamel.

Colegas jornalistas e autoridades usaram as redes sociais para lamentar a morte precoce da respeitada jornalista política.

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Cristiana Lôbo com colegas da GloboNews Dony De Nuccio, Merval Pereira, Renata Lo Prete, Gerson Camarotti e Eduardo Grillo, nos estúdios da GloboNews


O colega Merval Pereira disse que conheceu Cristiana na sucursal do Globo em Brasília que ele chefiava no final dos anos 1970, quando ela começava sua carreira vinda de Goiás.


“Sempre foi a mesma, bonita, alegre e irreverente, amando o que fazia. Gostava das intrigas do Congresso. Aprendeu cedo a entender o que era notícia, o que era boato; o que era manipulação, o que era informação. Nunca perdeu visão irônica da atividade política, embora entendesse que o Congresso, com seus defeitos e qualidade, moldava nosso futuro. Por sorte, conviveu no início da carreira com gente como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Thales Ramalho, Petronio Portella, Luiz Eduardo Magalhães, Miro Teixeira, Tasso Jereissati, os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula no início de suas carreiras políticas. Tinha parâmetros rigorosos para avaliar a atuação parlamentar. Ultimamente, antes de adoecer, tinha visão cética da política, mas ao mesmo tempo era pragmática para aceitar o material humano que tinha para trabalhar, com um senso de humor característico. Vai fazer falta”, disse Merval.


Andréia Sadi, jornalista, declarou “É uma lenda, sempre foi uma lenda para todos nós jornalistas, focas que chegavam a Brasília”. “Foi uma pioneira. Abriu portas para nós mulheres jornalistas.”


A jornalista Julia Duailibi declarou: “A Cris, acho que o que a define é a generosidade. Principalmente para as gerações mais novas. Me lembro do meu primeiro contato com ela, logo que cheguei a Brasília, como ela foi generosa. […] Ela me pegava pela mão e me ensinava.”

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Cristiana Lôbo durante seu programa Fatos e Versões

“Cristiana Lôbo simplesmente criou a cobertura política ao vivo, em cima dos fatos, com bastidores e informações exclusivas. Um divisor de águas. Formou uma geração de jornalistas. Quanta tristeza. Perdi uma amiga generosa. Fica uma saudade infinita”, diz Gerson Camarotti, seu colega na GloboNews.


O comentarista da GloboNews,Valdo Cruz, diz ser eternamente grato à Cristiana Lôbo, uma profissional exemplar. “Queria desejar para a nossa Cris Lôbo que ela seja acolhida no mundo espiritual com muita paz, muito amor, com muita gentileza e generosidade, pela marca que trouxe para todos nós. Cris, amamos você.”


Emocionada, Miriam Leitão homenageou Cristiana Lôbo: “Foi uma grande jornalista. Ela era uma excelente colega e, além disso, ela atravessou essa doença, mostrando força, capacidade e nos ensinando a viver”.

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Jornalista e colunista política Cristiana Lôbo, substancial na cobertura do Congresso Nacional


O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, também homenageou Cristiana Lôbo. “Faço o registro que acabo de receber a notícia do falecimento da jornalista Cristiana Lôbo, da TV Globo, que foi por muitos anos comentarista política da emissora. Estive com ela muitas vezes desde o tempo que não estava no STF e depois, como ministro, algumas poucas vezes. Uma jornalista extremamente séria, corajosa e independente, sempre.”


“Recebi com grande tristeza a notícia do falecimento da jornalista Cristiana Lobo. Admirada por seus pares e por seus muitos interlocutores no cenário brasileiro, Cristiana construiu reputação de profissional séria, dedicada e atenta a todos os detalhes do cenário político e institucional do Brasil democrático das últimas décadas. A lacuna que deixa será muito grande, e a saudade entre seus familiares e muitos amigos será ainda maior”, declarou o ministro Dias Toffoli, do STF.


O presidente do Superior Tribunal de Justiça, o ministro Humberto Martins também expressou pesar pela morte da comentarista. “Sua trajetória profissional sempre foi marcada pelo compromisso com a cidadania, enquanto grande exemplo do pleno exercício da liberdade de expressão e da consolidação da emancipação feminina na sociedade. Aos colegas, amigos e familiares, ofereço minha oração para que a infinita misericórdia divina ampare a todos neste momento de dor e sofrimento.”

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Renata Lo Prete, Gerson Camarotti, Cristiana Lôbo e Merval Pereira, comentaristas da GloboNews

O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, disse: “É com tristeza que recebemos a notícia do falecimento da jornalista Cristiana Lôbo. Em tempos de ataques ao jornalismo perdemos um modelo de ética profissional e qualificação da comunicação. Nossos sentimentos aos familiares e colegas em nome da Advocacia brasileira.”


O senador Randolfe Rodrigues em suas redes sociais declarou: “Não dá pra acreditar. Perdemos Cristiana Lôbo, um dos maiores nomes do nosso jornalismo. Sempre atenta, forte, incisiva, objetiva, doce, amável, inteligente. Tive a honra de aprender muito com ela. Continuarei aprendendo. Toda a solidariedade à família e aos amigos.”


O presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco, disse que foi com tristeza que recebeu a notícia do falecimento da jornalista Cristiana Lôbo.“Cristiana era substancial na cobertura do Congresso Nacional, tinha acesso aos principais acontecimentos e fatos, fruto do seu trabalho realizado com muito profissionalismo em defesa da democracia e da liberdade de expressão. O jornalismo e a política estão de luto. Meus sentimentos à sua família, aos amigos, aos colegas jornalistas e admiradores.”


Cristiana dos Santos Mendes Lôbo nasceu em Goiânia, em 18 de agosto de 1957, e se formou em jornalismo na Universidade Federal de Goiás. Escolheu o curso para tentar realizar o sonho de ter um programa de música no rádio. Começou cobrindo política em Goiás e, depois, em Brasília. Sua carreira tomou novos rumos quando passou a trabalhar para O Globo.


Trabalhava incansavelmente de manhã até a noite. Nunca desistiu. Um momento intenso em sua carreira foi a cobertura da campanha por eleições diretas no país, em 1984.


No jornal O Globo, ela trabalhou na coluna Panorama Político e na Coluna do Swann. Após 13 anos no jornal O Globo foi para o “Estado de S. Paulo”,onde assumiu a coluna política. E assim, como observadora de fatos e tendências, continuou acompanhando de perto a vida política brasileira.


A estreia na televisão foi na GloboNews, em março de 1997. Sempre com entusiasmo, Cristiana Lôbo seguiu comentando a política no canal. Em 2001 fazia parte do Jornal das Dez.


Em 2003, passou a integrar o programa Fatos e Versões, apresentado por Franklin Martin, onde se destacava pelo quadro Papo no Cafezinho, dedicado aos bastidores da política e seus expoentes.

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De 2005 a 2014, Cristiana Lôbo passou a fazer parte das discussões políticas Programa do Jô, num quadro chamado Meninas do Jô, que reunia as jornalistas Lilian Witte Fibe, Ana Maria Tahan e Cristina Serra.


De 2008 até 2014, participou do Estúdio I, ao lado de Maria Beltrão. A jornalista também teve um blog no G1 chamado Os Bastidores da Política. Em 2012, alcançou a marca de 33 mil seguidores no site Twitter – que ela considerava um mundo enorme, um universo paralelo. Ainda no “Globo”, trabalhou na coluna Panorama Político.

Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/Globo, Zé Paulo Cardeal/Globo e reprodução