Arquitetura residencial do Plano Piloto: singularidade surpreendente com função e beleza

O Plano Piloto de Brasília ostenta uma arquitetura cheia de conceito. Pilotis, cobogós, brise e grandes janelas para apreciar a exuberante natureza da área nobre da capital do país. Eles vão além da função técnica e são muito mais do que apenas regras de composição em engenharia e construção. São carregados de história e muita arquitetura e também chamam atenção dos turistas.

Mesmo seguindo o plano de Lucio Costa em relação a quantidade de pavimentos (até seis andares), a necessidade de área verde ao redor e o pilotis livre, os blocos residenciais do Plano Piloto, em Brasília, não são iguais uns dos outros. Variam em cor, disposição, materiais.

As quadras-modelo da Asa Sul, que incluem a 107, a 108, a 307 e a 308, são consideradas de extrema importância histórica para a cidade. Elas foram algumas das primeiras construídas no Plano Piloto, propostas no plano urbanístico de Lucio Costa. O urbanista dizia que, a cada quatro quadras residenciais, deveriam ser construídos um clube, uma escola, uma igreja e comércio com todos os serviços necessários para atender a comunidade local. Artistas como Burle Marx, Athos Bulcão e Niemeyer criaram belos exemplares arquitetônicos.

As quatro quadras-modelo, foram tombadas pelo Governo do Distrito Federal (GDF) e fazem parte do acervo protegido pelo Instituto de Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan). Os prédios desenhados por Oscar Niemeyer intrigam turistas e desperta interesse nos profissionais da área.
Pilotis

Palavra francesa que significa pilar. Os pilotis são característicos da arquitetura modernista, e compõem um dos “cinco pontos para a nova arquitetura” definidos por Le Corbusier. O arquiteto suíço é considerado um mentor de artistas brasileiros como Oscar Niemeyer, Roberto Burle Marx e do próprio Lúcio Costa, responsáveis diretos pelo desenho de Brasília.
O pilotis é um sistema construtivo em que uma edificação é sustentada através de uma grelha de pilares (ou colunas) em seu pavimento térreo.
Os Pilotis dos blocos residenciais das Superquadras situadas nas Asas Sul e Norte de Brasília, como concebidos no Plano Piloto urbanístico elaborado por Lucio Costa, são uma marca indelével da vida nessa área nobre da capital.

Internamente, muitos blocos são revestidos por azulejos de Athos Bulcão em espaços como o vão da escada e as paredes da área dos elevadores. Outros estão nas paredes externas.
Como parte do Relatório do Plano Piloto, os pilotis estão inscritos no tombamento de Brasília como Patrimônio Cultural da Humanidade. O documento elaborado por Lucio Costa prevê que as superquadras e os blocos poderiam ser mapeados em configurações variadas, desde que três pontos sejam mantidos: máximo de seis andares, separação entre pedestres e veículos e área livre no pilotis.
Cobogó

O tijolo furado, criado em Pernambuco na década de 1930, é também a identidade de Brasília. Blocos Residenciais vazados de cimento, que, além do efeito estético, têm funcionalidades, como permitir a circulação de ar e a entrada de luz.

No entanto, se transformam em problema quando chove e por deixar passar bichos. Por isso, em alguns prédios, a opção tem sido vedar a parte interna dos cobogós. A questão estética versus a função da estrutura divide opiniões. Como a preservação dos elementos vazados não é obrigatória, os espaços têm sido tapados pela grande maioria dos moradores. Enquanto outros optam por preservar o projeto original dos prédios de Brasília.
Brises

A expressão francesa também conhecida de brise-soleil significa quebra-sol. Estes dispositivos instalados em fachadas e janelas dos edifícios de Brasília, visam bloquear ou controlar os raios de sol dentro do prédio, fazendo com que se obtenha maior conforto térmico.

Eles são compostos por lâminas, verticais ou horizontais, feitas dos mais diversos materiais, sendo os mais utilizados: madeira, concreto, ferro e alumínio. As lâminas podem ser fixas ou móveis, sendo que com as móveis é possível obter controle de abertura, permitindo autonomia sobre a quantidade de calor e luz que irá adentrar o edifício.

Brasília é única, Viva e incomparável.







Fotos: Joana França, Marcelo Ferreira/CB/D.A Press e Reprodução













