Marinha do Brasil lança ao mar Submarino Tonelero, com presença de Lula e Macron

A Marinha do Brasil batizou e lançou ao mar o Submarino Tonelero, na Base de Submarinos da Ilha da Madeira, no Complexo Naval de Itaguaí (RJ). O evento contou com a presença do Presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado do Presidente da França, Emmanuel Jean-Michel Frédéric Macron, do Ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, do Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen.

Também marcaram presença a primeira-dama Janja Lula da Sila, ministro das Relações Exteriores, Ministros de Estado, Mauro Vieira; presidente da Itaguaí Construções Navais (ICN), Renaud Poyet, Almirantado e outras autoridades, bem como membros da indústria de defesa e da comunidade científica e tecnológica.

A cerimônia marcou a prontificação do processo construtivo do terceiro Submarino Convencional com Propulsão Diesel-Elétrica (S-BR), construído totalmente no Brasil, no escopo do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), que é resultado de uma parceria estratégica firmada, em 2008, durante o segundo mandato do presidente Lula, entre o Brasil e a França, que prevê a transferência de tecnologia na área militar-naval.

O Presidente Luiz Inácio deu destaque aos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e França, a serem comemorados em 2025, e afirmou que partiu, junto ao Presidente Emmanuel Macron, do coração da Amazônia Verde, em Belém (PA), rumo a outra Amazônia: a Amazônia Azul.

“Neste estaleiro, vislumbramos a vastidão dos 5,7 milhões de km² do espaço marítimo brasileiro, onde 95% do comércio exterior transita pelo Atlântico Sul, e onde existem recursos naturais e rica biodiversidade ainda inexplorados. Da Amazônia Azul, retiramos 75% do gás natural e 45% do pescado produzido no nosso país, e a proteção desse patrimônio natural e a manutenção do Atlântico Sul como zona de paz e cooperação são vertentes centrais da política externa brasileira. Ao longo dos últimos 150 anos, esses objetivos nacionais se tornaram realidade com apoio francês”, celebrou Lula.

O presidente Lula disse que há uma “animosidade” contra o processo democrático no Brasil e em outros países do mundo. “Hoje, nós sabemos, existe um problema muito sério de animosidade contra o processo democrático deste país, contra o processo democrático do planeta Terra. E nós sabemos que a parceria que a França está construindo conosco é uma parceria que vai permitir que dois países importantes, cada um num continente, se prepare para que a gente possa conviver com essa diversidade sem se preocupar com qualquer tipo de guerra, porque nós somos defensores da paz em todo e em qualquer momento da nossa história”, afirmou Lula.

Lula disse que vários navios da MB foram construídos na França, como o Encouraçado “Brasil”, recebido em 1865, e o Navio Aeródromo “São Paulo”, que esteve em serviço entre 2000 e 2014. “Hoje, com o complexo instalado aqui na Baía de Sepetiba, o Brasil se posiciona dentro do pequeno grupo de países que domina a construção de submarinos. O PROSUB é o maior e mais importante projeto de cooperação internacional em assunto de defesa do Brasil, porque garante a soberania no nosso litoral, fortalece a indústria naval, com geração emprego e renda, e promove o desenvolvimento do setor com muita inovação”.

Lula afirmou a Macron que o Brasil está investindo em submarino com tecnologia nuclear não para “fazer guerra”, mas para trabalhar pela paz.

“Presidente Macron, volte para a França e diga aos franceses que o Brasil está querendo os conhecimentos da tecnologia nuclear não para fazer guerra. Nós queremos ter o conhecimento para garantir a todos os países que querem paz, que saibam que o Brasil estará ao lado de todos, porque a guerra não constrói, a guerra destrói”, declarou Lula. “O que constrói é desenvolvimento, é conhecimento científico, é conhecimento tecnológico. É nessa área que nós queremos fortalecer nossa parceria com o povo francês”. O presidente do Brasil disse ainda que o país precisa ter Forças Armadas “altamente qualificadas e preparadas” para garantir a paz quando necessário.

Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Macron destacou a amizade entre os dois países e, em sintonia com Lula, apelou pela paz nos conflitos globais. “Valorizamos a dignidade humana e confiamos no potencial humano. Acreditamos na paz como construtora de equilíbrio. Isso requer que sejamos resilientes”.
Emmanuel Macron destacou o caráter histórico da conquista, ao afirmar que o País batizou o Submarino com o nome de uma grande vitória que está gravada na memória brasileira. “Mais uma vez, Tonelero será sinônimo de uma vitória brasileira, mas pacífica, industrial, tecnológica. Incontestavelmente uma vitória”, reiterou o Presidente francês.

Para ele, esta é uma ambição que, em 2008, podia parecer desmedida, mas que surpreendeu com os resultados. “Vocês tinham razão de acreditar e nós tivemos razão de apoiar vocês. Este terceiro submarino é testemunha concreta daquilo que nossos países são capazes de realizar juntos, uma verdadeira parceria estratégica. Jamais compartilhamos tanto nosso know-how do que com o Brasil, e os impactos positivos deste estaleiro, em termos de empregos gerados, vocações suscitadas e universidades associadas vão além do que se pretendia: vão permitir multiplicar por dez seu alcance na superfície, muito além das profundezas submarinas”, garantiu.
O Ministro da Defesa José Mucio afirmou que o vigoroso avanço nos projetos que constam do PROSUB são resultado do profissionalismo e seriedade com que a MB, as empresas e as universidades se posicionaram desde o início da jornada. O Ministro disse ainda que o lançamento ao mar do Submarino Tonelero é uma entrega do Estado à sociedade brasileira, afirmando que este segmento da indústria nacional é responsável por aproximadamente 2,9 milhões de postos de trabalhos formais, além de responder por 4,78% do nosso Produto Interno Bruto. “Em 2023, as exportações autorizadas relativas à indústria da Defesa foram 127% maiores do que em 2022, atingindo o segundo melhor desempenho desde o início deste acompanhamento, em 2001. Ficando patente, de forma incontestável, o quão promissor é esse segmento”.

O Comandante da Marinha, Almirante Olsen, defendeu maiores investimentos não só na flotilha nacional, mas na indústria de Defesa como um todo, já que, segundo ele, existe uma “ainda acanhada mentalidade por parte da sociedade brasileira, associada à baixa percepção de ameaças, que impõem desafios orçamentários e financeiros à execução do PROSUB e ao Programa Nuclear da Marinha, com potencial de danos relevantes à pesquisa científica, à geração de emprego e à renda digna”.

O Almirante Olsen acrescentou que a obtenção do Submarino Convencionalmente Armado com Propulsão Nuclear é o maior ativo da defesa nacional. Ele representará um incremento diferenciado à capacidade brasileira de dissuasão, fortalecendo a segurança e a soberania nacionais, permitindo ao Brasil alcançar estatura político-estratégica compatível com sua grandeza.
“O Brasil ratifica compromissos nacionais e internacionais assumidos em relação às atividades nucleares, com estrita observância aos preceitos constitucionais e aos documentos condicionantes de alto nível, a exemplo da Política Nuclear Brasileira e da Estratégia Nacional de Defesa. Há 30 anos, a estrutura do Programa Nuclear da Marinha tem sido rotineiramente submetida a inspeções de contabilidade e controle pela Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares e pela Agência Internacional de Energia Atômica, com histórico de 438 inspeções anunciadas e 144 não anunciadas. Todas, com exitosos resultados, ratificam o emprego dos materiais nucleares com segurança em atividades pacíficas”, assegurou o Allmirante Olsen.

O Presidente da Itaguaí Construções Navais (ICN), Renaud Poyet, lembrou que, em 14 anos de existência, a empresa investiu na capacitação técnica de seus integrantes, preparando e operando uma infraestrutura industrial de ponta, que permitiu avançar de maneira eficaz e segura para a construção dos submarinos. “Essa trajetória produziu muito mais do que modernos submarinos. Refiro-me à geração de milhares de empregos diretos e indiretos, capacitação profissional e desenvolvimento da economia de uma vasta região do Rio de Janeiro”, pontuou.
O Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Almirante de Esquadra Petronio Augusto Siqueira de Aguiar, explica que o PROSUB está inserido no contexto do Programa Nuclear Brasileiro. É um dos principais Programas Estratégicos de Defesa do Brasil. “Ao longo desses 15 anos de parceria, o Programa tem superado desafios. Além da Defesa Nacional, o Programa possui a capacidade de propiciar conhecimentos e benefícios em diversas áreas de interesse da sociedade brasileira“.

Cumprindo a tradição naval de batismo, a fim de auspiciar a proteção do Navio e dos seus tripulantes, a primeira-dama brasileira, Janja Lula da Silva, convidada para ser madrinha da embarcação, batizou o Submarino “Tonelero”.
O batismo de embarcações remonta um ritual milenar que remete às tradições de vikings, romanos, gregos e babilônios. É nessa perspectiva que se situa a Cerimônia de Lançamento de um navio ao mar, quando é batizado por uma madrinha e recebe seu nome oficial.

Em seguida, os Presidentes Lula e Macron, o Ministro da Defesa e o Comandante da Marinha acionaram, remotamente, o elevador de embarcações do Estaleiro de Construção, que levou o Submarino “Tonelero” ao mar.

O Prosub é um programa de transferência de tecnologia dentro da parceria estratégica Brasil-França, com o objetivo de entregar cinco submarinos até 2033, sendo quatro convencionais e um nuclear. Atualmente, dois submarinos desenvolvidos pelo Prosub estão em operação: o Humaitá e o Riachuelo. Além do Tonelero, o programa inclui a construção do S-BR Angostura (S43) e do Submarino Convencionalmente Armado com Propulsão Nuclear (SCPN) Álvaro Alberto.

A expectativa é de que o ProSub gere mais de 60 mil empregos diretos e indiretos. Cerca de 700 empresas estão envolvidas no projeto. Com mais de 71 metros de comprimento e 1.870 toneladas, o submarino Tonelero (Submarino Convencional com Propulsão Diesel-Elétrica) é a terceira embarcação construída no âmbito do programa.
A parceria inclui a construção de um complexo de infraestrutura industrial e de apoio à operação de submarinos, o que abrangerá estaleiros, base naval e uma unidade de fabricação de estruturas metálicas em Itaguaí. O ProSub já resultou na entrega dos submarinos Humaitá e Riachuelo. A próxima entrega será a do submarino convencional Angostura. Está também prevista a fabricação do submarino brasileiro com propulsão nuclear Álvaro Alberto.

Fotos: Ricardo Stuckert / PR













